quinta-feira, 18 de outubro de 2018

CAMPANHA SUJA Empresários bancam campanha criminosa contra o PT pelo WhatsApp

Bolsonaro
Milhares de mensagens contra o PT estariam sendo planejados para beneficiar Bolsonaro no segundo turno

São Paulo – Empresários estão investindo milhões para fazer disparos de mensagens em massa pelo Whatsapp contra o PT e o seu candidato a presidente Fernando Haddad. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira (18), cada contrato de "pacote de mensagens" pode chegar a até R$ 12 milhões. A rede de lojas Havan, de Luciano Hang, está entre as empresas compradoras, segundo a reportagem. A prática é considerada ilegal por se tratar de doação empresarial de recursos, proibida pela legislação eleitoral. 

A operação envolve o envio de centenas de milhares de mensagens pelo Whatsapp e estaria sendo arquitetada para a semana que antecede a votação do segundo turno das eleições, no próximo dia 28. A Polícia Federal foi acionada, nesta quarta, pela coligação O Povo Feliz de Novo, para que investigue as denúncias de irregularidades associadas as fake news, doações não declaradas do exterior, propaganda eleitoral irregular e uso indevido do aplicativo WhatsApp. 

As mensagens contra Haddad e a favor do candidato Jair Bolsonaro (PSL) são enviadas a partir de uma base de dados dos apoiadores do capitão reformado ou compradas de agências de marketing digital, o que também é considerado ilegal, pois a legislação proíbe a venda de dados de terceiros. Segundo a reportagem, o preço de cada mensagem pode variar entre R$ 0,08 a R$ 0,12 quando utilizada a base de apoiadores de Bolsonaro e até R$ 0,40 quando utiliza a base das próprias prestadoras.

Mineradoras, agronegócio, armas e 'indústria da fé' bancam Bolsonaro
Estas listas de contatos também teriam sido adquiridas de maneira ilegal por meio de empresas de cobrança ou por funcionários de empresas de telefonia. Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market estão entre as agências que estariam prestando o serviço ilegal. A Quickmobile nega envolvimento e a Yacows afirmou que não vai se manifestar. Já a SMS Market não respondeu aos questionamentos da reportagem. O empresário Luciano Hang também nega participação.

Já o candidato Jair Bolsonaro pagou R$ 115 mil à agência AM4 Brasil Inteligência Digital, segundo prestação de contas fornecida ao Tribunal Superior Eleitoral. À Folha, a empresa oficialmente nega fazer a prática de disparo em massa de mensagens, e diz atuar com grupos de WhatsApp apenas para denunciar notícias falsas – as chamadas fake news –, além de "listas de transmissão e grupos estaduais chamados comitês de conteúdo".

A reportagem, contudo, apurou que a AM4 Brasil utiliza ferramenta que fornece números de telefones de fora do país, utilizados como administradores para assim escaparem de filtros e limitações locais impostos pelo WhatsApp, assim podendo incluir grupos com o maior número de participantes, bem como o repasse automático de mensagens para mais grupos e pessoas. A empresa ainda utilizaria algorítimos para diferenciar os usuários de cada grupo, classificando-os como apoiadores, neutros ou opositores, para personalizar o tipo de mensagem enviada. Via https://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2018/empresarios-bancam-campanha-criminosa-contra-o-pt-pelo-whatsapp

Polícia Civil investiga mensagens sobre supostas ameaças a eleitores contrários a Bolsonaro no RN

Ministério Público Eleitoral diz que, a depender das investigações, o caso poderá ser tratado como crime eleitoral ou propaganda falsa. Coordenação do PSL pede que mensagens sejam descartadas.


Mensagens com ameaças se espalharam pelas redes sociais  — Foto: Reprodução
Mensagens com ameaças se espalharam pelas redes sociais — Foto: Reprodução

A Polícia Civil e o Ministério Público Eleitoral do Rio Grande do Norte estão apurando a origem e a veracidade de mensagens de um suposto grupo de WhatsApp intitulado "Opressores RN 17", nas quais são relatadas ameaças alegadamente feitas a eleitores de Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência da República.

No grupo, também são feitas promessas de estupro, morte e outros tipos de violência contra esses eleitores após o 2º turno, em 28 de outubro.

Em nota, a coordenação geral do PSL no Rio Grande do Norte disse que considera o grupo falso e que as mensagens devem ser descartadas para que não venham a confundir o eleitor com relação ao Programa do Governo Bolsonaro, “direcionado, acima de tudo, para os bons costumes de toda a sociedade brasileira”.

As postagens vêm se espalhando nas redes sociais desde o início da semana. O G1 teve acesso a algumas delas. Em uma das mensagens, datada do dia 8 de outubro – portanto um dia após a votação em primeiro turno – um dos participantes diz: “Tudo como planejado. Fiz uns comuna se mijarem ontem rsrs”. E outro responde: “Fui em umas cinco zonas no interior apontando minha Taurus na cara desses fdp e avisei se não votar 17 passo ferro kk”.

Em mais um trecho das mensagens, participante do suposto grupo diz ter ameaçado eleitores   — Foto: Reprodução
Em mais um trecho das mensagens, participante do suposto grupo diz ter ameaçado eleitores — Foto: Reprodução

Por fim, um dos participantes ainda ressalta que o grupo só está recebendo ajuda de quem tiver arma  — Foto: Reprodução
Por fim, um dos participantes ainda ressalta que o grupo só está recebendo ajuda de quem tiver arma — Foto: Reprodução

Nesta quarta (17), o Ministério Público Eleitoral divulgou que instaurou um procedimento para analisar as denúncias e disse que, a depender das investigações, o caso poderá ser tratado como crime eleitoral ou propaganda falsa.

Já a Delegacia Geral da Polícia Civil, informou que designou, em caráter especial, o delegado Anderson Tebalde, do Núcleo Especializado em Investigação Criminal (NEIC), para conduzir o caso.

Abaixo, leia a íntegra das notas divulgadas pelo Ministério Público Eleitoral e Polícia Civil do RN.

MPE
O Ministério Público Eleitoral instaurou um procedimento para analisar as denúncias quanto ao suposto grupo de whatsapp “Opressores RN 17”, no qual teriam sido feitas ameaças de morte, estupro e outros tipos de violência a eleitores contrários, através da possível organização de um grupo armado.

