quinta-feira, 22 de outubro de 2026
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Fátima Bezerra e sua força política do RN revelada pelas urnas nessas eleições de 2026
O nome de uma das principais lideranças políticas do Rio Grande do Norte é Fátima Bezerra. Não sou eu quem está dizendo: são os resultados das urnas.
A oposição, inclusive por meio de seu vice-governador, Walter Alves, apostou em uma estratégia para tirar de Fátima Bezerra a vaga no Senado. Havia quem afirmasse que ela não teria capital político suficiente para eleger Samanda Alves ao Senado e muito menos para levar Cadu ao segundo turno na disputa pelo Governo do Estado.
Mas, no fim, foram as urnas que deram a resposta.
E como explicar, então, as pesquisas divulgadas por blogs, rádios e emissoras de televisão alinhadas à oposição, que apontavam uma rejeição de 60% a Fátima Bezerra?
Como uma governadora que, segundo essas pesquisas, teria uma rejeição tão alta, e que ainda enfrentou o afastamento político de seu próprio vice-governador e de deputados que receberam seu apoio ao longo dos anos, conseguiu um resultado eleitoral tão expressivo?
O grupo político liderado por Fátima conseguiu levar seu candidato ao segundo turno, apesar de pesquisas anteriores o apontarem entre os últimos colocados; elegeu uma senadora; ampliou sua representação do seu partido na Assembleia Legislativa, e fez a maior bancada do Rio Grande do Norte, contando também com os parlamentares da federação; formou uma das maiores bancadas; elegeu três deputados federais ligados à federação e, ainda, conquistou representação do PT e da federação na Câmara Municipal de Natal.
Enquanto isso, o vice-governador não conseguiu se eleger. O ex-governador que deixou, segundo seus adversários, um cenário de dificuldades administrativas e folhas salariais atrasadas também não alcançou o resultado esperado nas urnas.
Diante de tudo isso, surge uma pergunta legítima: o que os resultados das urnas dizem sobre a força política de Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte?
E mais: como conciliar uma rejeição de 60%, apontada anteriormente por determinadas pesquisas, com a capacidade demonstrada nas urnas de mobilizar votos, eleger aliados e ampliar a representação de seu campo político?
Agora, Fátima Bezerra está no centro da disputa do segundo turno. Prefeitos e lideranças políticas já começam a se posicionar em relação à candidatura de seu grupo, enquanto a senadora eleita e os deputados federais e estaduais eleitos passam a compor uma nova correlação de forças para os próximos anos.
O candidato apoiado por Fátima chegou ao segundo turno depois de uma votação expressiva no primeiro turno e venceu em 74 municípios do Rio Grande do Norte. Seus adversários venceram em 65 e 28 municípios, respectivamente. Esses números mostram uma disputa territorial importante e revelam que o segundo turno começa com uma configuração diferente daquela projetada por parte das pesquisas e análises divulgadas antes da votação.
Por isso, mais do que previsões, o que deve ser observado agora são os próximos movimentos políticos, as alianças que serão formadas e, principalmente, o comportamento do eleitorado potiguar no segundo turno. As urnas já deram o primeiro recado. Agora, caberá novamente ao povo do Rio Grande do Norte decidir o futuro político do Estado.
Marcos Imperial - Comunicação Política - FPA.
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Bolsa Família Vai Para R$ 691! Entenda O Reajuste e Veja Quem Tem Direito
O governo federal anunciou oficialmente nesta
quinta-feira (17/09) um reajuste histórico de cerca de 15% no Bolsa Família.
O valor mínimo do benefício, que estava congelado em R$ 600 desde março de
2023, vai subir para R$ 691 por família.
A medida serve para recompor a inflação oficial acumulada
(INPC) do período e promete dar um fôlego extra no orçamento de milhões de
lares brasileiros. Com o reajuste nos adicionais, o benefício médio estimado
deve saltar para R$ 777.
Abaixo, você confere todos os detalhes sobre a nova tabela,
quem tem direito e o calendário oficial de pagamento.
