O avanço foi impulsionado principalmente pelos microempreendedores individuais (MEIs), responsáveis por um saldo de 18.859 empresas, consolidando-se como o principal motor de crescimento do tecido empresarial potiguar. Também registraram saldos positivos as microempresas (+2.155), empresas de pequeno porte (+1.375) e empresas de maior porte (+580), demonstrando expansão generalizada entre os diferentes perfis empresariais.
De acordo com a SEDEC, os resultados refletem a consolidação de um ambiente favorável à abertura e manutenção de negócios, com impacto direto na diversificação produtiva, na geração de renda e na movimentação do mercado local.
Serviços lideram expansão econômica
A análise setorial mostra que 75% do saldo empresarial em 2025 concentrou-se no setor de serviços, reafirmando seu papel como principal eixo da economia potiguar.
O comércio respondeu por 14% do crescimento e a indústria por 11%, evidenciando uma expansão mais gradual, porém consistente, da base produtiva. Entre os segmentos com maior dinamismo destacam-se Transporte, Armazenagem e Correio (+3.296 empresas), Comércio (+3.278), Atividades Administrativas e Serviços Complementares (+2.962), além de serviços profissionais, alojamento e alimentação, educação e saúde. O desempenho aponta para fortalecimento da cadeia logística, do turismo, dos serviços especializados e das atividades voltadas ao consumo interno.
Empresário individual lidera formalização
Sob o recorte jurídico, o modelo de Empresário Individual foi o principal responsável pela expansão empresarial, com saldo positivo de 16.493 registros. As Sociedades Limitadas também apresentaram desempenho expressivo, com +6.314 empresas, indicando crescimento de negócios com maior estrutura organizacional e potencial de expansão.
Modelos como sociedades anônimas, cooperativas e consórcios também registraram saldos positivos, mantendo participação estratégica em segmentos de maior escala produtiva.
Natal e região metropolitana concentram maior saldo
Os dados territoriais evidenciam forte dinamismo na Região Metropolitana de Natal. A capital liderou o saldo empresarial com 7.728 novas empresas, seguida por Parnamirim (2.739) e Mossoró (2.552). Municípios como São Gonçalo do Amarante, Extremoz e Macaíba reforçam o papel da região como polo econômico estadual.
No interior, Currais Novos, Ceará-Mirim, Assú e Caicó também apresentaram crescimento relevante, sinalizando expansão das oportunidades econômicas para além da capital.
Ambiente empresarial resiliente
Segundo a SEDEC, o desempenho de 2025 demonstra a capacidade de adaptação do setor produtivo potiguar mesmo diante de desafios econômicos nacionais e internacionais. O saldo positivo em todos os portes empresariais e setores indica continuidade do processo de formalização e fortalecimento do empreendedorismo.
A parceria entre SEDEC e JUCERN, com modernização de processos e produção de dados qualificados, tem contribuído para ampliar a segurança jurídica, facilitar a abertura de empresas e apoiar decisões de investidores.
O Boletim Empresarial consolida-se, assim, como instrumento estratégico de acompanhamento da economia estadual, reforçando o compromisso do Governo do Rio Grande do Norte com um ambiente de negócios mais eficiente, competitivo e sustentável.
Por Enio Vieira em Bula conteúdo, 08/02/2026 - 14:16
Grandes obras literárias têm uma capacidade própria de permitir interpretações variadas ao longo do tempo. A cada período histórico, surgem novas leituras e novos modos de aproximação dos leitores e leitoras com o que foi escrito (prosa, poesia ou teatro). As narrativas de maior interesse se revelam justamente por não se fecharem em um sentido único, mas por sustentarem uma diversidade de abordagens. Não se trata de ser atemporal ou universal. A questão é a abertura, de tempos em tempos, a visões inesperadas e que trazem sempre outras perspectivas.
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa (Companhia das Letras, 560 páginas)
Em 2026, o romance “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, completa 70 anos da publicação de sua primeira edição e é um exemplo desse tipo de livro que se refaz na mão de quem o lê. Seu potencial interpretativo nunca se esgotou. Foi uma fonte em movimento e até de indeterminação — criando um fascínio entre os psicanalistas, por exemplo, devido a isso. A obra segue se renovando, graças a uma característica central do romance do autor mineiro: a sua multiplicidade interna, a forma como ele se oferece sempre aberto aos leitores e às leitoras. A história nunca está pronta.
Por conta dessa abertura, Willi Bolle chamou a narrativa de “Grande Sertão: Veredas” de uma grande teia, uma web, estabelecendo uma analogia com as redes digitais da internet. Estamos falando de um ponto de vista da cibernética, não por acaso um tipo de conhecimento para dar conta dos movimentos incessantes do mundo moderno e das pessoas. O romance de Guimarães Rosa não é feito de uma prosa linear, mas de um conjunto de múltiplas conexões, de pontos interligados, cujo percurso depende muito da capacidade e da experiência de quem está lendo.
“Guimarães Rosa organiza a sua narração em forma de redes temáticas. Um network, no qual o sertão é o mapa alegórico do Brasil: o sistema jagunço, a instituição entre a lei e o crime, o pacto com o Diabo, a alegoria de um falso pacto social; a figura de Diadorim, o desafio para desvendar o dissimulado e o desconhecido; e a fala do povo, o próprio labirinto da língua… Essa rede ficcional serve de medium para observar e investigar a rede dos discursos sobre o país”, diz Bolle.
João Adolfo Hansen também pensou o livro de Rosa no sentido de uma máquina ou um dispositivo: “Todo o Grande Sertão: Veredas é máquina heteróclita de produção de efeitos de essências e reminiscências: como máquina, suas partes diferentes — encaixes, polias, engrenagens, motor — são artificiosíssimas em seu maneirismo, i.é., funcionam bem, e isso significa: não funcionam, fazem que outros funcionem, transmitem, engatam outras experimentações imaginárias: platonismo da mímese, livro de sociologia, exemplificação psicanalítica, estudo gramatical e linguístico, análise estrutural e análise estruturalista, ilustração semiótica, ajustes de contas com a Verdade do realismo socialista, cantigas de comover de amigos, declaração de amor e de ódio, filme, romance fluvial sem fim joyceano, partilhas acadêmicas, assunção vanguardista”.