Após analisar os indícios de veracidade, ou não, do diálogo mantido na rede social, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá decidir sobre a remessa do caso ao promotor eleitoral competente, se for o caso de apuração de possível crime do artigo 301 do Código Eleitoral (Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos).

Por outro lado, na hipótese de se tratar de propaganda falsa (grupo fake), com intuito de promover publicidade negativa de candidato, o procedimento será encaminhado para algum dos procuradores auxiliares eleitorais.

Polícia Civil
A Polícia Civil investiga a origem de mensagens trocadas por membros de um grupo no aplicativo What's App, em que eleitores planejam e fazem apologia a atos de violência contra eleitores do candidato adversário. Logo após tomar conhecimento do caso, a Delegacia Geral da Polícia Civil (DEGEPOL) designou, em caráter especial, o delegado Anderson Tebalde do Núcleo Especializado em Investigação Criminal (NEIC) para conduzir o caso. A Polícia aguarda a conclusão das investigações para responsabilizar os culpados. 

Via https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/eleicoes/2018/noticia/2018/10/18/policia-civil-investiga-mensagens-sobre-supostas-ameacas-a-eleitores-contrarios-a-bolsonaro-no-rn.ghtml

ELEIÇÕES 2018 Evangélicos que apoiam Bolsonaro estão sendo enganados, diz pastor

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Haddad e o pastor Ariovaldo Ramos defenderam o fim da campanha de difamação nas redes sociais

São Paulo – O candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) se reuniu hoje com pastores evangélicos para assumir compromissos e responder questionamentos sobre mentiras publicadas contra ele nas redes sociais por seguidores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

“Nós insistimos nisso porque, quando vimos os nossos irmãos mentindo, nós começamos a perceber que eles não apenas estavam contra uma candidatura legítima, mas estavam querendo que a gente tivesse vergonha de ser evangélico”, afirmou o pastor Ariovaldo Ramos, um dos organizadores do encontro. “Os evangélicos trabalham com a verdade. E quando a mentira vem à tona, não representa mais a fé evangélica”, completou.

O pastor criticou a recusa de Bolsonaro em participar de debates e disse que existe uma rede de divulgação de mentiras que está afetando diretamente os evangélicos. “Nós precisamos ajudá-los. Porque eles estão sendo enganados por pastores mal-intencionados e pastores mal informados. Nós temos de dizer para eles que eles têm de votar em alguém que não tem medo de responder perguntas. Não podemos dar o nosso voto para alguém que se esconde. A propaganda eleitoral vira um seriado na TV. Você nunca vê o sujeito, ele não vem pro debate, não se submete a ser pressionado”, afirmou Ramos.

“Era nosso dever trazer o candidato aqui para dialogar diretamente com nossos irmãos, olho no olho. Não queremos um presidente que se sustente pelas mentiras”, disse Ramos.

“Estamos assistindo uma tempestade de calúnias e notícias falsas. Isso não combina com a nossa fé, nem com a nossa maneira de viver. Tínhamos de dar a ele o direito de responder ao nosso povo sobre as questões que estão sendo usadas para difamá-lo, não lhe dando sequer o direito de resposta”, completou.

O pastor Henrique Vieira lembrou que Jesus caminhava com os oprimidos, não com os opressores. “Discípulos de alguém que foi vítima da tortura não podem votar em quem exalta um torturador. Justiça não tem nada a ver com vingança ou violência. Tem a ver com respeito à dignidade humana, à diversidade e compromisso com os mais pobres”, afirmou.

“Estou com essa campanha porque essa campanha defende a família. Defender a família é defender moradia para que as famílias possam viver, é defender salário digno para que as famílias possam comprar alimento para sua casa”, completou.

Em referência às mentiras que ganharam as redes sociais na campanha eleitoral, como a mamadeira com bico de pênis que seria distribuída em creches e a proposta de que crianças devem ser propriedade do Estado, Vieira destacou o que deve ser preocupação de quem segue o Evangelho.

“O que deve escandalizar a igreja é saber que tem crianças que passam fome, que tem casas que não tem acesso a saneamento básico, que a desigualdade social rouba a possibilidade das pessoas descobrirem os seus talentos e aproveitarem suas vidas”, afirmou.

O presbítero Carlos Alberto de Brito destacou que o PT e os demais partidos devem estabelecer um diálogo contínuo com os evangélicos, não apenas no período eleitoral. “Vocês precisam procurar os evangélicos. A direita tem procurado, tem lançado candidatos. E alguns mercadores do evangelho têm demonizado a esquerda, não é de hoje. Quando governo, o PT criou vários programas sociais e nunca questionou a religião de ninguém para se integrar, isso precisa ser dito. Precisamos de um presidente que respeite todas as religiões”, afirmou.

Haddad apresentou aos evangélicos uma carta em que reafirma o compromisso com os mais pobres, com a liberdade religiosa e a liberdade individual. E lembrou que em seu governo na prefeitura de São Paulo houve a regularização de templos evangélicos que não estavam em situação legal nas periferias.

Também ressaltou que nenhum governo do PT apresentou propostas que são frequentemente associadas ao partido em mentiras difundidas nas redes, como o kit gay, legalização do aborto, proibição de culto em locais públicos, escolha de sexo das crianças. E lembrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já determinou a remoção das redes sociais de ao menos 50 publicações mentirosas contra Haddad, como no caso do kit gay, que nunca existiu.

O candidato do PT foi questionado sobre como seu governo trataria temas polêmicos para os evangélicos, como por exemplo, o casamento homoafetivo. “O Estado tem de reconhecer os direitos civis. Na prestação de serviços, não importa ao Estado a orientação sexual da pessoa, não pode ter cidadão de segunda classe. É diferente da igreja. Ela se estrutura em torno de determinadas crenças e valores. E isso pode ser restrito, é uma questão privada. A igreja católica pode excomungar uma pessoa – expulsão da igreja –, mas ela não vai deixar de ser cidadã do Estado”, explicou Haddad, deixando claro que seu governo jamais obrigaria as igrejas a aceitar qualquer regra civil.

O petista garantiu que o Estado não vai interferir na liberdade das religiões, muito menos atuar para prejudicar ou favorecer qualquer fé sobre outras. Haddad pediu apoio dos pastores para ajudar a combater as mentiras publicadas contra ele nas redes sociais. E lembrou que as pessoas estão sendo enganadas e precisam ser esclarecidas.