Nova Tabela do Bolsa Família (Outubro 2026)
O aumento não foi aplicado apenas ao valor básico. Todos os
benefícios adicionais cumulativos e os cálculos por integrante da família foram
atualizados. Veja o antes e o depois:
|
Benefício |
Valor Antigo |
Novo Valor |
|
Piso Mínimo por Família |
R$ 600,00 |
R$ 691,00 |
|
Renda Mínima por Integrante |
R$ 142,00 |
R$ 164,00 |
|
Adicional por Criança (0 a 6 anos) |
R$ 150,00 |
R$ 173,00 |
|
Adicional por Jovem (7 a 18 anos incompletos) |
R$ 50,00 |
R$ 58,00 |
|
Adicional por Gestante |
R$ 50,00 |
R$ 58,00 |
|
Adicional por Bebê (Nutrizes até 6 meses) |
R$ 50,00 |
R$ 58,00 |
Quando começa a pagar o novo valor?
Os novos valores começam a valer na folha de pagamentos do
mês de outubro de 2026.Os depósitos serão feitos seguindo o calendário
tradicional do programa, baseando-se no último dígito do NIS (Número de
Identificação Social). Os repasses vão acontecer entre os dias 19 e 30 de
outubro.
Quem tem direito ao Bolsa Família de R$ 691?
As regras de entrada e permanência no programa não mudaram.
Para receber o benefício (e o novo aumento), a família precisa cumprir os
seguintes requisitos:
Renda limite: Ter renda mensal de, no máximo, R$ 218 por pessoa.
Cadastro Único: Estar com os dados do CadÚnico totalmente
atualizados (o governo recomenda atualizar os dados a cada 2 anos ou sempre que
houver mudança na família).
Condicionalidades: Manter a frequência escolar das crianças
e adolescentes em dia, além de seguir o calendário de vacinação e o
acompanhamento pré-natal (para gestantes). Por Mali.
✈️ Recorde Histórico: Aeroporto de São Gonçalo do Amarante/RN. Tem o Melhor Agosto Desde a Inauguração e Cresce 21%
O turismo no Rio Grande do Norte está vivendo um momento extraordinário em 2026. O Aeroporto Internacional de Natal (NAT), localizado em São Gonçalo do Amarante, registrou o seu melhor mês de agosto em número de passageiros desde que o terminal começou a operar, em 2014.
- Voos Domésticos: Movimentaram 227,9 mil passageiros, uma alta de 18% em relação a agosto do ano passado.
- Voos Internacionais: Registraram o maior salto proporcional, com 14,6 mil viajantes — um crescimento de 76% comparado a 2025.
- Aumento da Malha Aérea: Mais de 176 voos extras foram injetados na alta temporada de meio de ano.
- Conexões Estratégicas: Atração massiva de turistas vindos de hubs principais como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
- Consolidação Internacional: Fortalecimento das rotas diretas para Buenos Aires (Argentina) e Lisboa (Portugal).
terça-feira, 15 de setembro de 2026
📊 Ritmo de Vitória: Três pesquisas consecutivas consolidam nomes de Odon Júnior e Francisco do PT

Foi não homi! Styvenson chama dono de R$ 1,5 milhão de “bandido” e descobre depois que dinheiro estava na casa de aliado deputado do PL/RN
O senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) chamou de “bandido”, “safado”, “ladrão” e “vagabundo” o responsável pelos mais de R$ 1,5 milhão em espécie apreendidos pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14), antes de saber quem era o alvo da operação.
Horas depois, a defesa do deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo Bento da Silva (PL) reconheceu que os valores sacados de contas do parlamentar estavam guardados na residência dele.
Styvenson publicou um vídeo nas redes sociais quando a Polícia Federal ainda não havia divulgado a identidade dos alvos da Operação Sem Lastro. Ao comentar as imagens do dinheiro apreendido, o senador afirmou, sem apresentar provas, que a quantia seria destinada a caixa dois e compra de votos. As hipóteses, no entanto, ainda são investigadas e não foram confirmadas pela PF.
