segunda-feira, 11 de junho de 2018

INDÍGENAS Mortes recentes de índios isolados trazem à tona velhos traumas do contato

Jakarewyj, mulher awá, jaz gravemente doente em uma rede junto a sua irmã Amakaria, em abril de 2015, pouco depois do primeiro contato com a sociedade exterior.
Jakarewyj, mulher awá, jaz gravemente doente em uma rede junto a sua irmã Amakaria, em abril de 2015, pouco depois do primeiro contato com a sociedade exterior. SARAH SHENKER SURVIVAL INTERNATIONAL

Jakarewyj exalou o último suspiro em sua rede, em algum dia de 2017. Sua irmã Amakaria a encontrou inerte; não soube dizer quando havia partido. Com sua morte, essa mulher indígena Awá pôs fim a uma vida de luta durante a qual só pediu para que a deixassem viver isolada na Terra Indígena Caru, em plena Amazônia brasileira. Passou seus últimos dois anos como refém de gripe e da tuberculose, doenças respiratórias trazidas por madeireiros ilegais que extraem seus preciosos recursos naturais. Em outras partes do mundo essas doenças podem ser tratadas e curadas, mas para ela foram mortais porque seu sistema imunológico não estava preparado.
Restam no mundo mais de uma centena de povos indígenas que não têm contato regular ou pacífico com a sociedade não indígena ou dominante. Eles estão principalmente na Amazônia, no Chaco do Paraguai, nas Ilhas Andaman da Índia e na Papua ocidental. “Não sabemos muito sobre eles, porque estão isolados, mas sabemos que dependem completamente de suas terras para sobreviver”, diz a pesquisadora Sarah Shenker, da Survival International. A organização representa e defende os direitos dos povos indígenas e tem simpatizantes em mais de 100 países. Shenker está imersa agora na campanha global Deixe-os Viver, que conscientiza sobre a importância de deixar isolado quem o deseja e proteger suas terras de ameaças do exterior.
Como Jakarewyj. Essa mulher, que ao morrer rondava os 50 anos, era uma das poucas 100 indígenas Awá não contatadas que ainda restam no planeta. Seu exemplo é o mais recente –não o único– das consequências de forçar essas populações a entrar em contato com o mundo exterior.
Jakarewyj viveu durante muitos anos com a irmã Amakaria e o filho, Irahoa, como caçadoras-coletoras nômades. “Até que adoeceram e foram obrigadas a se aproximar dos Awá contatados, que moram em residências fixas”. Em 2015 Shenker visitou a comunidade, apenas dois meses depois da chegada dessa família, e encontrou as duas mulheres prostradas em suas redes, muito magras e debilitadas, incapazes de falar ou se mover. “Foi horrível, eu não sou médica, mas era óbvio que estavam morrendo. Tirei uma foto delas para mostrar ao mundo o que acontece depois do primeiro contato e para pressionar o Governo a fazer algo rápido”.