A fala sem fim
Em termos atuais, o romance de João Guimarães Rosa poderia ser um algoritmo, ou mesmo uma LLM, uma inteligência artificial que reúne e processa uma enorme diversidade de fontes. Essas fontes vão desde a oralidade de uma região muito específica do Brasil (o norte de Minas Gerais, no sertão) até a literatura europeia, de Dante a James Joyce. Rosa combina essas referências a fim de criar uma língua nova, uma linguagem própria e um imaginário oculto. Constituiu um mundo que, até então, era pouco ou nada conhecido dos brasileiros e das brasileiras.
O sertão havia sido apresentado antes por uma obra como a de Euclides da Cunha e, depois, pelo chamado romance de 30, especialmente o romance regionalista do Nordeste (José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz). Guimarães Rosa trouxe à cena um universo particular de Minas Gerais, situado no centro do Brasil, narrando a matéria daquele território às margens do Rio São Francisco, abrangendo o norte mineiro, o sudoeste da Bahia e o leste do estado de Goiás. Um imenso interior do país. O romance é, como disse Bolle, um mapa alegórico do Brasil.
A geografia do livro é um enclave que Silviano Santiago chamou de monstruoso e impenetrável para quem vive na região do litoral brasileiro. Um espaço interiorano que, pouco tempo depois, Glauber Rocha também exploraria no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). As figuras de Deus e do Diabo brotam das falas do narrador Riobaldo, o velho jagunço que vai contar sua história. A velhice permite a rememoração de múltiplos amores, a indagação a respeito da existência demoníaca e, sobretudo, o luto e a melancolia pela perda de Diadorim.
A narrativa do livro se constrói inteiramente pela fala do narrador. Riobaldo conversa com aquele que ele chama de “doutor”: um homem instruído, letrado, vindo da cidade, portador da educação formal, que o escuta. É um diálogo que nunca se realiza como troca equilibrada, porque o que se tem é um monólogo. Riobaldo responde a perguntas que não ouvimos, reage a intervenções que permanecem implícitas, organiza a memória como quem fala para alguém. Jamais cede a palavra. É o encontro entre o homem letrado e o aparentemente iletrado (o doutor e o velho jagunço).
As páginas iniciais do livro já trazem uma grande meditação e expõem a forma narrativa. Riobaldo, diante desse interlocutor, reflete obsessivamente sobre o diabo, como se estivesse se justificando. Fala do diabo antes mesmo de contar sua história, para cercar o tema, tateá-lo, até chegar ao ponto decisivo: o pacto que acredita ter feito. Esses trechos são atravessados pela vida no sertão, a matéria brasileira do livro, sobretudo com uma sucessão de causos, episódios soltos, fragmentos de memória que vão sendo lançados quase sem ordem aparente.
O leitor se desnorteia. O que surge é uma coleção única de frases, sentenças que soam metafísicas ou filosóficas, ditas por alguém que pensa a própria vida, o mundo à sua volta e a experiência extrema do sertão. Riobaldo reflete sobre o bem e o mal, o acaso, a coragem, Deus e o diabo, e elabora um pensamento nascido da experiência e por meio da linguagem. As frases, acumuladas uma após a outra, criam um impacto poderoso. O romance se anuncia como uma engrenagem em movimento, em que a vida narrada leva à reflexão — ambas avançam juntas.
São frases como: “Quem mói no as´pro, não fantasêia”; “O diabo vige dentro do homem, os crespos do homem — ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum”; “o senhor ache e não ache. Tudo é e não é…”; “Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo… Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”; “As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam”. Cada dito traz um assombro, com palavras retorcidas e refeitas.
A vida jagunça
Da longa falação e meditação iniciais, surge quase de passagem o nome de Diadorim. Aparece cedo, inesperadamente, como um rasgo no fluxo do pensamento. Riobaldo diz apenas: “eu queria morrer pensando em meu amigo Diadorim”. Nada mais. Trata-se, naquele momento, apenas do companheiro dos tempos de jagunço, chamado Reinaldo. É tudo o que ele revela. Lendo o fim do livro, nota-se nessa passagem uma questão profunda: ele sabe quem Diadorim era e, por isso, tem coragem de fazer esse relato inteiro diante daquele interlocutor letrado, “doutor” da cidade. Há ali uma certa confissão. Afinal, estamos falando de um jagunço, de um homem formado num universo de masculinidade, que constrói ao longo do romance a admiração afetiva por outro homem.
A lembrança do tempo de jagunço se infiltra na fala, e é nesse momento que Riobaldo entra de vez na matéria do sertão, esse espaço impreciso do norte de Minas, que se mistura com a Bahia e Goiás. Ele passa a falar do bando de Medeiro Vaz, o primeiro chefe que teve. Faz, então, a descrição detalhada de como funciona aquilo que se chamou com precisão de “sistema jagunço”, com hierarquias, códigos, lealdades e violências.
Ainda nessas primeiras páginas, aparece um dos episódios mais marcantes do livro: a tentativa de travessia do Liso do Sussuarão. Um espaço desértico, quase impossível de encarar. A descrição desse lugar é impressionante, tanto pela dureza do ambiente quanto pela linguagem que o constrói. Tudo ganha uma dramaticidade extrema. O monólogo assume a forma de um teatro: um narrador sentado diante de uma plateia invisível, fazendo do relato uma experiência quase corporal.
