quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Bolsa Família Vai Para R$ 691! Entenda O Reajuste e Veja Quem Tem Direito


O governo federal anunciou oficialmente nesta quinta-feira (17/09) um reajuste histórico de cerca de 15% no Bolsa Família. O valor mínimo do benefício, que estava congelado em R$ 600 desde março de 2023, vai subir para R$ 691 por família.

A medida serve para recompor a inflação oficial acumulada (INPC) do período e promete dar um fôlego extra no orçamento de milhões de lares brasileiros. Com o reajuste nos adicionais, o benefício médio estimado deve saltar para R$ 777.

Abaixo, você confere todos os detalhes sobre a nova tabela, quem tem direito e o calendário oficial de pagamento.

Nova Tabela do Bolsa Família (Outubro 2026)

O aumento não foi aplicado apenas ao valor básico. Todos os benefícios adicionais cumulativos e os cálculos por integrante da família foram atualizados. Veja o antes e o depois:

Benefício

Valor Antigo

Novo Valor

Piso Mínimo por Família

R$ 600,00

R$ 691,00

Renda Mínima por Integrante

R$ 142,00

R$ 164,00

Adicional por Criança (0 a 6 anos)

R$ 150,00

R$ 173,00

Adicional por Jovem (7 a 18 anos incompletos)

R$ 50,00

R$ 58,00

Adicional por Gestante

R$ 50,00

R$ 58,00

Adicional por Bebê (Nutrizes até 6 meses)

R$ 50,00

R$ 58,00

Quando começa a pagar o novo valor?

Os novos valores começam a valer na folha de pagamentos do mês de outubro de 2026.Os depósitos serão feitos seguindo o calendário tradicional do programa, baseando-se no último dígito do NIS (Número de Identificação Social). Os repasses vão acontecer entre os dias 19 e 30 de outubro.

Quem tem direito ao Bolsa Família de R$ 691?

As regras de entrada e permanência no programa não mudaram. Para receber o benefício (e o novo aumento), a família precisa cumprir os seguintes requisitos:

Renda limite: Ter renda mensal de, no máximo, R$ 218 por pessoa.

Cadastro Único: Estar com os dados do CadÚnico totalmente atualizados (o governo recomenda atualizar os dados a cada 2 anos ou sempre que houver mudança na família).

Condicionalidades: Manter a frequência escolar das crianças e adolescentes em dia, além de seguir o calendário de vacinação e o acompanhamento pré-natal (para gestantes). Por Mali.

✈️ Recorde Histórico: Aeroporto de São Gonçalo do Amarante/RN. Tem o Melhor Agosto Desde a Inauguração e Cresce 21%

O turismo no Rio Grande do Norte está vivendo um momento extraordinário em 2026. O Aeroporto Internacional de Natal (NAT), localizado em São Gonçalo do Amarante, registrou o seu melhor mês de agosto em número de passageiros desde que o terminal começou a operar, em 2014.

Sob a gestão da Zurich Airport Brasil, o aeroporto movimentou 242,6 mil passageiros (entre embarques e desembarques) ao longo do mês. O número representa um impressionante crescimento de 21% em comparação ao mesmo período de 2025.
Os Números do Crescimento: O Boom do Turismo Internacional
O crescimento foi impulsionado tanto pelo turismo de negócios quanto pelas férias de meio de ano, com destaque absoluto para o mercado estrangeiro. Veja a divisão dos dados:
  • Voos Domésticos: Movimentaram 227,9 mil passageiros, uma alta de 18% em relação a agosto do ano passado.
  • Voos Internacionais: Registraram o maior salto proporcional, com 14,6 mil viajantes — um crescimento de 76% comparado a 2025.
Por que o Aeroporto de Natal está batendo recordes em 2026?
Este resultado de agosto não é um ponto fora da curva, mas sim o reflexo de um ano histórico. O terminal já havia batido recordes nas férias de julho (com 250,9 mil passageiros) e fechado o melhor primeiro semestre de sua história.
Os principais fatores para esse sucesso são:
  • Aumento da Malha Aérea: Mais de 176 voos extras foram injetados na alta temporada de meio de ano.
  • Conexões Estratégicas: Atração massiva de turistas vindos de hubs principais como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
  • Consolidação Internacional: Fortalecimento das rotas diretas para Buenos Aires (Argentina) e Lisboa (Portugal).
Com a chegada das novas rotas previstas para o final do ano — incluindo voos sazonais e regulares para novos destinos —, a expectativa é que o estado termine 2026 com marcas inéditas de visitantes, aquecendo a hotelaria, o comércio e o setor de serviços potiguar.
Por Mali.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

