Ministro do STF estabeleceu prazo de 60 dias para que Executivo, Legislativo e Judiciário tomem providências sobre essas verbas. Decisão ainda será submetida ao Plenário da Corte.
Por Márcio Falcão, Fernanda Vivas, Mariana Laboissière, g1 e TV Globo — Brasília
05/02/2026 14h44 Atualizado há uma hora.
O
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou
nesta quinta-feira (5) que os Três Poderes revisem e suspendam os
"penduricalhos" ilegais do serviço público, isto é, sem
fundamento legal específico.
O ministro deu prazo de 60 dias para que Executivo, Legislativo e Judiciário tomem providências sobre essas verbas, que são valores que ultrapassam o teto do funcionalismo — equivalente ao salário de ministros do Supremo, que é de R$ 46.366,19.
A decisão vale também para estados e municípios.
"Aquelas verbas que não foram expressamente previstas em LEI — votada no Congresso Nacional ou nas Assembleias Legislativas ou nas Câmaras Municipais (de acordo com cada esfera de competência) — devem ser imediatamente suspensas após o prazo fixado", diz um trecho do documento.
A decisão analisou a legalidade do pagamento de honorários e verbas indenizatórias acima do teto constitucional e foi tomada a partir de uma ação apresentada ao Supremo pela Associação dos Procuradores Municipais do Litoral Centro Sul do Estado de São Paulo.
Ausência de regra
No documento, o ministro critica a ausência de uma lei nacional que regulamente as indenizações e determina ao Congresso Nacional a elaboração de uma legislação para regulamentar quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção ao teto. Na decisão, Dino afirmou que verbas indenizatórias foram usadas para maquiar o pagamento turbinado de salários, ultrapassando o limite previsto pela Constituição. Verbas indenizatórias são aquelas que podem ficar fora do teto.
"Essa
situação fática implica o descumprimento generalizado da jurisprudência
vinculante do STF acerca do teto, impondo o ônus de que cada caso concreto seja
arbitrado pelo Tribunal — isso quando há algum tipo de provocação. Esse
descumprimento generalizado, em vez de implicar a busca de correções ou
autocorreções, tem produzido uma incessante busca por 'isonomia'", afirma
o ministro.
"Afinal, como a grama do vizinho é mais verde, é 'natural' que haja uma constante corrida para reparar essa 'injustiça', com criação de mais 'indenizações' acima do teto, que serão adiante estendidas a outras categorias, em 'looping' eterno'", prossegue.
O ministro citou como exemplos:
Licença
compensatória de 1 dia por cada 3 dias normais de trabalho, licença essa que
pode ser “vendida” e se acumula com o descanso em sábados, domingos e feriados;
Gratificações
de acervo processual (por vezes a premiar quem acumula muitos processos);
Gratificações
por acúmulo de funções (exercidas na mesma jornada de trabalho, em dias úteis e
no período diurno);
Auxílio-locomoção
(pago inclusive a quem não comprova que se locomove para trabalhar);
Auxilio-combustível
(idem);
Auxílio-educação
(por vezes sem que haja o custeio de qualquer serviço educacional);
Auxilio-saúde
(independentemente da existência ou não de planos de saúde, e dos seus
valores);
Licença-prêmio
(também com conversão em pecúnia);
Acúmulos
de férias, por vontade própria e unilateral do servidor, também a serem
convertidos em parcelas indenizatórias
Segundo Dino, a decisão será submetida ao Plenário da Corte, em sessão presencial, com data ainda a ser definida pela Presidência do STF.
Reajuste
para servidores
A decisão vem após a aprovação pelo Congresso nesta terça (3) do reajuste de salários para servidores da Câmara e do Senado. A aprovação também prevê a criação de novas gratificações e mecanismos de compensação. A aprovação desses reajustes tem sido criticada por diferentes esferas da sociedade e pode chegar a gerar um impacto de R$ 790 milhões, maior do que a expectativa de receita de 95% dos municípios brasileiros. Segundo o blog do Valdo Cruz, quando o projeto chegar às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a tendência é que ele vete apenas os aumentos ilegais para servidores aprovados pelo Congresso.