Um povo à beira da extinção

Os índios não contatados são os mais vulneráveis do mundo, mas a Survival estima que os Awá estejam na situação mais delicada neste momento. Uma das principais ameaças é a perda de seu território devido ao desmatamento, pois o tráfego ilegal de madeira está na ordem do dia. “Teoricamente não é permitido e há multas e prisão, mas na prática nestas áreas os madeireiros gozam de impunidade, porque sabem que podem continuar trabalhando e que o pior que lhes pode acontecer é serem parados e terem de pagar uma pequena multa”, diz Shenker.
Mas eles não são os únicos: as empresas petrolíferas que querem explorar o território dos povos nativos e a construção de infraestruturas têm impactos devastadores. “Chamamos isso de efeito espinha de peixe: você constrói uma estrada e de ambos os lados surgem outras que vão entrando ilegalmente no território, com pessoas que constroem suas casas, seus cultivos, seus negócios...”, explica a pesquisadora. Os traficantes de drogas e até os missionários também são um problema para essas minorias.
Nos últimos tempos, a situação política do Brasil é um motivo a mais de preocupação. A Constituição de 1988 garante aos indígenas uma estrutura jurídica e política própria, além do direito às terras que tradicionalmente ocupam. Mas sempre houve pressões sobre elas porque são as de maior biodiversidade do mundo –“eles sabem cuidar muito bem delas, são os melhores guardiães porque estamos falando de seu lar”, observa Shenker– e seus recursos, os mais cobiçados. Agora a pressão é maior porque mais de 50% do Congresso brasileiro é formado por políticos anti-indígenas. “Querem estimular grandes projetos do agronegócio que afetam quantidades enormes de terras. Esses políticos estão tentando mudar a Constituição para que seja mais fácil abrir as terras indígenas a essa exploração. Isso poderia aniquilar povos inteiros”, resume a pesquisadora.
Todas essas ameaças levam ao fim do isolamento dessas minorias, com consequências nefastas. “Mais de 50% podem morrer pouco tempo depois de um primeiro contato por causa de doenças como a gripe ou o sarampo, contra as quais não têm imunidade”, diz a pesquisadora. Também pela violência exercida pelos invasores, porque os veem como um obstáculo e não os querem ali. “Aproximam-se para ver se os matam ou então os ameaçam”. Quando isso acontece, são os próprios indígenas que às vezes fazem contato porque temem por sua vida. Há poucos casos em que decidem integrar-se a uma sociedade industrializada. “Se for voluntário, está bem, não somos contra, lutamos para que eles possam decidir. É seu direito legal e moral, seu direito à autodeterminação.” E ainda assim, continua sendo perigoso para suas vidas. “O Governo deveria ter um plano de ação para poder mandar rapidamente equipes de saúde, mas isso não está acontecendo”, lamenta Shenker.
O caso das irmãs awás representou um grande alívio naquele momento, porque foram salvas. As fotos que Shenker tirou deram a volta ao mundo e centenas de milhares de simpatizantes enviaram emails urgentes às autoridades. O Governo mandou equipes de saúde para atendê-las, mas não puderam porque as encontraram quase mortas, por isso tiveram de transferi-las de helicóptero para a capital, a cidade de São Luis. “Imagine mulheres que nunca tinham conhecido outra forma de vida além da floresta, não tinham visitado uma cidade... O que isso significou para elas”, reflete a ativista. Permaneceram três meses em um hospital, em estado muito grave. Para Shenker foi quase um milagre terem se recuperado.
Imagem aérea da Terra Indígena Arariboia, na Amazônia brasileira. Essa floresta, lar da tribo Awá, é uma ilha verde no meio de um mar de desmatamento.
Imagem aérea da Terra Indígena Arariboia, na Amazônia brasileira. Essa floresta, lar da tribo Awá, é uma ilha verde no meio de um mar de desmatamento. SURVIVAL INTERNATIONAL
Quando voltaram a Caru, Jakarewyj e Amakaria decidiram regressar à floresta e as suas vidas nômades encobrindo seu rastro porque não queriam que outros awás as seguissem. Só Irahoa ficou na comunidade porque se casou. “É um exemplo muito claro da determinação dos indígenas isolados: vemos muitos exemplos de que não querem o contato: apontam com suas flechas para cima quando há aviões passando, deixam flechas cruzadas nas trilhas da selva...”descreve Shenker.