📊 Ritmo de Vitória: Três pesquisas consecutivas consolidam nomes de Odon Júnior e Francisco do PT



Análise Eleitoral: O cenário para 2026 no Rio Grande do Norte
O cenário eleitoral para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte começa a desenhar suas principais forças. Levantamentos realizados por institutos de pesquisas locais apontam lideranças políticas em articulação para o pleito de 2026.
O Instituto Seta colocou Odon Júnior na 7ª colocação geral no estado e em 2º lugar dentro da Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV). O Instituto Exatus também apontou o candidato em forte posição na disputa, figurando em 9º lugar geral no RN e em 3º na federação. A campanha tem buscado consolidação em regiões estratégicas, como o Seridó e a Região Metropolitana de Natal.
Paralelamente, o deputado estadual Francisco do PT aparece liderando as intenções de voto entre os nomes da federação partidária para a Assembleia Legislativa do RN. No acumulado de pesquisas recentes divulgadas por institutos locais, o parlamentar figura na 7ª posição do ranking geral no estado para o cargo de deputado estadual. Por MALI.

Foi não homi! Styvenson chama dono de R$ 1,5 milhão de “bandido” e descobre depois que dinheiro estava na casa de aliado deputado do PL/RN

O senador e candidato à reeleição Styvenson Valentim (Podemos) chamou de “bandido”, “safado”, “ladrão” e “vagabundo” o responsável pelos mais de R$ 1,5 milhão em espécie apreendidos pela Polícia Federal nesta segunda-feira (14), antes de saber quem era o alvo da operação.

Horas depois, a defesa do deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Eduardo Bento da Silva (PL) reconheceu que os valores sacados de contas do parlamentar estavam guardados na residência dele.

Styvenson publicou um vídeo nas redes sociais quando a Polícia Federal ainda não havia divulgado a identidade dos alvos da Operação Sem Lastro. Ao comentar as imagens do dinheiro apreendido, o senador afirmou, sem apresentar provas, que a quantia seria destinada a caixa dois e compra de votos. As hipóteses, no entanto, ainda são investigadas e não foram confirmadas pela PF.

No vídeo, Styvenson pediu que seus seguidores compartilhassem as imagens e cobrou da Polícia Federal a identificação do responsável pelo dinheiro. O episódio ganhou novo contorno após a defesa de Luiz Eduardo confirmar que os valores estavam na casa do deputado, que é aliado político do senador e declarou apoio à sua reeleição.

Styvenson atacou responsável antes de saber identidade

Ao comentar a apreensão, Styvenson questionou a origem e a finalidade do dinheiro e afirmou que a quantia poderia estar relacionada ao financiamento irregular de campanha. “Quem será, hein? Para quem foi esse saque de um milhão e meio que a Polícia Federal pegou hoje pela manhã, hein? Um milhão e meio para caixa dois, viu?”, declarou.

O senador também levantou a possibilidade de compra de votos. “Para quem era esse dinheiro? Se ia comprar voto de quem?”, questionou. Em outro momento, afirmou que o responsável pretendia interferir no resultado eleitoral.

Sem conhecer a identidade do investigado, Styvenson chamou o responsável pelos valores de “safado”, “bandido”, “ladrão” e “vagabundo”. O senador ainda pediu que a PF analisasse o celular apreendido durante a operação para identificar possíveis mensagens relacionadas ao dinheiro.

“Espalha o vídeo que eu estou doido para saber de quem foi esse safado aí, esse bandido que está comprando voto”, afirmou.

Defesa de Luiz Eduardo confirma dinheiro na residência

Horas depois da publicação do senador, a defesa de Luiz Eduardo reconheceu que os valores sacados estavam guardados na residência do deputado. Segundo a nota, o dinheiro saiu de contas bancárias do próprio parlamentar e a movimentação teria sido “lícita, declarada e de origem plenamente comprovada”.

A defesa também negou que os recursos fossem destinados a caixa dois ou despesas eleitorais. Segundo os advogados, o dinheiro não havia sido utilizado e documentos sobre a origem dos valores serão apresentados às autoridades responsáveis pela investigação.