Após o Liso do Sussuarão, vem a morte do chefe Medeiro Vaz. Também é o momento do reencontro de Riobaldo com uma figura central do romance: Zé Bebelo, que assume o lugar de novo líder do bando. Tudo isso acontece ainda nas primeiras páginas, numa velocidade narrativa que exige atenção constante do leitor. É ainda nesse momento que Riobaldo menciona o episódio decisivo no Arraial do Paredão, espaço fundamental para o romance. Ali se desenrola aquela que é a grande guerra de sua vida. No local, ele vê o diabo de fato, sentindo sua força de maneira concreta.
Nesse ponto, ocorre um dos cortes mais impressionantes da narrativa. Riobaldo interrompe a reflexão sobre o tempo, a memória e, possivelmente, o que resta de sua vida. Essa quebra exige do leitor um esforço particular, porque só muito mais adiante ela será retomada e esclarecida. O grande miolo do romance será a longa rememoração do passado, que Riobaldo vai reconstruindo aos poucos, a partir da infância.
Às margens do rio
O corte para o passado leva Riobaldo a recuar ainda mais, a começar pelo momento em que, ainda menino, conhece outro menino às margens de um rio, na região do São Francisco. Trata-se de uma das descrições mais impressionantes do livro. Só mais tarde o leitor e a leitora saberão que aquele menino é Diadorim. O impacto do encontro é imediato e profundo. Há encantamento silencioso, quase inexplicável, que marca o então jovem Riobaldo. O episódio coincide com outro acontecimento decisivo: a morte da mãe do narrador. A lembrança da infância, portanto, já surge atravessada por perda, ruptura e formação precoce de um olhar sobre o mundo.
Após a morte da mãe, Riobaldo vai morar com Selorico Mendes, figura central nesse momento da narrativa. Ele é seu padrinho e passa a ser seu tutor. Essa relação permite ao romance expor, com clareza, o funcionamento das hierarquias sociais no sertão mineiro. São as relações entre fazendeiros e a população pobre que gravita em torno das grandes propriedades. É nesse ambiente que Riobaldo tem contato, ainda de longe, com o universo dos jagunços e dos chefes de bando. É a matéria brasileira do sertão.
Na noite em que Joca Ramiro visita Selorico Mendes, surge essa figura das mais importantes do romance. Joca Ramiro aparece como um grande chefe, alguém cuja presença se impõe. A partir daí, o livro desenha com mais nitidez a estrutura complexa do sertão: de um lado, os grandes fazendeiros; de outro, os chefes de bando; e, na base, os jagunços, homens pobres que, como Riobaldo dirá mais adiante, vivem “cachorrando” pelo sertão. Essas instâncias se articulam e se exploram mutuamente.
Nesse momento da vida, Riobaldo ainda não é jagunço. É professor, dá aulas numa escola, o que já o distingue dos demais. Trata-se de uma posição ambígua. Ele pertence ao sertão arcaico, mas também carrega o signo da instrução, palavra organizada, reflexão. A condição intermediária reforça seu deslocamento constante ao longo do romance, em relação aos companheiros jagunços.
Outro episódio decisivo é quando Riobaldo foge da fazenda de Selorico, ao descobrir que o padrinho é, na verdade, seu pai. É uma revelação que inscreve sua história pessoal numa lógica brasileira de filiação bastarda, de silêncio e hierarquias. Ao fugir, Riobaldo literalmente “cai no mundo”. Ele se aproxima do bando de Zé Bebelo, inicialmente como professor, mas ainda recusa a vida de jagunço.
O romance avança nesse vaivém de indecisão e deslocamento. Riobaldo reencontra Diadorim e, a partir disso, toma sua decisão fundamental: tornar-se jagunço. Ele integra o bando de Hermógenes, figura sombria do romance. O chefe vai se transformar no eixo das escolhas de Riobaldo, no adversário absoluto, no confronto que parece não ter fim. É em torno dele que se organiza o sentido maior da trajetória do protagonista, como se toda a sua vida girasse em torno dessa oposição.
Tribunal do sertão
Juntos, Diadorim e Riobaldo integram o bando de Hermógenes. Nessa fase da vida do narrador, há uma das grandes batalhas do romance: o encontro com o bando de Zé Bebelo, que naquele momento é seu adversário. Estamos ainda recuando no tempo, nos primórdios da história que Riobaldo narra, antes mesmo do eixo central do romance se consolidar. O confronto termina com a captura de Zé Bebelo. E Riobaldo conhece, de fato, Joca Ramiro, a figura decisiva para ele.
Esse trecho de “Grande Sertão: Veredas” é fundamental porque nele se dá o julgamento de Zé Bebelo. O episódio carrega uma força narrativa impressionante, inclusive se pensarmos no contexto histórico de publicação do romance, em 1956. É difícil não relacionar essa sequência ao ambiente do pós-Segunda Guerra Mundial, quando o mundo ainda elaborava as ideias de punição, culpa, responsabilidade e justiça para os crimes nazistas. Guimarães Rosa imagina, no sertão, um tribunal. Zé Bebelo é julgado pelos chefes de bando, num espaço que não é o da lei formal, mas tampouco o da barbárie.
O julgamento se constrói como um grande debate. O texto assume claramente a forma de uma tragédia grega, com suas expiações. Diálogos densos, posições em conflito, chefes que encenam um coro trágico. Discute-se a execução sumária, a vingança imediata, a reafirmação da força. É nesse instante que Riobaldo apresenta uma solução inesperada. Em vez de matar Zé Bebelo, propõe que ele seja solto para contar, por todo o sertão, o que lhe aconteceu, para carregar consigo a marca da humilhação. Não se trata de perdão simples, mas de uma punição simbólica, narrativa, quase pedagógica.
A ideia do julgamento é chocante para os leitores e leitoras de hoje. Impressiona perceber como Guimarães Rosa antecipa discussões que associamos à justiça restaurativa contra os regimes de exceção. A questão não é eliminar o inimigo de uma vez por todas, mas obrigá-lo a viver com a memória do que fez e de quem sofreu. A cena do julgamento é um verdadeiro palco teatral sertanejo, em que a palavra tem peso maior do que a arma.