Sociedade isolada versus sociedade industrializada

Em um momento em que a maioria dos países se comprometeu a cumprir a Agenda 2030 de desenvolvimento, que inclui objetivos como reduzir a mortalidade materna ou conseguir o acesso universal a atendimento de saúde e à educação, pensar em que deve ser aberta uma exceção pode parecer sem sentido. De fato, até 1987 a política no Brasil era a de contatar as minorias para “pacificá-las” e disso estavam encarregados profissionais especializados da Fundação Nacional do Índio (Funai). Mas foram tantas as mortes que essa estratégia deu uma guinada de 180 graus. Um dos mais firmes defensores da mudança é Sidney Possuelo, que como membro da Funai organizou numerosas expedições durante 40 anos e foi testemunha de tantas tragédias que, no final, se deu conta de que o mundo externo não era benéfico para eles. “Acreditava que seria possível fazer isso sem dor ou mortes e organizei uma das frentes mais bem equipadas que a Funai teve até hoje. Preparei tudo (...). Pensei: 'Não deixarem que nem um só índio morra’. E houve o contato, as doenças chegaram e os índios morreram”, relatou em um livro.
“Levar um remédio ou dotá-los de educação formal não os ajuda se não vão aproveitar isso porque morreram. Por outro lado, é um argumento arrogante porque dá como certo que os não índios sabem melhor como eles deveriam viver”, protesta a pesquisadora. “Mas eles têm seu modo, seus remédios e sua forma de educar as crianças naquilo que vão precisar dos adultos: aprendem a caçar, a pescar a interpretar os sinais do tempo... Aprendem as histórias orais de seus povos”, argumenta. “Estamos em 2018 e eles continuam resistindo, apesar de tudo, esse é o argumento mais revelador.”
Esta história não tem um final feliz. Quando Shenker regressou no ano passado para visitar os awás, encontrou somente uma delas. Amakaria contou que sua irmã voltou a ficar doente e passava todo o tempo em sua rede, deitada, enquanto ela buscava alimento para as duas. Um dia, quando tentava caçar um jacaré, escutou um tiro. “Um grupo de homens, madeireiros certamente porque são os únicos não-índios da região, se aproximou da rede e um deles disparou no peito de Jakarewyi achando que estava dormindo”, relata a pesquisadora, com pesar. Para a Survival parece provável que a mulher estivesse morta havia algum tempo e que tenha morrido por causa das doenças contraídas no passado, “mas a crueldade dos invasores fica estampada nesse disparo no corpo sem vida dessa mulher prostrada”, comunicou na época a entidade.
“Depois da morte da irmã, Amakaria vagou sem rumo durante semanas ou meses pela selva, sem saber o que fazer e muito triste”, afirma Shenker. Agora, a mulher vive na comunidade com outros awás como ela porque não quer ficar sozinha”. E agora também sua história e a de sua irmã devem de novo dar a volta ao mundo para que a sociedade entenda por que é preciso respeitar o modo de vida das minorias isoladas. Palavra de awá.
Quatro homens Guajajara membros dos Guardiões da Amazônia.ampliar foto
Quatro homens Guajajara membros dos Guardiões da Amazônia. SURVIVAL INTERNATIONAL

A guarda indígena

Ao awás que vivem na floresta de Arariboia, uma ilha verde em um mar de desmatamento, compartilham o território com outro povo indígena recém-contatado: os guajajara. São 13.000 pessoas que vivem em comunidades e decidiram formar grupos de homens autodenominados Guardiães da Amazônia, coma missão de patrulhar sua terra, procurar os madeireiros e prendê-los. “Tomam seus caminhões cheios de madeira ilegal e as motosserras. Às vezes os queimam...”, relata a pesquisadora Sarah Shenker, da Survival International.
Os guardiães fazem esse trabalho de proteção da Amazônia para sua terra, para suas famílias e para os awás isolados. “É um trabalho muito interessante e inspirador porque não deveria ser sua responsabilidade. O Governo do Brasil é responsável, segundo a lei brasileira e a lei internacional, pela proteção dessas terra, mas não o faz.” No entanto, quem faz esse trabalho enfrente grandes perigos: três deles foram assassinados em 2016, recebem frequentes ameaças de morte e suas casas foram queimadas em mais de uma ocasião. “Mas dizem que não vão desistir, por eles e pelos awás, pois consideram que estão sofrendo um genocídio”, conta Shenker.
Quando uma comunidade indígena é forçada a se integrar à sociedade nacional, muitos deles terminam doentes, como Jakarewyi e sua irmã. Podem sofrer desnutrição e diabetes ao mudar sua dieta de uma natural baseada em caça, pesca, fruta e mel, ao passar a viver da ajuda humanitária do Governo consomem arroz, açúcar e outros alimentos não tão saudáveis para eles. Ao sair de seu entorno também perdem sua identidade e isso os confunde, os deprime e os leva ao alcoolismo e suicídio. “Vemos taxas muito altas entre os índios cujas terras foram roubadas, como os guaranis”, resume Shenker. https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/31/internacional/1527759451_177381.html