A manifestação, porém, não esclareceu por que a quantia foi retirada das contas bancárias, quanto tempo permaneceu guardada em espécie ou qual seria a destinação dos recursos.

A confirmação colocou o episódio em uma situação politicamente delicada para Styvenson, já que Luiz Eduardo é seu aliado na disputa eleitoral deste ano. O deputado declarou apoio à reeleição do senador e os dois já participaram de agendas políticas conjuntas.

Aliado de Styvenson esteve no gabinete do senador

A relação política entre os dois também foi explorada pela candidata ao Senado Samanda de Lula (PT), que cobrou uma posição de Styvenson após a confirmação de que os valores estavam na residência de Luiz Eduardo.

A petista questionou se o senador manteria as mesmas acusações feitas antes de conhecer a identidade do responsável pelo dinheiro.

“Vai chamar o seu aliado deputado de ladrão?”, questionou Samanda em vídeo publicado nas redes sociais.

A candidata também afirmou que Styvenson teria destinado mais de R$ 4 milhões ao deputado e perguntou se o senador pediria os recursos de volta. O valor citado por Samanda não foi apresentado com detalhamento sobre todos os repasses, beneficiários ou datas.

Há, entretanto, registro de uma reunião realizada em abril deste ano no gabinete de Styvenson, em Brasília. Na ocasião, Luiz Eduardo esteve com o senador para solicitar R$ 3 milhões destinados a obras de infraestrutura urbana na Zona Norte de Natal.

O encontro, por si só, não comprova a composição integral dos mais de R$ 4 milhões mencionados por Samanda.

O que a Polícia Federal investiga

A Operação Sem Lastro cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Natal por determinação da Justiça Eleitoral. Além do dinheiro em espécie, os agentes apreenderam celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura indícios de falsidade ideológica eleitoral e possível utilização de recursos financeiros não declarados em atividades de campanha.

O comunicado oficial da PF não identificou Luiz Eduardo como alvo da operação, não informou quanto foi apreendido em cada endereço e também não afirmou que todo o montante de mais de R$ 1,5 milhão estava na residência do deputado.

A relação do parlamentar com os valores foi reconhecida pela própria defesa, que confirmou os saques e a manutenção do dinheiro em espécie no imóvel.

Até o momento, não há indiciamento, denúncia do Ministério Público ou decisão judicial que reconheça a prática de caixa dois ou compra de votos por Luiz Eduardo.

Styvenson ainda não se manifestou após confirmação

Após a defesa do deputado reconhecer que os valores estavam guardados na residência de Luiz Eduardo, Styvenson ainda não havia informado se mantém as acusações de caixa dois e compra de votos feitas antes de conhecer a identidade do responsável pelo dinheiro.

O caso também passou a ser explorado por adversários políticos durante a campanha eleitoral. A investigação da Polícia Federal continua, e a origem, a finalidade e a eventual relação dos recursos com atividades eleitorais ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades.

BNews Natal

Vorcaro teria pagado “amiga que ficou com Kássio” Nunes Marques e viagem a Viena, revelam mensagens

- Kássio Nunes Marques e André Mendonça na posse no comando do TSE (Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

"Ela tá me cobrando aqui” e "10, né?", diz interlocutora de amiga que teria ficado com o ministro Kássio Nunes Marques, do STF. Revelações vieram a público no mesmo dia em que o Supremo julga processo que envolve o próprio Vorcaro.

Por: Plínio Teodoro Publicado: 15/09/2026 - às 11h18| 5 min de leitura

Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que o banqueiro teria feito um pagamento relacionado a um suposto encontro de uma mulher com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, e sido consultado sobre o custeio de uma viagem internacional solicitada pelo próprio magistrado. As conversas foram publicadas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Jovem Pan nesta terça-feira (15), exatamente no dia em que o STF realiza sessão extraordinária para analisar desdobramentos da investigação sobre o Banco Master, processo que coloca o próprio Vorcaro no centro da disputa. Mensagens de Vorcaro expõem Kassio Nunes Marques

As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam dois episódios distintos que envolvem o nome do ministro Kassio Nunes Marques.

No primeiro, uma mulher identificada na agenda do banqueiro como Rayanna menciona diretamente “Kassio” ao cobrar Vorcaro por um suposto encontro. No segundo, um agente de viagens chamado Leo Serrano encaminha ao banqueiro uma mensagem atribuída ao ministro pedindo ajuda para organizar uma viagem de dez dias para cinco pessoas e questiona se as despesas deveriam ser cobradas do próprio Vorcaro. 