“Esses dias meu adversário divulgou que eu pratico incesto. Eu tenho uma filha de 18 anos, ele não tem noção das consequências que isso pode causar? Mas a pessoa que recebe isso acredita porque ela acaba achando impossível alguém ter coragem de inventar uma coisa absurda dessa. Tem louco para tudo”, afirmou. Via https://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2018/nao-queremos-um-presidente-que-sustentado-por-mentiras-dizem-pastores-evangelicos

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Hoje nossa Governadora fará uma entrevista na InterTv Cabugi às 19h30min

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FAKE NEWS TSE manda Bolsonaro remover vídeos e postagens sobre 'kit gay'

Bolsonaro Kit Gay
Livro usado por Bolsonaro para criticar Haddad nunca foi comprado pelo MEC, nem distribuído a nenhuma escola

São Paulo – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou nesta segunda-feira (15) a remoção de vídeos e postagens do candidato Jair Bolsonaro (PSL) em que utiliza a expressão "kit gay" para atacar Fernando Haddad (PT), seu adversário no segundo turno das eleições 2018. A decisão foi tomada pelo ministro Carlos Horbach, atendendo pedido de defesa do petista. 

Ao todo, são seis postagens no Youtube e Facebook em que o candidato do PSL usa a expressão para se referir ao livro "Aparelho Sexual e Cia.", com a alegação que a publicação teria sido distribuída por Haddad, quando ministro da Educação, a crianças menores de seis anos, quando na verdade nunca o livro nunca chegou às escolas. "Quantos votos o deputado Jair Bolsonaro alcançou com suas mentiras?", comentou Haddad, pelas redes sociais, sobre a decisão. 

Horbach entendeu tratar-se de uma ação de "desinformação" por parte de Bolsonaro, e afirmou que a prática causa prejuízo ao debate político. "Os conteúdos vinculados às URLs (...) expressamente vinculam o livro 'Aparelho Sexual e Cia.' ao projeto 'Escola sem Homofobia' ou aos programas de livros didáticos do Ministério da Educação, o que – como antes destacado – não é corroborado pelas informações oficiais, ensejando, portanto, sua remoção", diz o ministro na decisão.

Num dos vídeos, Bolsonaro chama o material de "livro do PT", e de "coletânea de absurdos" que estimularia o interesse precoce das crianças a temas sexuais. O Ministério da Educação reiteradas vezes já afirmou que não adquiriu nem distribuiu o dito livro, desmentindo em definitivo a notícia falsa – fake news –, que continuou a ser espalhada pelo candidato do PSL aos seus seguidores. Via https://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2018/tse-manda-bolsonaro-remover-videos-e-postagens-sobre-kit-gay

Conselho Nacional do PDT pede expulsão e cassação de Carlos Eduardo Alves

O Conselho Nacional de Ética do PDT divulgou uma dura nota contra o apoio de três candidatos do PDT aos governos estaduais do Rio Grande do Norte, Amazonas e Campo Grande, ao candidato de extrema-direita à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). O colegiado tem poder consultivo.

A informação foi divulgada em primeira mão pelo jornalista Saulo Vale, de Mossoró

O grupo pede a expulsão sumária e a cassação das candidaturas de Carlos Eduardo Alves (RN), Amazonino Mendes (AM) e Odilon de Oliveira (MS).

Sobre Carlos Eduardo Alves, o conselho afirma que a necessidade de vencer as eleições não é maior que a identidade ideológica em defensa do Trabalhismo, pilar do partido criado pelo ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola.

– Já foi expresso em sites locais do Rio Grande do Norte as tentativas de articulação do candidato a Jair Bolsonaro no 2º turno, para se contrapor à Fátima Bezerra (PT). A necessidade de vencer as eleições não é maior que a IDENTIDADE IDEOLÓGICA EM DEFESA DO TRABALHISMO. Portanto, é inconcebível qualquer flerte ao neofascismo, em tempos graves como este, sob a iminência da vitória de Jair Bolsonaro. Para agravar a situação, o mesmo faria declaração pública a favor de Jair Bolsonaro no programa eleitoral do PDT do RN no segundo turno.


Confira a nota na íntegra:

Aos membros da Comissão de Ética do PDT,

Resistir ao fascismo é preciso! Pelo Trabalhismo!

O atual momento conjuntural nos inspira responsabilidade em meio a escalada do neofascismo. Em meio aos erros coletivos da esquerda, entre o extremo pragmatismo e o sectarismo, a criminalização da política através da Lava Jato e os consecutivos erros do Partido dos Trabalhadores (PT) na gestão de Dilma Rousseff resultaram no crescimento do neofascismo e do ativismo político da nova direita desde as jornadas de junho de 2013.

É impensável e inadmissível, como Partido, nos silenciarmos e sermos cúmplices diante dos quase 47% dos votos válidos de Jair Bolsonaro (PSL) no 1º turno, além do assustador crescimento da bancada reacionária do PSL, de 8 deputados federais para 52 e elegendo dois senadores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Inclusive, o eleito pelo estado paulista pertenceu as nossas fileiras e foi eleito deputado federal pela nossa organização em 2014.

Logo, em um momento insigne como este na História do Brasil Contemporâneo, o Partido precisa tomar medidas enérgicas. Até porque o PDT, como Partido, é um sujeito coletivo e, como tal, precisa externar em público as suas posições ao conjunto da sociedade. Como diria Leonel Brizola, o processo social é um fato presente na vida sociopolítica do país e cabe ao PDT tomar para si a postura de protagonismo político.

Sem a candidatura de Ciro Gomes, o fascismo teria vencido no primeiro turno.

Mas como o PDT não está no 2º turno, é preciso respeitar os 13.344.366 votos dados ao Ciro Gomes. Votos que apostaram no ressurgimento do trabalhismo no cenário político nacional e deram o novo rumo para a esquerda nacionalista. Hoje somos a alternativa de médio prazo para o povo brasileiro. E precisamos, mais do que nunca, passar uma mensagem clara, na condição de partido nacionalista, trabalhista e popular, contra o fascismo. Somos um partido de esquerda, antifascista e anti-imperialista!

Logo, a primeira medida que exigimos, em defesa da idoneidade ideológica do Partido e de sua imagem junto à sociedade é a EXPULSÃO PÚBLICA, SUMÁRIA E IRREVOGÁVEL de três candidatos a governador que ostensivamente externaram o seu apoio público a Jair Bolsonaro, conforme o que está previsto no Art. 64, alínea c do Estatuto do PDT e por não seguirem o previsto no Art. 9°, III e VIII do Estatuto do PDT, após a decisão tomada em Brasília pela Executiva Nacional do PDT no dia 10 de outubro de 2018 em apoio crítico a Fernando Haddad contra o fascismo.