O romance traz um novo acontecimento — um dos mais traumáticos —, que é o assassinato de Joca Ramiro por Hermógenes. O choque é absoluto. Essa morte marca uma virada decisiva na narrativa. A partir daí, estabelece-se o grande eixo da vingança contra aquilo que Riobaldo e os companheiros chamam de os “Judas”, o bando de Hermógenes. É como se esse passado se fechasse em círculo. Riobaldo encontra Joca Ramiro para, logo depois, perdê-lo. E essa perda organiza o movimento posterior da história.
O romance se encaminha para o trecho que Riobaldo havia interrompido lá atrás, quando falava do Arraial do Paredão. A metade final da narrativa será justamente a reconstrução de tudo o que o levou até ali. O romance mergulha num registro mais sombrio, denso, dominado pela lógica da vingança. Como observa Luiz Roncari, o sentido de “Grande Sertão: Veredas” é a descida às trevas. O mal deixa de ser apenas pensado e passa a ser vivido. Nesse mergulho, o pacto com o diabo se torna o grande símbolo, não apenas de uma escolha individual, mas de uma travessia sem retorno.
Agente civilizador
A morte de Medeiro Vaz representa, de fato, a ascensão de Zé Bebelo à condição de chefe. É um ponto de inflexão decisivo no romance. Ele é um personagem emblemático porque introduz a dimensão histórica no universo do livro. Estamos falando de um sertão situado ainda no tempo da Velha República, antes do processo de modernização conduzido a partir dos anos 1930, com Getúlio Vargas. Um mundo anterior à consolidação do Estado moderno, da racionalização administrativa e da imposição sistemática da lei.
Zé Bebelo surge justamente na figura de um agente do Estado. Ele é enviado ao sertão com a missão de se infiltrar naquele mundo para pôr fim à jagunçagem. Chega como representante da ordem legal, da civilização, promessa de modernização. É, nesse sentido, aquele que encarna a tentativa de submeter o sertão à lógica moderna, que Caio Prado Jr. descreveu como o esforço de superar o país “inorgânico”: uma sociedade regida por estruturas arcaicas, sem integração plena à ordem racional da lei e do Estado.
Mas o romance opera uma reviravolta decisiva. Em vez de transformar o sertão, Zé Bebelo acaba sendo transformado por ele. Aquele que chega para civilizar é absorvido pelo próprio sistema jagunço que pretendia destruir. Ele se torna chefe de bando e se incorpora ao bando. A tentativa de impor a lei moderna fracassa e o Estado, em vez de eliminar a jagunçagem, passa a operar segundo suas regras.
Esse movimento aparece já no início do livro, quando Riobaldo relata o reencontro com Zé Bebelo. Após o julgamento, Zé Bebelo não desaparece. Ele é resgatado, reincorporado, retorna à cena. E, com a morte de Medeiro Vaz, sua posição se consolida. Zé Bebelo comanda o início da grande vingança, e Riobaldo está ao seu lado. Ambos seguem juntos nesse processo que mistura justiça, revanche e reorganização do poder no sertão.
Pacto com o demo
A fase final do romance envolve o reencontro de Riobaldo com Zé Bebelo e inaugura o trecho mais duro e sombrio de “Grande Sertão: Veredas”. A narrativa entra, de fato, nas batalhas finais. As andanças pelo sertão passam a ter um tom mais grave, violento, como se o mundo narrado perdesse o resquício de estabilidade. O primeiro grande episódio dessa etapa é a passagem pela Fazenda dos Tucanos, um acontecimento decisivo.
Na Fazenda dos Tucanos, o grupo é atacado de forma inesperada. A narrativa assume um tom claramente fantasmagórico. A casa é cercada, os jagunços acuados, a sensação de espectros rondando o local. O episódio da chacina dos cavalos é de uma violência extrema e perturbadora. Trata-se de uma emboscada do bando de Hermógenes, e a descrição dessa cena está entre as mais assustadoras do livro e da literatura brasileira. Ali, Riobaldo reflete de maneira mais intensa sobre a chefia de Zé Bebelo. É um dos trechos mais modernos do romance, justamente por ter essa atmosfera de assombro e terror, em que o sertão parece tomado por forças invisíveis.
Essas andanças reforçam aquilo que João Adolfo Hansen observou com precisão: “Grande Sertão: Veredas” é uma mescla singular de drama e épico. O drama está na fala incessante de Riobaldo, nesse monólogo reflexivo dirigido ao interlocutor. O épico se manifesta na sucessão de ações, batalhas, travessias e episódios que estruturam a narrativa. A história avança por essas caminhadas, deslocamentos contínuos, que expõem diferentes faces do sertão.
Após o trauma da Fazenda dos Tucanos, vem o encontro com os catrumanos. O romance expõe a pobreza extrema, a doença, a degradação física e social do sertão. Mais adiante, o grupo encontra novamente doentes, corpos arruinados, figuras quase indistintas entre a vida e a morte. Se usarmos termos contemporâneos, é como se Riobaldo atravessasse um território povoado por seres vivos que já parecem mortos. O sertão apresentado aqui não tem nada de pitoresco ou romântico. É um espaço irreconhecível, brutal, em que a linguagem parece falhar diante do real.
Esses episódios preparam o caminho para o ponto-chave dessa parte final do romance. Um dos últimos lances é o pacto de Riobaldo com o diabo, realizado nas Veredas Mortas. Mais uma vez, a narrativa assume um tom fantasmático e irreal. O leitor entra na cabeça do personagem. A percepção se torna instável, e a realidade objetiva se dissolve. A grande indagação permanece: o que foi, afinal, esse pacto? O que ele representa?
A questão foi examinada com profundidade por Kathrin Rosenfield e por outros críticos que analisaram a tradição do pacto fáustico, presente em Goethe, Marlowe e Thomas Mann. No caso brasileiro, segundo Bolle, o pacto assume uma forma específica. Trata-se de um rito para se tornar chefe, assumir o comando, ascender socialmente num mundo regido pela violência. É um pacto para se tornar latifundiário, líder de bando, senhor de homens no sertão.