No vídeo, Styvenson pediu que seus seguidores compartilhassem as imagens e cobrou da Polícia Federal a identificação do responsável pelo dinheiro. O episódio ganhou novo contorno após a defesa de Luiz Eduardo confirmar que os valores estavam na casa do deputado, que é aliado político do senador e declarou apoio à sua reeleição.
Styvenson atacou responsável antes de saber identidade
Ao comentar a apreensão, Styvenson questionou a origem e a finalidade do dinheiro e afirmou que a quantia poderia estar relacionada ao financiamento irregular de campanha. “Quem será, hein? Para quem foi esse saque de um milhão e meio que a Polícia Federal pegou hoje pela manhã, hein? Um milhão e meio para caixa dois, viu?”, declarou.
O senador também levantou a possibilidade de compra de votos. “Para quem era esse dinheiro? Se ia comprar voto de quem?”, questionou. Em outro momento, afirmou que o responsável pretendia interferir no resultado eleitoral.
Sem conhecer a identidade do investigado, Styvenson chamou o responsável pelos valores de “safado”, “bandido”, “ladrão” e “vagabundo”. O senador ainda pediu que a PF analisasse o celular apreendido durante a operação para identificar possíveis mensagens relacionadas ao dinheiro.
“Espalha o vídeo que eu estou doido para saber de quem foi esse safado aí, esse bandido que está comprando voto”, afirmou.
Defesa de Luiz Eduardo confirma dinheiro na residência
Horas depois da publicação do senador, a defesa de Luiz Eduardo reconheceu que os valores sacados estavam guardados na residência do deputado. Segundo a nota, o dinheiro saiu de contas bancárias do próprio parlamentar e a movimentação teria sido “lícita, declarada e de origem plenamente comprovada”.
A defesa também negou que os recursos fossem destinados a caixa dois ou despesas eleitorais. Segundo os advogados, o dinheiro não havia sido utilizado e documentos sobre a origem dos valores serão apresentados às autoridades responsáveis pela investigação.
A manifestação, porém, não esclareceu por que a quantia foi retirada das contas bancárias, quanto tempo permaneceu guardada em espécie ou qual seria a destinação dos recursos.
A confirmação colocou o episódio em uma situação politicamente delicada para Styvenson, já que Luiz Eduardo é seu aliado na disputa eleitoral deste ano. O deputado declarou apoio à reeleição do senador e os dois já participaram de agendas políticas conjuntas.
Aliado de Styvenson esteve no gabinete do senador
A relação política entre os dois também foi explorada pela candidata ao Senado Samanda de Lula (PT), que cobrou uma posição de Styvenson após a confirmação de que os valores estavam na residência de Luiz Eduardo.
A petista questionou se o senador manteria as mesmas acusações feitas antes de conhecer a identidade do responsável pelo dinheiro.
“Vai chamar o seu aliado deputado de ladrão?”, questionou Samanda em vídeo publicado nas redes sociais.
A candidata também afirmou que Styvenson teria destinado mais de R$ 4 milhões ao deputado e perguntou se o senador pediria os recursos de volta. O valor citado por Samanda não foi apresentado com detalhamento sobre todos os repasses, beneficiários ou datas.
Há, entretanto, registro de uma reunião realizada em abril deste ano no gabinete de Styvenson, em Brasília. Na ocasião, Luiz Eduardo esteve com o senador para solicitar R$ 3 milhões destinados a obras de infraestrutura urbana na Zona Norte de Natal.
O encontro, por si só, não comprova a composição integral dos mais de R$ 4 milhões mencionados por Samanda.
O que a Polícia Federal investiga
A Operação Sem Lastro cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Natal por determinação da Justiça Eleitoral. Além do dinheiro em espécie, os agentes apreenderam celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de falsidade ideológica eleitoral e possível utilização de recursos financeiros não declarados em atividades de campanha.