– AMAZONINO MENDES

– CARLOS EDUARDO ALVES

– ODILON DE OLIVEIRA

No caso de Amazonino Mendes, além de boicotar sistematicamente a campanha de Ciro Gomes no Amazonas no decorrer do 1º turno, na manhã de 8 de outubro de 2018 ele externou em público o seu apoio oficial ao Jair Bolsonaro, recebendo o aplauso dos transeuntes. Não se importou em momento algum com qualquer princípio trabalhista e, sem qualquer decoro, age à revelia do Estatuto e das resoluções expressas pela Executiva Nacional e pela XXIV Convenção Nacional do PDT, realizada no dia 20 de julho de 2018 em Brasília.

Em relação a Carlos Eduardo Alves, já foi expresso em sites locais do Rio Grande do Norte as tentativas de articulação do candidato a Jair Bolsonaro no 2º turno, para se contrapor à Fátima Bezerra (PT). A necessidade de vencer as eleições não é maior que a IDENTIDADE IDEOLÓGICA EM DEFESA DO TRABALHISMO. Portanto, é inconcebível qualquer flerte ao neofascismo, em tempos graves como este, sob a iminência da vitória de Jair Bolsonaro. Para agravar a situação, o mesmo faria declaração pública a favor de Jair Bolsonaro no programa eleitoral do PDT do RN no segundo turno.

No que tange a Odilon de Oliveira, além do apoio dado a Bolsonaro, seus apoiadores fazem campanha aberta ao candidato do PSL à Presidência. E como não se bastasse isso, o mesmo Odilon chegou a afirmar, em uma rádio com bastante audiência em Campo Grande-MS, a sua apologia ao regime ditatorial pós-1964, afirmando que ela teve os seus saldos positivos ao país, em https://www.campograndenews.com.br/politica/odilon-chama-ditadura-de-governo-militar-e-provoca-polemica. E os materiais de campanha, além da live feita no lançamento do Comitê Odilon/Bolsonaro, em https://www.facebook.com/juizodilon/videos/1314395152034759/

Se não bastasse apenas os três candidatos a governador, o Deputado Estadual Ênio Bacci apresentou em público em 8 de outubro de 2018, já no segundo turno o seu apoio oficial a Bolsonaro – o que é algo vergonhoso e inconcebível à nossa organização. A citação é expressa claramente em http://www.osul.com.br/deputado-enio-bacci-do-pdt-anuncia-apoio-a-bolsonaro-ele-nao-e-ladrao/ e em https://polibiobraga.blogspot.com/2018/10/deputado-enio-bacci-pdt-do-rs-abre.html?m=1.

E assim como ele, vários dirigentes municipais de Partido, vereadores e prefeitos espalhados pelo Brasil afora que, no uso de suas prerrogativas, externaram o seu apoio político a Bolsonaro no 1º turno.

Logo, solicitamos a expulsão imediata dos três candidatos a governador e a cassação imediata dos seus registros de candidatura, em defesa do trabalhismo. Transigir com o fascismo e com quadros de quinta coluna é o primeiro grande passo para a perda definitiva de nossa identidade político-ideológica, gerando precedentes para admitir até a filiação aberta de neonazistas que disputem cargos eletivos no PDT. Seria vergonhoso, na História do Brasil, um Partido com a história de lutas como o PDT abrigar em seu seio notórios oportunistas que flertam, paqueram e transam abertamente com o fascismo.

A expulsão de cada um dos três candidatos a governador e de Ênio Bacci é a defesa de todos aqueles que, como João Goulart, Leonel Brizola, Doutel de Andrade e Manoel Dias, foram proscritos por Atos Institucionais (AI’s) e/ou foram exilados. A expulsão de todos os que apoiam Bolsonaro é em respeito ao direito do trabalhador, ameaçado por propostas como o fim do 13º salário (conquista nossa no Governo Jango), o adicional de férias (conquista nossa com Vargas) e o aumento de 20% no Imposto de Renda, afetando a vida de trabalhadores e da classe média.

A expulsão de todos é em defesa dos Direitos Humanos do povo brasileiro. Defender a expulsão de todos os supracitados é defender a causa da mulher, do negro, do índio, da população LGBT, do jovem, do nordestino, do inválido e dos aposentados. O expurgo sumário de Amazonino Mendes, Carlos Eduardo Alves, de Odilon de Oliveira e de Ênio Bacci é em DEFESA DA NOSSA HISTÓRIA E DA NOSSA IDEOLOGIA TRABALHISTA!

Transigir com o fascismo, sem expulsar eles e quem quiser apoiar Bolsonaro, significa ESCARRAR E CUSPIR COM O NOSSO LEGADO. ASSASSINAR NOSSOS PRINCÍPIOS! ESTUPRAR A MEMÓRIA E O ENSINAMENTO DOS NOSSOS ÍCONES E LÍDERES TRABALHISTAS! JOGAR NA LATA DO LIXO A HISTÓRIA DE BRAVOS DIRIGENTES, PARLAMENTARES, TEÓRICOS E MILITANTES, CONHECIDOS OU ANÔNIMOS QUE DERAM A SUA VIDA EM PROL DO PDT E DO PAÍS!

Logo, queremos a expulsão sumária dos quatro e de qualquer um que, nos estados espalhados pelo Brasil afora, fizer campanha aberta ao Bolsonaro, com declaração midiática, pelas redes sociais ou qualquer outro meio que seja expresso esse apoio.

E queremos, em nome da nossa identidade ideológica, defender o voto de resistência ao fascismo. O nosso voto, como trabalhistas, é em defesa da nação e dos interesses do povo brasileiro. Não abriremos mão desse valor, mesmo sabedores que nem o PT e muito menos Bolsonaro possuem sequer qualquer projeto popular de libertação nacional e de desenvolvimento do país.

Logo, em face da iminência da vitória do neofascismo a ser legitimado nas urnas, o PDT precisa denunciar e alertar o povo brasileiro, orientando o voto crítico a Fernando Haddad (PT). O voto será dado não ao PT, mas contra a vitória do fascismo nas urnas.