Depois do pacto, Riobaldo finalmente assume a chefia, algo que antes hesitava. Ele se fortalece e endurece. Segue-se uma longa meditação sobre o aprendizado da chefia — mais uma dessas reflexões densas que atravessam o romance. Tudo indica que Riobaldo está se preparando para o confronto final com Hermógenes, ao lado de Diadorim.
A formação do chefe passa por provas sucessivas, quase como testes iniciáticos. Após o pacto, o bando consegue finalmente atravessar o Liso do Sussuarão, o que antes parecia impossível. Supera-se, assim, o limite físico e simbólico do sertão. Em seguida, ocorre a captura da mulher de Hermógenes, o cerco à sua fazenda e a morte de Ricardão, outro chefe importante. A chefia de Riobaldo se completa. É então que ele chega ao Paredão, aquele episódio traumático que aparece no início do romance e interrompe abruptamente a narrativa. Agora o círculo se fecha. Tudo o que foi contado até aqui conduzia a esse ponto. O Paredão não é apenas um lugar: é o ápice da experiência de Riobaldo.
A perda irreparável
O Paredão é um espaço de espectros, fantasmas. Um território arruinado, deserto, onde já não parece existir vida. Nesse sentido, ele lembra a cidade de Comala, do romance “Pedro Páramo”, de Juan Rulfo. Um vilarejo de ruínas, no qual o real já não se sustenta sozinho e a narrativa opera numa chave espectral. Em “Grande Sertão: Veredas”, o irrealismo não serve para escapar do mundo, mas para dizer algo essencial sobre ele. A perspectiva de Riobaldo, nesse ponto, torna-se radicalmente sombria. Estamos nas trevas, num mundo em decomposição.
É no Paredão que há o encontro final com o bando de Hermógenes. Ali se consuma aquilo que Riobaldo entende como a grande derrota de sua vida. É também ali que ganha sentido pleno a frase que atravessa todo o romance — o “diabo no redemoinho, no meio da rua”. O diabo se materializa na figura de Hermógenes, a encarnação da violência absoluta, do mal sem mediação. Riobaldo, já pactário, fortalecido pelas vitórias recentes, sente-se finalmente apto a enfrentar esse inimigo.
O que ele não antecipa é que o duelo decisivo não será travado por ele. Diadorim enfrenta Hermógenes e morre. E, com essa morte, tudo desaba. O projeto de vida que Riobaldo nutria — inclusive a fantasia de uma vida comum ao lado de Diadorim, depois da guerra — se desfaz por completo. O romance chega, então, a uma frustração radical. O desfecho de Diadorim subverte a lógica do que Doris Sommer chamou de “romances fundacionais” do século 19, em que o encontro amoroso entre um homem e uma mulher sela simbolicamente a fundação de uma nação. Em “Grande Sertão: Veredas”, o encontro de almas não funda nada. Ele fracassa. O que resta é perda, luto e desamparo.
Apenas depois da morte de Diadorim é que Riobaldo descobre sua identidade. A revelação não traz alívio, mas aprofunda o abismo. O amor que ele viveu não se resolve nem como amizade, nem como paixão, nem como transgressão simples das normas de gênero. Diadorim era, para Riobaldo, um ser total: homem, mulher e algo além dessas categorias. Uma figura completa, impossível de ser reduzida. Ao longo do romance, Riobaldo projeta esse amor em imagens simbólicas (o pássaro manuelzinho-da-croa), em contraste com outras figuras recorrentes, como o cão, associado à errância, à jagunçagem, à submissão e à violência. Diadorim é harmonia, o cosmos.
O que resta a Riobaldo, no final das contas, é uma fazenda, a herança, a condição de proprietário de terras. O pacto, de certo modo, se cumpre. Ele ascende socialmente, torna-se senhor. Ao seu lado está Otacília, o amor possível, doméstico, sagrado. Ao longo do romance, três amores se organizam quase como um sistema simbólico: Otacília; Nhorinhá, o amor profano, ligado ao corpo; Diadorim, o amor absoluto, impossível de se realizar neste mundo.
A narrativa se encerra, então, numa grande meditação final. Riobaldo tenta compreender o que viveu e o que restou. Nesse trecho, revela-se a dimensão maior da obra. “Grande Sertão: Veredas” constrói um universo inteiro a partir de uma linguagem própria, profundamente enraizada no sertão mineiro, mas aberta a uma multiplicidade de tradições culturais, religiosas e filosóficas. O sertão de Guimarães Rosa é Minas Gerais, mas também poderia ser a Floresta Negra alemã.
Talvez por isso o romance funcione como uma espécie de máquina total, quase um algoritmo, capaz de processar histórias, vozes, crenças, mitologias e experiências. É uma obra de linguagem viva, não fixa, que se renova a cada leitura. Nesse sentido, ocupa um lugar singular na literatura brasileira do século 20, ao lado de poucas outras obras que mantêm essa potência infinita de releitura, como “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade. Um livro que não se fecha, jamais se estabiliza e nos interpela porque permanece em movimento.
Levantamento
aponta que o presidente Lula venceria todos os demais pré-candidatos em um
eventual segundo turno
247
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o senador Flávio
Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições, segundo resultados da
pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). O levantamento
simulou sete cenários eleitorais e apontou vantagem de Lula em todos os
confrontos testados. Os dados detalham as simulações realizadas pelo instituto,
incluindo disputas entre Lula e nomes ligados ao PL, PSD, Novo, DC e Missão. As
informações são da CNN Brasil.
Lula
x Flávio Bolsonaro: vantagem no segundo turno
No
cenário que coloca Lula frente a frente com Flávio Bolsonaro, o presidente
aparece com 43% das intenções de voto, enquanto o senador registra 38%.
Brancos, nulos e eleitores que afirmam não votar somam 17%, e 2% se declararam
indecisos.