As revelações vieram a público na mesma terça-feira (15) em que o STF realiza sessão extraordinária dedicada a desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. O celular de Vorcaro é justamente o aparelho do qual foram extraídos os dados que alimentaram um relatório da Polícia Federal sobre o caso, tornando-se peça central de uma disputa interna na Corte. Que mensagens desse mesmo dispositivo impliquem um ministro do Supremo no dia em que seus colegas julgam o processo é um dado que o próprio contexto carrega.

O suposto encontro e o pagamento

Em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna enviou uma mensagem a Vorcaro informando que “as meninas estão prontas” e pedindo um endereço. O banqueiro forneceu o dado. Semanas depois, já em março, ela voltou ao contato com uma mensagem direta. 

“Boa tarde, Dani. Tudo bem? A minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com Kassio! Ela tá me cobrando aqui.” Vorcaro respondeu pedindo “dados e valor”. Rayanna indicou “10, né?” e encaminhou um endereço de e-mail para o pagamento, possivelmente via Pix.

As mensagens não detalham a natureza do encontro mencionado por Rayanna nem esclarecem a que exatamente correspondia o valor cobrado, de acordo com a Jovem Pan. A ambiguidade das conversas impede afirmar com precisão o que ocorreu, mas o encadeamento das trocas, com a menção ao nome “Kassio”, o relato de que “deu certo” e a cobrança subsequente direcionada a Vorcaro, compõe um quadro que levanta questões sérias sobre a relação entre o banqueiro e o ministro do Supremo.

A viagem para Viena e a ‘bomba’

Em 5 de dezembro de 2024, contato identificado como Leo Serrano, que seria um agente de viagens, encaminhou a Vorcaro o print de uma mensagem enviada por um número atribuído ao ministro Nunes Marques. O texto era direto: “Bom dia, Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagens de uns dez dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas. De preferência com guias e motoristas de vans que falem português ou espanhol. Inicialmente, imaginei Viena, com bate e volta nas cidades próximas, como Bratislava, Budapeste, Graz ou Salzburgo”.

Serrano então perguntou a Vorcaro se deveria atender ao pedido de forma independente ou “faturar pra vc”. Vorcaro respondeu: “Sim. Atende. Tudo”.

“Beleza. E ele paga ou eu jogo procê essa bomba?”, questionou Serrano. Vorcaro respondeu: “Me liga depois.”

Em 15 de dezembro, Serrano voltou ao assunto para informar que “aquele Kassio que pediu a viagem pra aquele grupo em janeiro sumiu”. As mensagens não indicam se a viagem chegou a ser realizada ou quem eventualmente arcou com os custos, segundo a Jovem Pan.

Julgamento do Banco Master no STF

O STF analisa nesta terça-feira (15) a Petição 16.662, processo que concentra discussões sobre a validade de um relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O relatório revelou conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro, gerando uma crise interna na Corte. A Petição discute se esse relatório foi produzido de forma regular e se o Plenário deve abrir apuração sobre a conduta do próprio Moraes.

O celular de Vorcaro tornou-se objeto de disputa entre integrantes do Supremo antes mesmo do julgamento. A crise já havia provocado decisões conflitantes dentro da Corte, com o ministro Edson Fachin assumindo a relatoria da Petição 16.662 e levando a controvérsia ao Plenário.

É desse mesmo aparelho que emergem agora as mensagens envolvendo Kassio Nunes Marques, ampliando o alcance do escândalo para além do eixo Moraes-Vorcaro. O que estava circunscrito a uma disputa sobre um relatório policial passa a envolver indícios de uma relação mais ampla entre o ex-controlador do Banco Master e ao menos um segundo ministro do Supremo.

EXCLUSIVO: Empresa de Augusto Cury quer abrir quase mil hectares de Cerrado para agricultura e pecuária

 

Filadélfia Nature pediu retirada de vegetação nativa em 994 hectares de fazenda de 6,4 mil hectares em Minas; IEF indeferiu o requerimento em 2024, mas processo foi reaberto após recurso da empresa - Por: Diego Feijó de Abreu Publicado: 15/09/2026 - às 07h26| 8 min de leitura

Uma empresa de Augusto Cury pediu autorização para retirar vegetação nativa de 994 hectares de Cerrado em uma fazenda de 6,4 mil hectares no Norte de Minas Gerais. O plano apresentado ao governo mineiro destinava 500 hectares à agricultura e 494 hectares à pecuária. As informações foram levantadas pelo Fórum Investiga, o núcleo de jornalismo investigativo da Fórum.