Lula é lançado pré-candidato à Presidência da República em Minas Gerais

Foto: Ricardo Stuckert

Em uma noite marcada pela emoção e também pela ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há dois meses , o PT se uniu em Minas Gerais para lançar a pré-candidatura de Lula ao seu terceiro mandato como presidente da República.

Em carta enviada ao povo brasileiro, lida pela presidenta eleita Dilma Rousseff, Lula se fez presente e cravou: “sou candidato para acabar com o sofrimento do povo”.  O ex-presidente afirmou ainda que sabe seu lugar na história e que sabe “qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem". "Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade”, afirmou. 

A presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, reafirmou o direito de Lula ser candidato e que para o partido não existe plano B. “Nós teimamos e teimamos muito. Por isso Lula será o nosso candidato porque é inocente e se é inocente ele tem o direito. E mais do que isso: ele é o preferido do povo brasileiro. Nós podemos registrá-lo e vamos fazer sua campanha”. 

Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, que visitou recentemente o ex-presidente, relembrou Paulo Freire para afirmar que “a maior vitória dos opressores é quando os oprimidos aceitam a opressão”. "Não há como aceitar a prisão política de Lula. Querem que a gente aceite a inviabilidade, mas nós vamos construir a viabilidade de Lula“, ressaltou. 

O governador anfitrião, Fernando Pimentel, disse que Minas tem sido uma trincheira democrática da luta pela liberdade de Lula e que quer marcar um encontro com o ex-presidente no dia 1º de janeiro de 2019 "em sua posse, em Brasília".

A voz de Lula

A estudante baiana, Tamiles Messias, fez o discurso final dessa noite histórica que clamou pelo direito de votar em Lula, o primeiro em todas as pesquisas. 

Tamiles emocionou a todos com sua história. “Eu trabalhei como empregada doméstica, manicure, babá, mas nesse período não deixei de estudar. E no governo Lula eu senti que poderia ser o que eu quisesse, estudar o que quisesse. Passei em quarto lugar em licenciatura em química. Estava estudando a genética do cacau, o fruto que sempre colocou comida na minha mesa e isso ninguém tira de nós. Se não fosse as cotas eu não estaria em uma universidade. O Partido dos Trabalhadores é o único que cabe nosso sonho, é o único que incluiu negros e negras, que reconstruiu esse país. Se em 2012 a gente venceu o medo, em 2018 venceremos a mentira. Nada vai apagar nossa estrela, nada vai aprisionar a vontade de um povo, nossos sonhos são livres. Eu sou Lula.”

Atenção Estudantes: Lista de vagas do Sisu está disponível; inscrições começam amanhã

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Os estudantes que querem concorrer a um lugar no ensino superior em instituições públicas podem consultar as vagas disponíveis no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). É possível fazer consultas por curso, por instituição de ensino e por município. As inscrições para o segundo semestre começam amanhã (12) e vão até o dia 15.

Neste processo seletivo, o Sisu vai oferecer 57.271 vagas em 68 instituições públicas de ensino superior, segundo o Ministério da Educação.

Pode concorrer às vagas quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2017 e obteve nota acima de zero em redação. Todo o processo de inscrição é feito exclusivamente pela internet, na página do Sisu.

Ao ingressar no sistema, o candidato deverá escolher, por ordem de preferência, até duas opções de curso entre as vagas ofertadas. É possível alterar essas opções durante todo o período de inscrição. A última modificação confirmada é a considerada válida.