E ao mesmo tempo, o Partido, em coerência com a sua linha, explicará ao povo brasileiro que o seu voto é em defesa do Estado Democrático de Direito. Mais ainda: o PDT assegurará que, eleito qualquer presidente, assumirá a sua posição como oposição independente, autônoma e nacionalista de esquerda. E mais: que a candidatura de Ciro Gomes à Presidência em 2022 é irrevogável e compromisso moral dos trabalhistas com o povo brasileiro.

É preciso coragem para assumir as posições!

Vamos honrar o nosso Partido! Sermos dignos de nossa História!

Combate aos quinta colunas, infiltrados, oportunistas e fascistas no seio da nossa organização!

O PDT pertence ao povo brasileiro!

O PDT é um partido popular de esquerda!

Nós somos nacionalistas! Somos um partido socialista!

Vamos honrar a memória de nossos líderes! Não vamos envergonhar a nossa história. Não podemos ser pusilânimes. Nem desfibrados!

SOMOS INIMIGOS DO FASCISMO!

Acabou o tempo do pragmatismo. É hora de assumirmos a nossa posição como trabalhistas!

Ousar lutar! Ousar resistir! Ousar vencer!

Logo, solicitamos a expulsão de Amazonino Mendes, Carlos Eduardo Alves, de Odilon de Oliveira e de Ênio Bacci de acordo com o previsto nos Art. 61, 62 e 64, alínea “c” do Estatuto do PDT.

Saudações Trabalhistas!

Brasil, 13 de outubro de 2018

Assinam o documento:

Wendel Pinheiro – Membro do Diretório Nacional do PDT
Júlio Rocha – Membro do Diretório Nacional do PD
Rafael Galvão – Membro do Diretório Nacional do PDT
Lauri Bernardes – Secretário-Geral Nacional do MCDR
Joelma Santos – Vice-Presidente FLB-AP /Amapá e Membro do Diretório Nacional do PDT.
Jorge Eremites de Oliveira – Membro do Diretório Municipal do PDT Pelotas e do Movimento Cultural Darcy Ribeiro do PDT-RS.
Leonardo Moraes Jr. – Coordenador MCDR-PDT  do Sudeste / PR
Ricardo Pinheiro – Advogado Membro do Diretório Estadual RJ e da Executiva do PDT NITEROI
Felipe Pinheiro – Membro da Executiva Estadual do PDT/SP. Presidente Estadual do PDT Diversidade SP
Douglas Rafael Duarte – Secretário Geral da JS/RS e Presidente do PDT de Piratini-RS
Carla de Lima Maximila  – Vice presidente Diversidade RS /  Presidente PDT – Chuí-RS
Tiago Veras –  Membro do Diretório Nacional  do MCDR-PDT  / BA

Fonte: Rafael Duarte/Saiba Mais

Braço-direito de Bolsonaro admitiu ter recebido caixa 2 da JBS

Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que o entorno do candidato não deve se movimentar, caso ele seja eleito, para a aprovação da mudança: Braço-direito de Bolsonaro admitiu ter recebido caixa 2 da JBSAnunciado pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ) como o seu ministro-chefe da Casa Civil caso vença as eleições presidenciais no dia 28, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) admitiu no ano passado ter recebido R$ 100 mil em caixa dois da empresa de carnes JBS.
Em entrevistas à imprensa em maio de 2017, Lorenzoni argumentou que o dinheiro foi usado para quitar gastos de campanha de 2014, mas concordou que deveria "pagar pelo erro".
O ministro da Casa Civil é responsável pelas articulações entre Palácio do Planalto e Congresso Nacional.
O pagamento para Lorenzoni consta de um procedimento amplo, que envolve vários políticos, classificado como "petição" aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido a PGR (Procuradoria Geral da República) em maio do ano passado a partir do acordo de delação premiada fechado com donos e executivos da JBS.
A reportagem apurou que, passados 15 meses da admissão de culpa do parlamentar, nenhum inquérito foi aberto e ele não foi responsabilizado de nenhuma maneira.
Em maio deste ano, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge pediu ao STF que desmembrasse a parte da delação que trata de pagamentos "via caixa dois, por meio de entrega direta de dinheiro ou mediante notas fiscais 'frias' a diversos políticos nos anos de 2006 a 2014", entre os quais se encontra o caso de Lorenzoni. Mas não se sabe o rumo que a investigação tomará ou mesmo se o deputado de fato será investigado.
O parlamentar foi citado na delação fechada pelos executivos da JBS com a PGR e homologada pelo STF em maio de 2017. O colaborador Ricardo Saud, ex-diretor de relações institucionais da JBS, apresentou à PGR uma longa lista de parlamentares que, segundo ele, receberam recursos via caixa dois eleitoral.
Saud disse que Lorenzoni e outros dois deputados do Rio Grande do Sul receberam o dinheiro por meio de um empresário do mesmo ramo de atividades da JBS, Antonio Jorge Camardelli, que é presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).
"Deputado federal Onyx Lorenzoni -todos candidatos à reeleição- do DEM do Rio Grande do Sul, [R$] 200 mil em espécie no dia 12 de setembro de 2014, entregue no Rio Grande do Sul pelo Camardelli também", disse Saud no depoimento gravado em vídeo pela PGR.
Quando a delação de Saud veio a público, Lorenzoni concedeu diversas entrevistas em Porto Alegre (RS) nas quais admitiu ter recebido o caixa dois, embora em valor inferior ao delatado. "Eu vou para a frente do Ministério Público [dizer], 'sim, recebi os valores'. Na minha contabilidade o valor é menor, não são os 200 mil. Eu tenho para mim que foram cem mil reais. De qualquer maneira isso é irrelevante. O que é importante é dizer aos gaúchos é que um, vamos assumir essa responsabilidade. E dois, eu vou poder continuar dizendo para os meus eleitores, 'eu não minto'", disse Onyx em entrevista coletiva à imprensa do Rio Grande no Sul em maio de 2017.
Na prestação de contas entregue por Lorenzoni à Justiça Eleitoral naquela campanha, não há nenhum recurso declarado da JBS ou de Camardelli. Na campanha toda, segundo o deputado, ele arrecadou R$ 2 milhões.
Nas entrevistas, Lorenzoni disse que Camardelli foi apenas um intermediário, "apenas me prestou um auxílio, no sentido de me alcançar [R$] 100 mil, foi o recurso que recebi".
OUTRO LADO
Procurado nesta segunda-feira (15) pela reportagem para falar sobre o assunto, Lorenzoni não foi localizado. Camardelli, procurado por meio da assessoria da Abeic, não havia se manifestado até as 20h.
No ano passado, Lorenzoni disse em entrevista à Rádio Bandeirantes de Porto Alegre que teve o "cuidado de perguntar a ele [Camardelli] se esses recursos eram de origem ilícita. Ele disse que era de uma associada nossa, não há nenhuma dúvida de que esse dinheiro tenha origem limpa. E, bom, final de campanha, reta final, a gente cheio de compromissos de fornecedores, pessoas. Eu usei o dinheiro. E a legislação brasileira não te permite fazer a internalização desse recurso". O deputado disse ainda que pedia "desculpas aos eleitores do Rio Grande do Sul que confiam em mim pelo erro que eu cometi".
Antes do caso da JBS, Lorenzoni já havia sido citado no acordo da empreiteira Odebrecht como tendo recebido R$ 175 mil de caixa dois, segundo depoimento do delator Alexandrino Ramos de Alencar. Nesse caso, contudo, Lorenzoni nega o recebimento. Em junho passado, o STF arquivou o inquérito a pedido da PGR por falta de provas.
"No meu caso, quero reafirmar, nem a quadrilha do Lula, nem a quadrilha da Odebrecht nem a JBS fizeram qualquer correlação com corrupção. Inclusive o próprio delator diz, perguntado pelo investigador, ouvi agora à tarde, 'teve alguma contrapartida? Não, a contrapartida alguma, foi apenas para a eleição'. É um erro? É um erro, e eu tenho que pagar pelo erro", disse o parlamentar na entrevista de 2017. Com informações da Folhapress.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Como a primeira mulher indígena conquistou uma vaga na Câmara Federal