A área fica na Fazenda Santa Maria da Vereda, em Bonito de Minas (MG), e o pedido foi apresentado pela Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos Ltda., empresa da qual o escritor e candidato à Presidência da República pelo Avante é sócio desde 2016.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) indeferiu o requerimento em outubro de 2024. A Filadélfia Nature recorreu. Em abril de 2025, o governo de Minas publicou o desarquivamento do processo em razão do recurso administrativo e das manifestações técnica e jurídica produzidas no caso.

Augusto Cury tem uma relação patrimonial expressiva com a empresa. Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, informou R$ 15,6 milhões em participação na Filadélfia Nature e outros R$ 121,19 milhões em um empréstimo mútuo ligado à companhia.

Juntos, os dois itens chegam a cerca de R$ 136,8 milhões, mais da metade dos R$ 242,28 milhões declarados pelo presidenciável ao TSE.

Empresa de Augusto Cury pediu supressão de 994 hectares

O pedido consta do processo nº 2100.01.0014168/2024-35, analisado pelo Instituto Estadual de Florestas.

O parecer identifica a Filadélfia Nature como responsável pela intervenção ambiental e assinala que a própria empresa é proprietária do imóvel.

A propriedade é a Fazenda Santa Maria da Vereda, matrícula nº 20.628, registrada em Januária (MG), com área total de 6.427,4061 hectares.

O requerimento apresentado ao órgão ambiental é explícito:

“Supressão de cobertura vegetal nativa, para uso alternativo do solo” em 994 hectares.

O plano de utilização divide a área em duas atividades:

500 hectares para agricultura e 494 hectares para pecuária.

O parecer completo do IEF pode ser consultado aqui.

Parecer do IEF identifica a Filadélfia Nature, a Fazenda Santa Maria da Vereda e o pedido de intervenção em 994 hectares, sendo 500 para agricultura e 494 para pecuária | Reprodução/IEF

Projeto previa mais de 9 mil metros cúbicos de lenha nativa

O impacto previsto no próprio requerimento vai além da extensão territorial.

Segundo o parecer técnico, a supressão dos 994 hectares resultaria na produção estimada de 9.054,36 metros cúbicos de lenha de floresta nativa.

O documento informa que o material teria como destino o uso interno no imóvel ou empreendimento e/ou a incorporação ao solo.

Esse volume consta como estimativa do projeto apresentado ao governo de Minas. Não há, nos documentos analisados, comprovação de que a vegetação tenha sido efetivamente retirada.

Área tem vulnerabilidade natural “muito alta”

O parecer do IEF também registra as características ambientais da região onde a Filadélfia Nature pretendia realizar a intervenção.

A propriedade está no bioma Cerrado, com vegetação classificada como Cerrado stricto sensu.

Na análise do órgão ambiental, a área aparece com vulnerabilidade natural “muito alta” e inserida em região de prioridade “extrema” para conservação de acordo com o mapa de áreas prioritárias da Biodiversitas.

O imóvel também está dentro da Área de Proteção Ambiental Estadual do Rio Pandeiros.

O parecer registra ainda espécies vegetais protegidas e espécies de fauna enquadradas em categorias de proteção ou ameaça.

A presença em uma Área de Proteção Ambiental não impede automaticamente atividades econômicas. No caso analisado, porém, a localização e a dimensão da intervenção alteravam o enquadramento exigido para o licenciamento.

IEF apontou erro no enquadramento e indeferiu pedido

O requerimento foi formalizado em junho de 2024.

Segundo o próprio parecer, não houve vistoria de campo naquele procedimento. A análise ocorreu sobre os documentos apresentados.

Os técnicos concluíram que o empreendimento havia sido enquadrado sem considerar corretamente um critério locacional de peso 2, aplicado à supressão de vegetação nativa em área considerada de importância biológica “extrema” ou “especial”.

Com esse critério, o empreendimento deveria seguir outra modalidade de licenciamento ambiental e passar pela análise da Unidade Regional de Regularização Ambiental Norte de Minas.

O controle processual foi além e registrou que, diante das questões técnicas identificadas, a supressão não poderia ser deferida naquele processo.