As vagas serão oferecidas em oito instituições públicas estaduais, uma faculdade pública municipal e 59 instituições públicas federais, com dois centros de educação tecnológica, 27 institutos federais de educação, ciência e tecnologia e 30 universidades.

O resultado da chamada regular está previsto para o dia 18 de junho. O período de matrícula vai de 22 até 28 de junho e o prazo para participar da lista de espera é de 22 a 27 de junho. Via http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2018-06/lista-de-vagas-do-sisu-esta-disponivel-inscricoes-comecam-amanha

Convite da Senadora Fátima Bezerra para Audiência Pública "Forro Patrimônio Imaterial"


Onde e quando será? 

Na próximo na quinta-feira, dia 14, na Assembleia Legislativa, às 14h00. para à Senadora Fátima (PT), o reconhecimento e registro garantirá a valorização dos forrozeiros, das festas juninas e do turismo, principalmente na região do Nordeste. "O forró é uma das expressões populares mais expressiva da população brasileira. É importante preservar essa a memória".

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Presidenta do PT Gleisi Lula Hoffmann, diz que demissão de Pedro Parente não basta


Não basta trocar o entreguista Pedro Parente na presidência da Petrobras. Tem de mudar sua política de preços para os combustíveis e a ofensiva privatista na empresa e na entrega do pré-sal. Tem de recuperar a Petrobrás para o Brasil e para os brasileiros


Jornal GGN - A presidente nacional do PT e senadora Gleisi Hoffmann usou o Twitter, na tarde desta sexta (1º), para se manifestar sobre o pedido de demissão de Pedro Parente do comando da Petrobras. Segundo a petista, não basta a queda do executivo, após a greve dos caminhoneiros e paralisação dos petroleiros. É preciso mudar a política de preços da estatal de petróleo e acabar com a "ofensiva entreguista". Por https://jornalggn.com.br/noticia/presidente-do-pt-diz-que-demissao-de-pedro-parente-nao-basta

PETROLEIROS COMEMORAM QUEDA DE PEDRO PARENTE; VEJA VÍDEOS




Na porta da Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG)