O comunicado oficial da PF não identificou Luiz Eduardo como alvo da operação, não informou quanto foi apreendido em cada endereço e também não afirmou que todo o montante de mais de R$ 1,5 milhão estava na residência do deputado.
A relação do parlamentar com os valores foi reconhecida pela própria defesa, que confirmou os saques e a manutenção do dinheiro em espécie no imóvel.
Até o momento, não há indiciamento, denúncia do Ministério Público ou decisão judicial que reconheça a prática de caixa dois ou compra de votos por Luiz Eduardo.
Styvenson ainda não se manifestou após confirmação
Após a defesa do deputado reconhecer que os valores estavam guardados na residência de Luiz Eduardo, Styvenson ainda não havia informado se mantém as acusações de caixa dois e compra de votos feitas antes de conhecer a identidade do responsável pelo dinheiro.
O caso também passou a ser explorado por adversários políticos durante a campanha eleitoral. A investigação da Polícia Federal continua, e a origem, a finalidade e a eventual relação dos recursos com atividades eleitorais ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades.
BNews Natal
Vorcaro teria pagado “amiga que ficou com Kássio” Nunes Marques e viagem a Viena, revelam mensagens
"Ela tá me cobrando aqui” e "10, né?", diz interlocutora de amiga que teria ficado com o ministro Kássio Nunes Marques, do STF. Revelações vieram a público no mesmo dia em que o Supremo julga processo que envolve o próprio Vorcaro.
Por: Plínio Teodoro Publicado: 15/09/2026 - às 11h18| 5 min de leitura
Mensagens encontradas no
celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o
banqueiro teria feito um pagamento relacionado a um suposto encontro de uma
mulher com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, e sido
consultado sobre o custeio de uma viagem internacional solicitada pelo próprio
magistrado. As conversas foram publicadas inicialmente pelo UOL e confirmadas
pela Jovem Pan nesta terça-feira (15), exatamente no dia em que o STF realiza
sessão extraordinária para analisar desdobramentos da investigação sobre o
Banco Master, processo que coloca o próprio Vorcaro no centro da disputa. Mensagens
de Vorcaro expõem Kassio Nunes Marques
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam dois episódios distintos que envolvem o nome do ministro Kassio Nunes Marques.
No primeiro, uma mulher identificada na agenda do banqueiro como Rayanna menciona diretamente “Kassio” ao cobrar Vorcaro por um suposto encontro. No segundo, um agente de viagens chamado Leo Serrano encaminha ao banqueiro uma mensagem atribuída ao ministro pedindo ajuda para organizar uma viagem de dez dias para cinco pessoas e questiona se as despesas deveriam ser cobradas do próprio Vorcaro.
As revelações vieram a público na mesma terça-feira (15) em que o STF realiza sessão extraordinária dedicada a desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. O celular de Vorcaro é justamente o aparelho do qual foram extraídos os dados que alimentaram um relatório da Polícia Federal sobre o caso, tornando-se peça central de uma disputa interna na Corte. Que mensagens desse mesmo dispositivo impliquem um ministro do Supremo no dia em que seus colegas julgam o processo é um dado que o próprio contexto carrega.
O suposto encontro e o pagamento
Em 28 de fevereiro de
2025, Rayanna enviou uma mensagem a Vorcaro informando que “as meninas
estão prontas” e pedindo um endereço. O banqueiro forneceu o dado. Semanas
depois, já em março, ela voltou ao contato com uma mensagem direta.
“Boa tarde, Dani. Tudo bem? A
minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com Kassio! Ela
tá me cobrando aqui.” Vorcaro respondeu pedindo “dados e valor”. Rayanna
indicou “10, né?” e encaminhou um endereço de e-mail para o pagamento, possivelmente
via Pix.
As mensagens não detalham a natureza do encontro mencionado por Rayanna nem esclarecem a que exatamente correspondia o valor cobrado, de acordo com a Jovem Pan. A ambiguidade das conversas impede afirmar com precisão o que ocorreu, mas o encadeamento das trocas, com a menção ao nome “Kassio”, o relato de que “deu certo” e a cobrança subsequente direcionada a Vorcaro, compõe um quadro que levanta questões sérias sobre a relação entre o banqueiro e o ministro do Supremo.