Lula
lidera contra governadores e ex-ministro em simulações
Na
segunda simulação, Lula aparece com 43%, enquanto o governador do Paraná,
Ratinho Junior (PSD), marca 35%. Nesse cenário, 19% afirmaram que votariam em
branco, nulo ou não votariam, e 3% não souberam responder. No terceiro cenário,
Lula registra 42% contra 32% do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).
Brancos, nulos e não votantes somam 22%, e 4% se declararam indecisos.
Já
na simulação contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Lula marca
43% e Zema aparece com 32%. Nesse quadro, 21% indicaram voto branco ou nulo, ou
afirmaram que não votariam, enquanto 4% seguem indecisos.
No
cenário com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), Lula
aparece com 42%, enquanto Leite registra 28%. Brancos, nulos ou eleitores que
não pretendem votar somam 26%, e 4% não definiram posição.
Alta
taxa de votos brancos e nulos
A
pesquisa também testou Lula contra o ex-ministro Aldo Rebelo (DC). Nesse
cenário, o presidente aparece com 44% e Rebelo registra 25%. Brancos, nulos e
eleitores que não pretendem votar somam 27%, e 4% permanecem indecisos.
Na
última simulação, Lula também aparece com 44% contra 25% de Renan Santos
(Missão), coordenador do MBL. Brancos, nulos ou eleitores que afirmam não votar
somam 27%, e 4% não souberam responder.
Metodologia
da pesquisa
A
pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 5 e 9 de
fevereiro, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois
pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o
protocolo BR-00249/2026.
Lula e Flávio Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência
Brasil | Carlos Moura/Agência Senado).
247 - A nova rodada da pesquisa Quaest sobre a corrida
presidencial de 2026 indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
mantém a liderança em todos os cenários simulados para o primeiro turno. O
senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece de forma consistente na segunda
colocação, com variações que o mantêm próximo ao atual presidente.
O levantamento é o primeiro a não incluir o governador de
São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), entre os possíveis candidatos, e
também marca a estreia de Ronaldo Caiado (PSD) após sua filiação ao novo
partido.
Ao todo, foram testados sete cenários com até oito nomes.
Lula registra intenções de voto entre 35% e 39%, enquanto
Flávio Bolsonaro oscila de 29% a 33%.
A diferença entre os dois varia de quatro a oito pontos
percentuais, dependendo da composição da disputa. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, os números
indicam fortalecimento da candidatura do senador. “A consolidação da
candidatura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas aconteceu pela sua capacidade de
atrair o eleitor bolsonarista e o eleitor de direita não-bolsonarista. Seu
desafio ainda é atrair o eleitor independente, que define a eleição. Lula
continua muito forte entre lulistas e na esquerda e numericamente à frente
entre os independentes”, afirma.
Nunes também destacou a evolução recente do senador nas
simulações. “Desde que foi indicado pelo pai, em dezembro, Flávio cresceu oito
pontos no cenário que conta com Ratinho Jr., Aldo Rebelo e Renan Santos. Nesse
mesmo período, Lula oscilou dois pontos pra baixo e Ratinho saiu de 13% para
7%”, diz.
No primeiro cenário testado;
Lula aparece com 35%;
Flávio Bolsonaro com 29%;
Ratinho Júnior (PSD) soma 8%;
Romeu Zema (Novo) 4%;
Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC) têm 1% cada.
Indecisos são 7%, enquanto 15% declaram voto branco, nulo ou afirmam que não
votarão.
Em outro cenário;
Lula alcança 38%
Flávio contra 30%
Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada. Em
simulações com Eduardo Leite (PSD), o governador chega a até 4%, enquanto
Caiado atinge 4% nos cenários em que é incluído.
Nos três cenários comparáveis com levantamentos
anteriores — aqueles com a mesma combinação de candidatos — Flávio Bolsonaro
apresenta crescimento desde dezembro, enquanto Lula mantém estabilidade dentro
da margem de oscilação. Ratinho Júnior, por sua vez, registra queda nas
simulações em que aparece.
Rejeição elevada entre os líderes
Além das intenções de voto, a pesquisa mediu o índice de
rejeição dos principais nomes. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 55% dos
entrevistados, enquanto 54% afirmam que não votariam em Lula. Segundo Felipe
Nunes, “A análise da rejeição dos candidatos também sugere uma eleição bastante
competitiva”.
O senador apresentava 60% de rejeição em dezembro, quando
anunciou sua pré-candidatura. Já Lula mantinha 54% naquele momento, índice que
permanece estável.
Entre os demais nomes;
Ratinho Júnior registra 40% de rejeição;
Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, 35% cada;
Romeu Zema, 34%;
Aldo Rebelo, 26%; e Renan Santos, 19%.
Metodologia
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos.
Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 5 e 9 de
fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para
menos, com nível de confiança de 95%
Em mensagem ao Legislativo, governadora destaca legado administrativo e cita parcerias com o governo federal.
Com um balanço das principais
realizações em sete anos de mandato, a governadora Fátima Bezerra levou à
Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (10), a mensagem anual do Executivo,
uma tradição democrática que simboliza a cooperação entre os dois poderes.
Perante plenário e galerias
lotados, Fátima detalhou os dados mostrando a evolução dos indicadores
socioeconômicos no período 2019/2025. Lembrou que assumiu o comando do Estado
em um cenário de grave desorganização institucional, marcado por salários atrasados,
obras paradas e capacidade de investimento comprometida. O quadro, piorado pela
pandemia e agravado na pré-campanha eleitoral de 2022 pelo corte abrupto do
ICMS, causando prejuízo de R$ 100 bilhões aos Estados, disse ela, só começou a
mudar com a posse do presidente Lula em 2023.
