Em ano de eleições, a maior arma do campo progressista e da esquerda é a memória política. Para debater o futuro do Rio Grande do Norte, é preciso olhar para o passado e lembrar quem estava de qual lado nos momentos mais cruciais da nossa história recente.
No dia 17 de abril de 2016, o plenário da Câmara dos Deputados selava o início do golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff. Naquele dia, de uma bancada de 8 parlamentares do RN, 7 votaram a favor do impeachment. Para que a militância e os eleitores de esquerda não sofram de amnésia eleitoral, trazemos a radiografia completa daquele voto e o recado urgente para as urnas.
Enquanto a maioria da bancada potiguar se curvava ao oportunismo e às forças conservadoras, uma única voz se levantou com coragem e lealdade histórica para defender o voto popular e a legalidade democrática. Zenaide Maia, que na época integrava o PR, deve ser profundamente enaltecida, aplaudida e tida como referência pela militância de esquerda. Ela foi a única deputada federal do Rio Grande do Norte que votou contra o impeachment, mantendo-se firme ao lado de Dilma Rousseff no momento mais difícil. Sua coerência ontem se reflete em sua força hoje: por sua lealdade inabalável ao projeto popular, Zenaide atua como vice-líder do governo do presidente Lula no Congresso Nacional. Ela provou que quem tem lado e compromisso com o povo colhe o respeito da história e lidera a reconstrução do país.
Por outro lado, sete deputados federais do Rio Grande do Norte escolheram dar as costas ao voto do povo e abriram caminho para os anos de retrocesso social que o Brasil enfrentou em seguida. Naquela sessão, Rogério Marinho (PSDB), Fábio Faria (PSD), Beto Rosado (PP), Felipe Maia (DEM) e Antônio Jácome (PTN) cravaram seus votos a favor da destituição da presidenta.
Além deles, dois nomes exigem atenção redobrada e memória afiada da esquerda potiguar no cenário político atual.
O primeiro é Walter Alves, que na época estava no PMDB e seguiu a cartilha golpista de Michel Temer ao votar sim. O tempo passou e ele foi trazido para dentro das alianças governistas locais, mas a história provou o perigo de sua conduta. Na primeira oportunidade, ele virou as costas para o governo, para a governadora Fátima Bezerra e para o povo potiguar, deixando uma lição amarga sobre o preço de alianças sem coerência ideológica.
O segundo nome é Rafael Motta, então deputado federal pelo PSB, que não apenas votou sim, como subiu à tribuna da Câmara para discursar publicamente contra o governo de Dilma Rousseff. Hoje, ele tenta dialogar com o campo progressista e buscar o voto da esquerda, mas o registro histórico daquela sessão é imutável: seu voto ajudou a consolidar a derrubada da presidenta eleita.
Diante disso, o recado para as urnas é claro: não se deve repetir o erro com Rafael Motta. A esquerda do Rio Grande do Norte não pode aceitar a amnésia política como estratégia eleitoral. Candidatos que hoje buscam se pintar como alternativas progressistas ou aliados de primeira hora precisam ser firmemente cobrados pelas posições que assumiram quando o cenário era de tempestade.
O apoio a Rafael Motta não pode repetir o erro cometido com Walter Alves. O campo progressista já sentiu na pele o que acontece quando confia em quem carrega o histórico da conveniência política. Walter Alves traiu a confiança do governo estadual e do povo, e a militância não pode permitir que o mesmo erro seja cometido novamente com quem ajudou a derrubar Dilma em 2016.
Quem tem lado não esquece o passado. Organizar as bases, ocupar os debates e votar com base em coerência histórica é o único caminho para blindar o Rio Grande do Norte de novos estelionatos políticos. Para que nunca mais aconteça, para que ninguém esqueça. Por Mali.