Joênia Wapixana, primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil

Era setembro de 2008. Uma advogada indígena chamava a atenção no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Joênia Batista de Carvalho —ou Joênia Wapichana, como prefere se apresentar, usando o nome de sua etnia— se movia nervosa. Receava a frustração pessoal e a de seus conterrâneos, caso os ministros da Corte lhe negassem o pedido para integrar a defesa de cinco povos que lutavam pela demarcação contínua das terras da Raposa Serra do Sol, em Roraima, no curso de uma ação popular movida pelo Governo do Estado. O nervosismo da advogada praticamente se dissipou com a permissão. Evocou a identidade de seu povo e iniciou um discurso que soou também como desabafo.
Com um par de linhas desenhadas com tinta vermelha no rosto, Joênia começou a falar: "Catorze milhões de reais circulam anualmente na reserva, mas a nossa economia não é contabilizada. Somos caluniados e discriminados dentro de nossa própria terra". A advogada usava expressões no seu idioma nativo para pedir um basta à violência contra os índios e chegou a emocionar alguns ministros. A sentença favorável à demarcação das terras da Raposa Serra do Sol só veio um ano depois, mas naquele dia Joênia fez história como a primeira indígena a defender oralmente uma causa na mais alta corte jurídica do país.
Uma década depois desse episódio, na noite do último domingo (7), Joênia sentia outra vez aquela mesma sensação de nervosismo. Em uma casa adaptada para funcionar como comitê eleitoral em Boa Vista, acompanhava com cerca de 50 apoiadores a apuração das urnas pelo rádio. Era sua estreia na disputa de uma eleição. Um ano e meio antes, havia se filiado pela primeira vez a um partido político, a Rede Sustentabilidade, por conta de um pedido feito durante a 47ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima por dez comunidades diferentes, que a consideravam uma das principais lideranças com forças para cavar um espaço de representatividade no Congresso Nacional. Até então, só um índio havia conquistado o feito: Mário Juruna (PDT) foi eleito deputado federal em 1982. "Eu senti no domingo a mesma sensação daquele dia no Supremo, me vi outra vez naquela responsabilidade de representar os índios. Pensava o tempo todo: será que vou conseguir?", conta.
Naquela noite, o clima no comitê era de tensão. Uma pesquisa realizada dois dias antes da eleição indicava que a candidata da Rede estava em 14º lugar para deputada federal, mas Roraima só dispunha de oito vagas para a Câmara. "Foi muito tenso porque, a princípio, os resultados não eram tão favoráveis", conta a assessora da deputada eleita, Mayra Wapixana. Outra vez Joênia evocou sua identidade indígena. Com as dezenas de apoiadores que a acompanhavam naquele momento, dançou a parixara, um tipo de oração tradicional dos índios roraimenses, para controlar a ansiedade. Já passava das dez horas da noite e 98% das urnas haviam sido apuradas quando veio a certeza: Joênia era oficialmente a primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil, com 8.434 votos. Não demorou para a notícia estampar os sites de jornais de todo o país. "Foi muito emocionante ver esse reconhecimento. Pedi muito aos nossos ancestrais para que a gente tivesse nosso espaço lá dentro [da Câmara dos Deputados], pra gente ter um direito de resposta garantido", diz. Na manhã do dia seguinte, a equipe que assessora a advogada encarava a missão de organizar uma frenética agenda pelo volume de pedidos de entrevistas feitos pelos veículos de comunicação. "Essa eleição me deu uma possibilidade real de eu ser de novo uma porta-voz dos indígenas", acredita a advogada.
Não será uma tarefa fácil. Quando assumir o mandato, em janeiro de 2019, Joênia Wapichana encontrará uma Câmara dos Deputados bastante renovada, mas também mais conservadora. Também é possível que o Brasil tenha um presidente que já se posicionou contra a demarcação de terras para indígenas e quilombolas —uma das principais bandeiras defendidas pela deputada eleita—, já que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) disputa o segundo turno fortalecido, após conquistar 48% dos votos válidos no último domingo, 7. Eleita no país mais letal para defensores da terra e do meio ambiente, Joênia tem essas duas bandeiras e o combate à corrupção como principais pontos de atuação. A conjuntura, porém, não a desanima. "Vou tentar usar o meu mandato para requerer e ocupar todos os espaços que a lei me permite. Não é porque sou só uma que não vou conseguir fazer a diferença. Vou para lutar. Conheço as leis e posso usar os meios legais para fazer ouvir os povos indígenas não só de Roraima, mas do Brasil. É este o meu papel. Eu não estou indo para o Congresso brincar", afirma.