A viagem para Viena e a ‘bomba’
Em 5 de dezembro de
2024, contato identificado como Leo Serrano, que seria um agente de
viagens, encaminhou a Vorcaro o print de uma mensagem enviada por um número
atribuído ao ministro Nunes Marques. O texto era direto: “Bom dia, Leo.
Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagens de uns dez
dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas. De preferência com guias e
motoristas de vans que falem português ou espanhol. Inicialmente, imaginei
Viena, com bate e volta nas cidades próximas, como Bratislava, Budapeste, Graz
ou Salzburgo”.
Serrano então perguntou a
Vorcaro se deveria atender ao pedido de forma independente ou “faturar pra vc”.
Vorcaro respondeu: “Sim. Atende. Tudo”.
“Beleza. E ele paga ou eu jogo procê essa bomba?”, questionou Serrano. Vorcaro respondeu: “Me liga depois.”
Em 15 de dezembro, Serrano voltou ao assunto para informar que “aquele Kassio que pediu a viagem pra aquele grupo em janeiro sumiu”. As mensagens não indicam se a viagem chegou a ser realizada ou quem eventualmente arcou com os custos, segundo a Jovem Pan.
Julgamento do Banco Master no STF
O STF analisa nesta terça-feira (15) a Petição 16.662, processo que concentra discussões sobre a validade de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O relatório revelou conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro, gerando uma crise interna na Corte. A Petição discute se esse relatório foi produzido de forma regular e se o Plenário deve abrir apuração sobre a conduta do próprio Moraes.
O celular de Vorcaro tornou-se objeto de disputa entre integrantes do Supremo antes mesmo do julgamento. A crise já havia provocado decisões conflitantes dentro da Corte, com o ministro Edson Fachin assumindo a relatoria da Petição 16.662 e levando a controvérsia ao Plenário.
É desse mesmo aparelho que
emergem agora as mensagens envolvendo Kassio Nunes Marques, ampliando o alcance
do escândalo para além do eixo Moraes-Vorcaro. O que estava circunscrito a uma
disputa sobre um relatório policial passa a envolver indícios de uma relação
mais ampla entre o ex-controlador do Banco Master e ao menos um segundo
ministro do Supremo.
EXCLUSIVO: Empresa de Augusto Cury quer abrir quase mil hectares de Cerrado para agricultura e pecuária
Filadélfia Nature pediu retirada de vegetação nativa em 994
hectares de fazenda de 6,4 mil hectares em Minas; IEF indeferiu o requerimento
em 2024, mas processo foi reaberto após recurso da empresa - Por: Diego Feijó de Abreu Publicado:
15/09/2026 - às 07h26| 8 min de leitura
Uma empresa de Augusto Cury pediu
autorização para retirar vegetação nativa de 994 hectares de Cerrado em
uma fazenda de 6,4 mil hectares no Norte de Minas Gerais. O plano apresentado
ao governo mineiro destinava 500 hectares à agricultura e 494 hectares
à pecuária. As informações foram levantadas pelo Fórum Investiga,
o núcleo de jornalismo investigativo da Fórum.
A área fica na Fazenda Santa Maria da Vereda, em Bonito de
Minas (MG), e o pedido foi apresentado pela Filadélfia Nature Participações e
Empreendimentos Ltda., empresa da qual o escritor e candidato à Presidência da
República pelo Avante é sócio desde 2016.
O Instituto Estadual de Florestas (IEF) indeferiu o
requerimento em outubro de 2024. A Filadélfia Nature recorreu. Em abril de
2025, o governo de Minas publicou o desarquivamento do processo em
razão do recurso administrativo e das manifestações técnica e jurídica
produzidas no caso.
Augusto Cury tem uma relação patrimonial expressiva com a
empresa. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2026,
informou R$ 15,6 milhões em participação na Filadélfia Nature e
outros R$ 121,19 milhões em um empréstimo mútuo ligado à companhia.