“Atravessamos esse período com
coragem e firmeza, preservamos políticas essenciais como saúde e educação e
mantivemos o Estado funcionando, com investimentos e entregas reais à
população. Hoje, com serenidade, afirmo: o Rio Grande do Norte está melhor, mas
muito melhor, do que estava antes. E isso não é discurso, são fatos”, disse ela
ao enumerar, no decorrer da leitura da mensagem, obras e ações que elevaram o
RN no patamar do desenvolvimento, e exaltar as parcerias com o governo federal.
Uma delas parecia impossível
até bem pouco tempo: a duplicação da BR-304, iniciada em janeiro no trecho
Assu/Mossoró e com licitação aberta para o segundo trecho, entre Macaíba e
Riachuelo. Fátima citou também o Ramal do Apodi da transposição que levará águas
do São Francisco para o Oeste Potiguar.
Consideradas prioridades da
administração, BR-304 e transposição foram inseridas por ela no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC-3) pelos impactos positivos que elas representam
para a economia e para o enfrentamento à seca no sertão. “Assim como o
presidente Lula, eu conheço a seca de perto, pela experiência de vida e não
pelos livros de história. Guardo na memória os efeitos devastadores da falta de
água. E não era só a sede, mas a fome, a privação de direitos, a aflição
cotidiana. Por isso, a minha alegria é imensa e profundamente genuína ao
testemunhar a chegada definitiva e sustentável das águas do São Francisco em
Jardim de Piranhas. No RN, a água deixou de ser emergência e se tornou política
pública permanente.”
Com as obras do Ramal do Apodi
em fase de conclusão; inauguração de Oiticica, segunda maior barragem do
Estado; construção de grandes adutoras; perfuração de poços; recuperação de
açudes e instalação de cisternas na zona rural, o governo do RN criou uma infraestrutura
robusta de convivência com as secas, reforçou o secretário Paulo Varella.
Fátima Bezerra também
mencionou a recuperação de 1.400 quilômetros de estradas pavimentadas,
afirmando que a segunda etapa do Programa de Restauração de Rodovias Estaduais,
já em curso, vai deixar mais 665 quilômetros em condições ideais de
trafegabilidade.
“Recuperamos, pavimentamos e
já entregamos 1.400 quilômetros de rodovias. Temos mais 665 quilômetros com
obras em andamento. Chegaremos ao fim do ano com 2.100 quilômetros. Estamos
executando o maior programa de recuperação de rodovias da história do Rio
Grande do Norte.”
Desenvolvimento e empregos
Desde que o Caged – Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados – foi criado em 2020, a economia do Rio Grande do Norte gerou
123,9 mil novos postos de trabalho, ampliando para 551.947 o total de
trabalhadores celetistas. O RN é um dos poucos estados em que o número de
trabalhadores com carteira assinada supera o de famílias contempladas com o
Bolsa Família.
Instituído em 2019 para evitar
a fuga de empresas e estimular a geração de empregos, o Programa de Estímulo ao
Desenvolvimento Industrial (Proedi) tem um peso importante nessa estatística.
De acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as
empresas participantes empregam atualmente 55,9 mil pessoas.
Na mensagem, a governadora
observou que apesar do cenário econômico internacional desafiador, o RN superou
1 bilhão de dólares em exportações no ano passado, consequência do trabalho
realizado por sua equipe para superar os obstáculos criados pelo tarifaço do
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Políticas sociais
Ela também apresentou
indicadores das políticas sociais, educacionais e de proteção às pessoas, com
destaque para a segurança pública, que recebeu investimentos de mais de meio
bilhão de reais, usados na aquisição de novas viaturas e equipamentos, realização
de concursos, abertura de novas delegacias da mulher, construção da Cidade da
Polícia Civil e da sede da Polícia Científica. Como resultado, um RN mais
seguro. Reduzimos em mais de 60% os crimes violentos. Já se foi o tempo em que
o nosso estado aparecia entre os mais violentos do Brasil. Essa página foi
virada.”
Na educação, o Governo do
Estado ampliou e modernizou a rede estadual, garantindo 100% das escolas com
internet banda larga e investindo mais de R$ 300 milhões em tecnologia e
infraestrutura. As matrículas no ensino em tempo integral cresceram 227%, passando
de cerca de 10,5 mil para mais de 34 mil estudantes, além da expansão da
educação profissional e da implantação de 10 unidades do IERN. A gestão
priorizou a valorização dos profissionais, com reajuste acumulado de 98,25% no
magistério desde 2019, progressões de carreira, pagamento dos precatórios do
FUNDEF e novo PCCR para os servidores da educação.
Na Saúde, os avanços se
concentram no fortalecimento do SUS e na regionalização do atendimento, com
ampliação de leitos, aumento de cirurgias e novos investimentos em hospitais
estratégicos. Destacam-se a consolidação do Hospital da Mulher em Mossoró, referência
para 63 municípios, a retomada do Hospital Metropolitano de Parnamirim e a
modernização da rede hospitalar do Oeste e Alto Oeste, reforçando o compromisso
do Governo do RN com o acesso à saúde e a proteção da vida.
Foram investidos R$ 134
milhões na modernização da rede hospitalar do Oeste e Alto Oeste, incluindo a
primeira grande reforma do Hospital Regional Tarcísio Maia desde a década de
1980 e a transformação do Hospital de Pau dos Ferros em referência para o atendimento
a infartos e AVCs, ampliando leitos, cirurgias e a resolutividade da rede
pública de saúde em todo o estado.
Até junho deste ano, o governo
do Estado atingirá a meta de entregar 40 mil títulos de regularização
fundiária. Os beneficiados são milhares de marias, saletes, franciscos, josés
que residem em imóveis de conjuntos habitacionais construídos na segunda metade
do século passado pela antiga Companhia de Habitação Popular (Cohab/RN) e, mais
recentemente, por outras entidades ou programas como o Minha Casa Minha Vida.
“Chego a este momento com a
consciência tranquila de quem sempre pautou sua vida pública pelos princípios
da ética, da honestidade, do zelo e da seriedade no uso dos recursos e dos bens
públicos. Nunca me movi por projetos pessoais ou individuais. O que sempre me
guiou e continua a me guiar, é o interesse público”, finalizou.