Atuação nas bases

Natural de uma comunidade indígena localizada a 65 km de Boa Vista chamada Truaru da Cabeceira, Joênia Wapichana não se identifica como política, pelo menos no sentido tradicional da palavra. "Nunca havia entrado para a política nem tinha me filiado a partido político", afirma. Mas desde os 20 anos de idade —hoje ela tem 43— atua no movimento social diretamente com as comunidades indígenas e se orgulha em dizer que conhece bem as dificuldades do seu povo. Quando era criança, viu os avós serem forçados a aprender português ao começarem a trabalhar nas fazendas próximas de Boa Vista e ouvia com frequência sobre a luta para garantir as terras da reserva. Sua comunidade, uma das nove etnorregiões de atuação do Conselho Indígena de Roraima, havia decidido que ela seria professora, mas a morte da irmã por uma suposta negligência hospitalar a levou a estudar direito na Universidade Federal de Roraima. Em 1997, se tornou a primeira advogada indígena brasileira —um feito do qual só se deu conta quando passou a viajar por outros estados em defesa dos direitos dos índios.
Desde que se formou, Joênia visita regularmente as comunidades da região e atua na defesa dos direitos territoriais e na denúncia de arbitrariedades. Em 2004, chegou a receber o Prêmio Reebok de Direitos Humanos em reconhecimento aos seus esforços. Ano após ano, a atuação nas bases lhe tornou uma liderança fortalecida na região por defender essas causas em entrevistas à imprensa, preencher as lacunas entre as comunidades e os órgãos governamentais e organizar uma série de campanhas para ensinar às pessoas os seus direitos legais. Especialmente por esse trabalho de orientação jurídica, é conhecida como a "Doutora Joênia" por apoiadores, companheiros e eleitores.
"Acompanho há mais de 22 anos a luta indígena, mas ainda não tem uma discussão da política nas comunidades indígenas. Muitas aldeias não têm sequer energia, então é difícil fazer chegar mais informação e debate", afirma. Nos últimos dois anos, distintas lideranças indígenas de Roraima começaram um movimento maior nas comunidades para buscar representatividade nos espaços tradicionais da política. Foi nesse contexto que Joênia aceitou o desafio de se candidatar. Junto com ela, outros nove índios se filiaram à Rede Sustentabilidade com as bênçãos da então presidenta do partido, Marina Silva, que naquela ocasião ressaltou a candidatura da advogada. As duas já atuaram juntas em distintas ocasiões, inclusive na defesa pela demarcação das terras da Raposa Serra do Sol no STF, em 2008.
"A relação delas é de muito carinho. Marina deu atenção especial à Roraima com a chegada da Joênia ao partido. Ela conseguiu articular a vinda da candidata com a Executiva Nacional e depois trouxe também o vice-presidente Eduardo Jorge", define o presidente estadual da Rede em Roraima, Marcos Braga, que divide com Joênia o papel de porta-voz do partido. Com a eleição da indígena, ele espera que o partido se fortaleça ainda mais no Estado e amplie os dois atuais diretórios existentes para outros 13 municípios. A própria deputada eleita vem ampliando as perspectivas: "A discussão política ainda é recente nas comunidades indígenas, mas esse é um momento histórico e estamos cientes que temos potencial de ampliar nossa representatividade nas próximas eleições". Via https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/politica/1539035477_870212.htmli

Leitura Obrigatória. Morte, ameaças e intimidação: o discurso de Bolsonaro inflama radicais

Moa do Katandê, morto na segunda de madrugada.
O ódio que se encrustou na disputa eleitoral fez ao menos uma morte algumas horas depois de que 147 milhões de brasileiros se dirigiram às urnas. O mestre de capoeira e ativista cultural Romoaldo Rosário da Costa, mais conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, foi assassinado com 12 facadas na madrugada da segunda-feira, em um bar de Salvador. O autor confesso do crime, Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, disse à polícia que o assassinato teve motivação política. De acordo com a declaração que deu às autoridades, Santana, que votou e defendeu o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), discutia com o dono do local, que votou em Fernando Haddad (PT), quando Moa uniu-se à conversa para também defender o petista. O assassino, então, foi à casa, pegou uma peixeira e voltou ao bar para atacar o capoeirista. A delegada Milena Calmon, responsável pelo caso, descreveu Santana ao EL PAÍS como um homem “intolerante e agressivo”.

Agressões motivadas por um ambiente de ódio na política já haviam irrompido na campanha ao longo do primeiro turno. O próprio Bolsonaro foi vítima de uma facada no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG) —o agressor, Adélio Bispo de Oliveira, que segundo a Polícia Federal agiu sozinho, alegou motivação política. O candidato passou para o segundo turno com quase 50 milhões de votos adotando um discurso de extrema direita que parece influenciar os atos de uma parcela mais radical de seus eleitores. Na noite desta terça-feira, um estudante recém-formado, cuja identidade foi preservada, foi agredido na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, por usar um boné do MST. A vítima, que estava reunida com amigos em uma praça do campus, foi espancada por membros de uma torcida organizada local sob gritos de “Aqui é Bolsonaro”, segundo testemunhas. “Eram uns 10 homens. Eles chegaram a quebrar garrafas na cabeça do rapaz”, conta M.H.O., presidente do Diretório Central de Estudantes, que presenciou a agressão e fez a denúncia. Os agressores também teriam depredado a Casa do Estudante da universidade, cujas janelas foram quebradas. A polícia foi acionada, mas os homens fugiram do local. A vítima foi atendida por uma ambulância e passa bem. “Seguiremos acompanhando as investigações. Temos que resistir”, diz M.H.O.
Ainda não há estatísticas sobre o número de ocorrências, que já chamam a atenção de organizações. "Temos recebido um número crescente de denúncias de ataques a pessoas que manifestam sua preferência por um candidato, inclusive o homicídio de um eleitor de Fernando Haddad na Bahia. Os ataques tem que ser investigados e seus autores responsabilizados de forma célere. As instituições, polícias e Ministério Público têm que cumprir sua função", explicou Juana Kweitel, diretora executiva da ONG Conectas Direitos Humanos. "O gestual do candidato Bolsonaro imitando o uso de armas vai claramente na direção contrária. Os dois candidatos no segundo turno devem chamar seus eleitores a agir de modo pacífico e tolerante e devem se manifestar de forma categórica perante os ataques noticiados", completou.
Questionado por jornalistas, Bolsonaro taxou o assassinato do capoeirista e outras agressões de "excessos" e disse lamentar os episódios de violência. "Quem levou a facada fui eu, pô. O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?", indagou. Ele também disse que o clima "não está tão bélico assim" e que os casos ocorridos até agora são isolados. Espera que não ocorram mais. "Eu lamento, peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam. Agora, a violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova viva disso daí".
Para o doutor em Direito Henrique Abel, a resposta de Bolsonaro às agressões foi insuficiente e "mostra um desinteresse da parte dele em orientar seus seguidores". Algo que, em sua opinião, seria muito fácil fazer: bastaria "estabelecer uma diretriz, que teria um impacto psicológico muito importante" entre seus eleitores mais radicalizados. "Ele prefere sair com uma evasiva. Então, sim, há uma responsabilidade. Não diretamente, mas ele é considerado um símbolo e legitima práticas e condutas ilícitas ou abertamente criminosas, como dizer que ele iria 'fuzilar a petralhada' do Acre", argumenta. E acrescenta: "Mesmo que em um eventual governo ele não chegue a dar uma ordem de matar ou torturar alguém, o simples fato de simbolicamente legitimar essas práticas representa, aos olhos de quem será governado por ele, uma interpretação de que passam a ser permitidas. E de que não há nada de errado com elas".