Juntos, os dois itens chegam a cerca de R$ 136,8
milhões, mais da metade dos R$ 242,28 milhões declarados pelo
presidenciável ao TSE.
Empresa de Augusto Cury pediu supressão de 994 hectares
O pedido consta do processo nº 2100.01.0014168/2024-35,
analisado pelo Instituto Estadual de Florestas.
O parecer identifica a Filadélfia Nature como responsável
pela intervenção ambiental e assinala que a própria empresa é proprietária do
imóvel.
A propriedade é a Fazenda Santa Maria da Vereda,
matrícula nº 20.628, registrada em Januária (MG), com área total de 6.427,4061
hectares.
O requerimento apresentado ao órgão ambiental é explícito:
“Supressão de cobertura vegetal nativa, para uso alternativo
do solo” em 994 hectares.
O plano de utilização divide a área em duas atividades:
500 hectares para agricultura e 494 hectares para
pecuária.
O parecer completo do IEF pode ser consultado aqui.
Parecer do IEF identifica a Filadélfia Nature, a Fazenda
Santa Maria da Vereda e o pedido de intervenção em 994 hectares, sendo 500 para
agricultura e 494 para pecuária | Reprodução/IEF
Projeto previa mais de 9 mil metros cúbicos de lenha
nativa
O impacto previsto no próprio requerimento vai além da
extensão territorial.
Segundo o parecer técnico, a supressão dos 994 hectares
resultaria na produção estimada de 9.054,36 metros cúbicos de lenha de
floresta nativa.
O documento informa que o material teria como destino o uso
interno no imóvel ou empreendimento e/ou a incorporação ao solo.
Esse volume consta como estimativa do projeto apresentado ao
governo de Minas. Não há, nos documentos analisados, comprovação de que a
vegetação tenha sido efetivamente retirada.
Área tem vulnerabilidade natural “muito alta”
O parecer do IEF também registra as características
ambientais da região onde a Filadélfia Nature pretendia realizar a intervenção.
A propriedade está no bioma Cerrado, com
vegetação classificada como Cerrado stricto sensu.
Na análise do órgão ambiental, a área aparece com vulnerabilidade
natural “muito alta” e inserida em região de prioridade
“extrema” para conservação de acordo com o mapa de áreas prioritárias
da Biodiversitas.
O imóvel também está dentro da Área de Proteção
Ambiental Estadual do Rio Pandeiros.
O parecer registra ainda espécies vegetais protegidas e
espécies de fauna enquadradas em categorias de proteção ou ameaça.
A presença em uma Área de Proteção Ambiental não impede
automaticamente atividades econômicas. No caso analisado, porém, a localização
e a dimensão da intervenção alteravam o enquadramento exigido para o
licenciamento.
IEF apontou erro no enquadramento e indeferiu pedido
O requerimento foi formalizado em junho de 2024.
Segundo o próprio parecer, não houve vistoria de
campo naquele procedimento. A análise ocorreu sobre os documentos
apresentados.
Os técnicos concluíram que o empreendimento havia sido
enquadrado sem considerar corretamente um critério locacional de peso 2,
aplicado à supressão de vegetação nativa em área considerada de importância
biológica “extrema” ou “especial”.
Com esse critério, o empreendimento deveria seguir outra
modalidade de licenciamento ambiental e passar pela análise da Unidade Regional
de Regularização Ambiental Norte de Minas.
O controle processual foi além e registrou que, diante das
questões técnicas identificadas, a supressão não poderia ser deferida naquele
processo.
Na conclusão, o IEF opinou pelo indeferimento do
requerimento de supressão de cobertura vegetal nativa nos 994 hectares.
A decisão foi publicada em outubro de 2024.
Filadélfia Nature recorreu e processo foi reaberto
A empresa não encerrou o processo após o indeferimento.
A Filadélfia Nature apresentou recurso
administrativo.
Em 9 de abril de 2025, uma publicação do governo de Minas
registrou o desarquivamento do pedido.