DATAS IMPORTANTES
30/07/2021
Com orçamento de R$ quase 400
milhões, foi lançado o Programa Nova Escola Potiguar, que inclui, entre outras
ações, a construção de 12 unidades do Instituto Estadual de Educação
Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN), primeira de
uma série de ações governamentais para melhorar a educação pública do RN. Cinco
meses depois, a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
conquistava a tão esperada autonomia plena: administrativa, financeira e
acadêmica.
29/12/2022
Inauguração do Hospital da
Mulher Parteira Maria Correia, em Mossoró. No final de dezembro de 2024 foi
lançado o edital de licitação de outra obra importante na área da saúde: a
construção do Hospital Metropolitano, com 350 leitos. A nova unidade representa
uma mudança histórica na rede estadual de saúde, com foco na ortopedia e na
neurocirurgia.
03/05/2024
Assinatura das ordens de
serviço e início das obras da primeira etapa do programa de restauração de
rodovias estaduais, totalizando 800 quilômetros. A segunda etapa, em andamento,
terá 665 km.
19/03/2025
Inauguração da Barragem
Oiticica, segundo maior reservatório do Estado, com capacidade para armazenar
742 milhões de metros cúbicos de água.
13/08/2025
Chegada das águas da
transposição ao Rio Grande do Norte de forma planejada e em grande volume.
Entre agosto e dezembro, 80 milhões de metros cúbicos oriundos do São
Francisco, entraram pela Bacia Piranhas/Açu para reforçar o abastecimento.
15/11/2025
Início das obras da Adutora do
Agreste.
22/01/2026
Início da duplicação da BR-304
no trecho Assu/Mossoró, obra inserida pela governadora no Programa de
Aceleração do Crescimento como prioridade número 1 do RN.
Durante as diligências da Operação Mederi, a Polícia Federal apreendeu R$ 57,5 mil em espécie na casa do secretário de Allyson Almir Mariano. Conhecido em Mossoró por ser homem da confiança do prefeito, ele ocupa atualmente a pasta de Programas e Projetos e é ex-titular da Saúde. Ele é descrito pela PF como quem atuou
Durante as diligências da Operação Mederi, a Polícia Federal apreendeu R$ 57,5 mil em espécie na casa do secretário de Allyson Almir Mariano. Conhecido em Mossoró por ser homem da confiança do prefeito, ele ocupa atualmente a pasta de Programas e Projetos e é ex-titular da Saúde. Ele é descrito pela PF como quem atuou no nível intermediário da organização, servindo como o gerente administrativo que validava formalmente os contratos e pagamentos fraudulentos negociados pelo núcleo político e empresarial.
Maços de dinheiro foram encontrados em diferentes cômodos da casa dele em Mossoró. No primeiro quarto, a Polícia Federal se deparou com uma quantia que o investigado atribuiu à sua mãe.
O auto de apreensão descreve que no quarto e no closet de Almir Mariano, que estava com o namorado na hora da ação da PF, foram encontrados R$ 6,8 mil na mochila do namorado.
Distribuídos entre pertences, mochilas e gavetas, a PF achou mais R$ 50.700,00. No total foram 57.500,00 apreendidos na casa do secretário de Allyson.
Os agentes da PF também fizeram registro de seringas, ampolas, medicamentos e três veículos que estavam na casa de Almir Mariano, uma BMW X1, de propriedade do secretário; Uma Triton L-200, apontada como de propriedade do namorado de Almir e uma Mitsubishi L200 Triton, pertencente à Ufersa, da qual Almir é professor.
Carros em uso pelo secretário de Allyson Almir Mariano. A BMW é de sua propriedade. Já o Honda pertence à Ufersa, da qual é professor.
O Papel do Secretário de Allyson, segundo a PF
Almir Mariano é apontado pela PF como peça fundamental na engrenagem administrativa que permitiu a continuidade dos desvios de recursos na saúde de Mossoró.
As condutas e responsabilidades atribuídas a ele nos documentos da Operação Mederi são:
1. Continuidade do Esquema Criminoso (Sucessão na Fraude)
A investigação aponta que Almir assumiu a pasta, remanejado da secretaria de Programas e Projetos, em janeiro de 2025, quando o esquema já estava estruturado e garantiu a sua continuidade. Ele permaneceu à frente da saúde até agosto, quando Allyson o devolveu para a pasta originária.
Em seu lugar, o prefeito colocou no comando da pasta central das fraudes descritas pela PF Morgana Dantas, que estava na Assistência Social e que comandara durante todo o primeiro ano de gestão Allyson a saúde de Mossoró. Morgana também foi alvo da Operação Mederi. Via Blog do Dina
Apesar das chuvas, a cidade de São Gonçalo do Amarante já entra no clima da alegria e da tradição com a realização do Carnaval das Tradições 2026, com o tema “Galo na Folia”
O Centro do município vai virar uma grande e bonita festa com os blocos participantes e seus foliões. A partir de amanhã, dia 12 de fevereiro, Songa já entra no do Carnaval das Tradições, que vai promete movimentar a economia do Centro do município. Concentração às 17:00 em frente ao Teatro Municipal Poti Cavalcante, depois o cortejo desse a ladeira até o Centro ao som da Banda Detroit, que vai puxar o pranchão, garantindo animação, axé e muito frevo no pé. No centro terá Concurso do Rei Momo e da Rainha do Carnaval São-Gonçalense, orquestras de frevo, show de Kris Lima e Banda, cantor Leo Fera, que promete encerrar a prévia em grande estilo, com swing e animação.
O Carnaval das Tradições 2026 é uma realização da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Gonçalo do Amarante. Tem o apoio da Lei Câmara Cascudo, com incentivo da Secretaria Estadual de Cultura, Secretaria Estadual de Fazenda, da Fundação José Augusto e do Governo do Estado do Rio Grande do Norte.