Para reduzir diesel, Temer corta na saúde e na educação

Para cumprir com o acordo feito com caminhoneiros e compensar o subsídio de R$ 9,6 bilhões à redução do preço do diesel e a redução de tributos incidentes sobre o combustível, o governo do golpista Michel Temer adotou uma estratégia de elevar a arrecadação de impostos de exportadores, indústria de refrigerantes e indústria química. Para fechar o pacote, vai diminuir recursos de programas ligados às áreas de saúde e educação.
Foram cancelados programas como o de aprimoramento do Sistema Único de Saúde (SUS), bolsas para universidades, saneamento básico especialmente em comunidades ribeirinhas e moradia popular, além do policiamento ostensivo em rodovias federais.
A Medida Provisória (MP) nº 838, que cria o programa de subvenção econômica à comercialização do óleo diesel, foi publicada nesta quinta-feira (31), em edição extra do Diário Ofical da União. O objetivo é reduzir o preço do combustível nas refinarias em 46 centavos por litro.
Com a publicação da MP, fica clara a incapacidade de Temer de resolver a crise, como já denunciado pelos parlamentares petistas nota técnica do Dieese. 
Para o líder do  PT no Senado Lindbergh Farias, a MP é absurda e revoltante. “É um absurdo tiraram recursos públicos em benefício a acionistas da Petrobras.”
“Temer acaba de anunciar corte de 205 milhões da educação e 179 milhões da saúde para compensar redução do diesel. Nossa proposta era aumentar imposto para os bancos e petroleiras. Temer e Parente também não mexeram na política de preços da Petrobrás que beneficia grandes acionistas”, afirmou.
“Para dar conta do compromisso assumido com os caminhoneiros, Temer estabelece corte em programas sociais. Ou seja, mais uma vez, Temer escolhe tirar de quem mais precisa, como as políticas voltadas aos jovens, as de combate à violência contra as mulheres e SUS”, manifestou-se o deputado federal  Wadih Damous.
Já a deputada  Ana Perugini, alertou que o desconto que se verá nas bombas é mera ilusão, já que a conta será paga pelos mais pobres. “Subsídio para redução sairá dos postos de saúde, dos hospitais e das escolas públicas. Ou seja, Michel Temer, Pedro Parente e sua turma seguem com sua política antipobre, penalizando os trabalhadores e as trabalhadoras do nosso país.”
Os setores e programas que tiveram recursos cancelados são:
  • Gestão de Políticas Públicas de Juventude
  • Simplificação e Integração dos Serviços Públicos (Bem Mais Simples)
  • Políticas de Igualdade e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
  • Fomento à Produção Pesqueira e Aquícola
  • Funcionamento dos Terminais Pesqueiros Públicos de Propriedade e Administração da União
  • Assistência Técnica e Extensão Rural para  Agricultura Familiar
  • Desenvolvimento de Assentamentos Rurais
  • Promoção da Educação do Campo
  • Obtenção de Imóveis Rurais para Criação de Assentamentos da Reforma Agrária
  • Implementação da Defesa Agropecuária
  • Fortalecimento do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa)
  • Assistência Técnica e Extensão Rural para o Produtor Rural
  • Apoio ao Desenvolvimento de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono – ABC
  • Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias para a Agropecuária
  • Desenvolvimento do Abastecimento Agroalimentar
  • Equalização de Taxa de Juros em Financiamento à Inovação Tecnológica (Lei nº 10.332, de 2001)
  • Investimento em Empresas Inovadoras
  • Construção do Edifício-Sede do Ministério da Fazenda em Salvador– BA
  • Construção de Edifício-Sede de Unidades do Ministério da Fazenda em Manaus – AM
  • Concessão de bolsas no âmbito do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies)
  • Promoção e Gestão do Comércio Exterior
  • Construção de Infraestrutura nas Unidades Descentralizadas da Suframa
  • Policiamento Ostensivo nas Rodovias e Estradas Federais
  • Construção do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal no Distrito Federal
  • Construção da Delegacia de Juiz de Fora/MG
  • Demarcação e Fiscalização de Terras Indígenas e Proteção dos Povos Indígenas Isolados
  • Defesa de Direitos Difusos
  • Força Nacional de Segurança Pública
  • Política Pública sobre Drogas
  • Redes de Cuidados e Reinserção Social de Pessoas e Famílias que Têm Problemas com Álcool e Outras Drogas
  • Levantamentos Geológicos Marinhos
  • Serviços Consulares e de Assistência a Brasileiros no Exterior
  • Promoção Comercial e de Investimentos
  • Concessão de Bolsas de Estudo a Alunos Estrangeiros, no Sistema Educacional Brasileiro
  • Indenizações a Servidores Civis e Militares em Serviço no Exterior
  • Fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS)
  • Transporte Aquaviário – Dragagem de Adequação da Navegabilidade em Portos / Melhoramentos no Canal de Navegação da Hidrovia do Rio Tocantins / Construção de Terminais Fluviais na Região Norte
  • Transporte Terrestre – Construção, manutenção e adequação de 40 estradas
  • Aviação Civil – Regulação e Fiscalização / Formação e Capacitação de Profissionais da Aviação Civil
  • Construção, Reforma e Reaparelhamento de Aeroportos e Aeródromos de Interesse Regional
  • Promoção do Trabalho Decente e Economia Solidária
  • Democracia e Aperfeiçoamento da Gestão Pública
  • Simplificação da Vida da Empresa e do Cidadão: Bem Mais Simples Brasil
  • Esporte, Cidadania e Desenvolvimento
  • Saneamento Básico – Construção e adequação de sistemas de abastecimento de água em comunidades ribeirinhas / Construção e adequação de sistemas públicos de esgotamento sanitário em comunidades ribeirinhas
  • Previdência Social – Educação Previdenciária e Financeira / Serviço de Processamento de Dados de Benefícios Previdenciários e Gestão da Informação Corporativa na Previdência Social
  • Moradia Digna – Apoio à Produção ou Melhoria Habitacional de Interesse Social