Na conclusão, o IEF opinou pelo indeferimento do requerimento de supressão de cobertura vegetal nativa nos 994 hectares.

A decisão foi publicada em outubro de 2024.

Filadélfia Nature recorreu e processo foi reaberto

A empresa não encerrou o processo após o indeferimento.

A Filadélfia Nature apresentou recurso administrativo.

Em 9 de abril de 2025, uma publicação do governo de Minas registrou o desarquivamento do pedido.

O ato informa que a decisão foi tomada:

“tendo em vista o recurso administrativo impetrado pelo requerente e as manifestações técnica e jurídica”.

A publicação identifica novamente a Filadélfia Nature, a Fazenda Santa Maria da Vereda e a supressão de cobertura vegetal nativa em 994 hectares.

A publicação oficial do desarquivamento pode ser consultada aqui.

O desarquivamento não equivale a uma autorização para retirada da vegetação. Ele mostra que, após a negativa inicial, a empresa recorreu e conseguiu reabrir a tramitação do requerimento.

Nas bases públicas consultadas pela Fórum, não foi localizada decisão posterior autorizando a supressão dos mesmos 994 hectares.

Cury é sócio da Filadélfia Nature desde 2016

Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos Ltda. foi aberta em novembro de 2016 e tem capital social declarado de R$ 18,61 milhões.

Augusto Jorge Cury consta como sócio desde a constituição da empresa.

Também aparecem no quadro societário Suleima Cabrera Farhate Cury, Camila Farhate Cury Oliveira, Carolina Farhate Cury e Claudia Helena Farhate Cury. Claudia figura como sócia-administradora.

O cadastro empresarial inclui entre as atividades da companhia cultivo de milho, cana-de-açúcar, soja, amendoim e feijão, criação de bovinos e cultivo de eucalipto e outras espécies madeireiras.

A relação de Cury com a empresa também aparece em sua declaração eleitoral.

R$ 136,8 milhões do patrimônio declarado estão ligados à empresa

Augusto Cury declarou patrimônio total de R$ 242.281.162,52 à Justiça Eleitoral em 2026.

Entre os bens informados estão R$ 15.607.925 em quotas da Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos Ltda..

O maior item de toda a declaração do candidato é outro ativo relacionado à companhia: um “Empréstimo Mútuo – Filadélfia Nature Participações” de R$ 121.190.451,65.

Somados, os dois registros representam aproximadamente R$ 136,8 milhões.

É uma relação patrimonial maior, inclusive, que a participação de R$ 31,5 milhões na Fictor Invest declarada pelo escritor e já revelada pela Fórum.

Leia também: Credor de R$ 31,5 milhões da Fictor, Augusto Cury investiu por meio de contratos anulados pela Justiça.

A Filadélfia Nature também reúne integrantes da família do presidenciável. Camila Cury, filha do escritor, está entre as sócias desde 2018.

Camila já apareceu em outra frente da investigação da Fórum sobre negócios da família ligados à educação pública. Uma empresa dela e do marido recebeu contrato de R$ 5,78 milhões da Prefeitura de Itajaí para o programa Gênios Educacional.

Leia também: Empresa da filha de Augusto Cury foi contratada por R$ 5,7 milhões após Gênios substituir Escola da Inteligência.

Documentos não mostram que os 994 hectares foram desmatados

O que os documentos do governo de Minas comprovam é que a empresa de Augusto Cury pediu autorização para suprimir vegetação nativa em 994 hectares, destinando 500 hectares à agricultura e 494 à pecuária.

Comprovam também que o pedido foi indeferido em 2024, que a Filadélfia Nature recorreu e que o processo foi desarquivado em abril de 2025.

Os documentos localizados pela reportagem não mostram que a supressão tenha sido executada.

Também não foi localizada, nas bases públicas consultadas, uma autorização posterior para os mesmos 994 hectares.

Outro lado

Fórum procurou a Filadélfia Nature e Augusto Cury.

A empresa foi questionada se continua proprietária da Fazenda Santa Maria da Vereda, qual era a finalidade econômica da abertura dos 994 hectares, se houve nova licença ou autorização após o desarquivamento e se alguma supressão de vegetação chegou a ser realizada na área.

Cury foi questionado sobre sua participação na empresa, a finalidade do empreendimento e a situação atual do processo ambiental.

Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

Leia também:

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