O ato informa que a decisão foi tomada:
“tendo em vista o recurso administrativo impetrado pelo
requerente e as manifestações técnica e jurídica”.
A publicação identifica novamente a Filadélfia Nature, a
Fazenda Santa Maria da Vereda e a supressão de cobertura vegetal nativa
em 994 hectares.
A publicação oficial do desarquivamento pode ser consultada
aqui.
O desarquivamento não equivale a uma autorização para
retirada da vegetação. Ele mostra que, após a negativa inicial, a empresa
recorreu e conseguiu reabrir a tramitação do requerimento.
Nas bases públicas consultadas pela Fórum, não
foi localizada decisão posterior autorizando a supressão dos mesmos 994
hectares.
Cury é sócio da Filadélfia Nature desde 2016
A Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos
Ltda. foi aberta em novembro de 2016 e tem capital social declarado
de R$ 18,61 milhões.
Augusto Jorge Cury consta como sócio desde a constituição da
empresa.
Também aparecem no quadro societário Suleima Cabrera
Farhate Cury, Camila Farhate Cury Oliveira, Carolina Farhate Cury e Claudia
Helena Farhate Cury. Claudia figura como sócia-administradora.
O cadastro empresarial inclui entre as atividades da
companhia cultivo de milho, cana-de-açúcar, soja, amendoim e feijão, criação de
bovinos e cultivo de eucalipto e outras espécies madeireiras.
A relação de Cury com a empresa também aparece em sua
declaração eleitoral.
R$ 136,8 milhões do patrimônio declarado estão ligados à
empresa
Augusto Cury declarou patrimônio total de R$
242.281.162,52 à Justiça Eleitoral em 2026.
Entre os bens informados estão R$ 15.607.925 em
quotas da Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos Ltda..
O maior item de toda a declaração do candidato é outro ativo
relacionado à companhia: um “Empréstimo Mútuo – Filadélfia Nature
Participações” de R$ 121.190.451,65.
Somados, os dois registros representam aproximadamente R$
136,8 milhões.
É uma relação patrimonial maior, inclusive, que a
participação de R$ 31,5 milhões na Fictor Invest declarada
pelo escritor e já revelada pela Fórum.
Leia também: Credor de R$ 31,5 milhões da Fictor, Augusto Cury investiu
por meio de contratos anulados pela Justiça.
A Filadélfia Nature também reúne integrantes da família do
presidenciável. Camila Cury, filha do escritor, está entre as sócias desde
2018.
Camila já apareceu em outra frente da investigação da Fórum
sobre negócios da família ligados à educação pública. Uma empresa dela e do
marido recebeu contrato de R$ 5,78 milhões da Prefeitura de Itajaí para o
programa Gênios Educacional.
Leia também: Empresa da filha de Augusto Cury foi contratada por R$ 5,7
milhões após Gênios substituir Escola da Inteligência.
Documentos não mostram que os 994 hectares foram
desmatados
O que os documentos do governo de Minas comprovam é que
a empresa de Augusto Cury pediu autorização para suprimir
vegetação nativa em 994 hectares, destinando 500 hectares à agricultura e 494 à
pecuária.
Comprovam também que o pedido foi indeferido em 2024, que a
Filadélfia Nature recorreu e que o processo foi desarquivado em abril de 2025.
Os documentos localizados pela reportagem não
mostram que a supressão tenha sido executada.
Também não foi localizada, nas bases públicas consultadas,
uma autorização posterior para os mesmos 994 hectares.
Outro lado
A Fórum procurou a Filadélfia Nature e
Augusto Cury.
A empresa foi questionada se continua proprietária da
Fazenda Santa Maria da Vereda, qual era a finalidade econômica da abertura dos
994 hectares, se houve nova licença ou autorização após o desarquivamento e se
alguma supressão de vegetação chegou a ser realizada na área.
Cury foi questionado sobre sua participação na empresa, a
finalidade do empreendimento e a situação atual do processo ambiental.
Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