Veja a manifestação do senador Lindbergh

Da Redação da Agência PT de Notícias

CAI PEDRO PARENTE, O CORAÇÃO DO GOLPE

pedro parente

Pedro Parente: "me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue"

São Paulo – O presidente da Petrobras, Pedro Parente, deixou o comando da empresa nesta sexta-feira (1º), exatamente dois anos após sua posse em 2016. A Petrobras informou que o conselho de administração da empresa vai se reunir ainda hoje para nomear um presidente interino.

O desligamento vem após inúmeras críticas vindas de diversos setores da sociedade em relação à política de preços da Petrobras, principal causa da greve dos caminhoneiros que causou crise de abastecimento em todo o país. Na quarta-feira (3), manifestações pediam a redução dos preços dos combustíveis e a saída de Parente. Petroleiros também realizaram greve de advertência exigindo sua exoneração. 

Leia abaixo a carta de demissão de Parente enviada a Michel Temer:

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

Quando Vossa Excelência me estendeu o honroso convite para ser presidente da Petrobras, conversamos longamente sobre a minha visão de como poderia trabalhar para recuperar a empresa, que passava por graves dificuldades, sem aportes de capital do Tesouro, que na ocasião se mencionava ser indispensável e da ordem de dezenas de bilhões de reais. Vossa Excelência concordou inteiramente com a minha visão e me concedeu a autonomia necessária para levar a cabo tão difícil missão.

Durante o período em que fui presidente da empresa, contei com o pleno apoio de seu Conselho. A trajetória da Petrobras nesse período foi acompanhada de perto pela imprensa, pela opinião pública, e por seus investidores e acionistas. Os resultados obtidos revelam o acerto do conjunto das medidas que adotamos, que vão muito além da política de preços.

Faço um julgamento sereno de meu desempenho, e me sinto autorizado a dizer que o que prometi, foi entregue, graças ao trabalho abnegado de um time de executivos, gerentes e o apoio de uma grande parte da força de trabalho da empresa, sempre, repito, com o decidido apoio de seu Conselho.

A Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos, como demonstrado pelo último resultado divulgado, dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura, gerando empregos e riqueza para o nosso país. E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas.

A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do País desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no País. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel.

Tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu. Está claro, Sr. Presidente, que novas discussões serão necessárias. E, diante deste quadro fica claro que a minha permanência na presidencia da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente. Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas.

Sendo assim, por meio desta carta, apresento meu pedido de demissão do cargo de Presidente da Petrobras, em caráter irrevogável e irretratável. Coloco-me à disposição para fazer a transição pelo período necessário para aquele que vier a me substituir.

Vossa Excelência tem sido impecável na visão de gestão profissional da Petrobras. Permita-me, Sr. Presidente, registrar a minha sugestão de que, para continuar com essa histórica contribuição para a empresa — que foi nesse período gerida sem qualquer interferência política — Vossa Excelência se apoie nas regras corporativas, que tanto foram aperfeiçoadas nesses dois anos, e na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobras.

A poucos brasileiros foi dada a honra de presidir a Petrobras. Tenho plena consciência disso e sou muito grato a que, por um período de dois anos, essa honra única me tenha sido conferida por Vossa Excelência.

Quero finalmente registrar o meu agradecimento ao Conselho de Administração, meus colegas da Diretoria Executiva, minha equipe de apoio direto, os demais gestores da empresa e toda força de trabalho que fazem a Petrobras ser a grande empresa que é, orgulho de todos os brasileiros.

Respeitosamente,

Pedro Parente. Por http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2018/06/pedro-parente-pede-demissao-da-presidencia-da-petrobras

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