Jornalistas estão na mira

Jornalistas também entraram na mira de agressores. No domingo, uma jornalista pernambucana, cuja identidade foi preservada, prestou queixa na polícia dizendo ter sido atacada por dois homens ao sair do colégio onde votou no Recife. Depois de terem visto seu crachá, os indivíduos —um deles com uma camiseta de Bolsonaro— chamaram-na de “riquinha de esquerda”, agrediram-na e ameaçaram estuprá-la, conta ela. Quando um carro passou buzinando, os criminosos fugiram do local e a jornalista foi às autoridades. O caso foi relatado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que registrou 137 episódios de agressão de profissionais da comunicação ao longo de 2018 "em contexto político, partidário e eleitoral". A entidade contabiliza "75 ataques por meios digitais (com 64 profissionais afetados) e outros 62 casos físicos (com 60 atingidos)". "A maior parte das ocorrências físicas", diz a Abraji, "está relacionada à cobertura de manifestações ou eventos de grande repercussão ligados a eleições".
Nos últimos dias, a jornalista Míriam Leitão, que trabalha em O Globo e na TV Globo, vem sofrendo uma série de ataques virtuais após opinar, no programa Bom Dia Brasil, que o PT e Bolsonaro não são equiparáveis: enquanto o primeiro sempre jogou de acordo com as regras democráticas, o segundo teve uma vida pública marcada pela defesa da tortura e da ditadura. Logo depois desse comentário, começaram a circular mensagens falsas dizendo que Leitão foi presa em 1968 após roubar, armada com um revólver calibre 38, 80.000 cruzeiros de uma agência do banco Banespa. A imagem que circula com a mensagem é do momento em que foi presa e torturada pela ditadura militar em 1972, quando tinha 19 anos, por pertencer ao PCdoB na época.
Quem também sofreu agressões verbais foi a irmã da vereadora Marielle Franco(PSOL), brutalmente executada no dia 14 de março —ainda não se sabe por quem. Um dia depois das eleições, Anielle Franco andava perto de um shopping carioca com sua filha Mariah, de dois anos, no colo. Não usava nenhum tipo de broche, camiseta ou bandeira. Uma com a roupa da creche, a outra com a roupa do trabalho. Isso não impediu, conta Anielle, que fosse reconhecida por homens vestindo a camiseta de Bolsonaro, que se aproximaram e começaram a chamá-la de “piranha” e a gritar que ela era “da esquerda de merda” ou “sai daí feminista”.
“Hoje eu tive medo! Medo mesmo. Não deveria, mas tive. Foi assustador. Ainda mais com minha filha no colo”, relatou Anielle em seu perfil no Facebook. “Não estou escrevendo para que ninguém tenha pena. Mas para que repensem sua maneira de fazer política. Por conta de um antipetismo vocês preferem propagar o ódio e a violência?! O seu candidato, em suma, defende esse tipo de postura, e outras coisa bem piores!”
O medo tornou-se um sentimento comum entre muitos cidadãos pertencentes à comunidade negra, LGBTQ e outras minorias atacadas por Bolsonaro em inúmeras ocasiões —agora, na reta final da campanha, ele negou as ofensas, que estão registradas em vídeos. O presidenciável é réu no Supremo Tribunal Federal por incitação ao estupro por ter dito à deputada Maria do Rosário que não a violaria porque “ela não merece”. Bolsonaro enaltece a ditadura militar e já defendeu a tortura. Também já fez declarações racistas e misóginas, assim como já disse: “Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.
“Um governo de Bolsonaro dá medo porque ele é muito extremista, mas é ainda mais assustador ver que as pessoas vão se sentir legitimadas a praticar esse discurso de ódio e violência”, resumiu Renata*, de 30 anos, ao chegar acompanhada de sua namorada no Colégio eleitoral Sagrado Coração na Vila Formosa, zona leste de São Paulo, neste domingo. Esse sentimento é compartilhado pela candomblecista Janaí Martins do Nascimento, paulistana de 35 anos. “O cara é totalmente contra o Estado laico e mesmo com o Estado sendo laico, já é difícil para gente. O que eu posso esperar dele em relação a minha religião? Nada. Para mim, ele vai destruir tudo”, disse ela no domingo. “Eu só vim votar por medo dele”, acrescentou.

Sombra do medo

Três dias antes das eleições, viralizou nas redes sociais um vídeo em que um grupo de homens (alguns deles torcedores do Palmeiras) entoavam um cântico homofóbico no metrô de São Paulo: “Ô bicharada, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”. Para Henrique Barum, homem gay de 23 anos, essas atitudes são um exemplo da banalização da violência. “Eu cresci sofrendo bullying, escutando que era um ‘veadinho de merda’ e agora escuto que um possível presidente vai matar gente como eu. Já estamos vivendo a ditadura do medo”, diz o estudante, que se mudou há oito meses de Pelotas (RS) para Portugal, onde faz mestrado em Estudos Culturais.
Barum conta que, no domingo, quando se confirmou que o candidato do PSL iria para o segundo turno com 46% dos votos, seus pais telefonaram, preocupados. “Olhando para mim, qualquer pessoa sabe que sou gay. Trabalho com maquiagem e saio maquiado nas ruas. Eu sei que, durante esse governo, não me sentiria confortável de me expressar como sou”. O estudante diz estar dividido entre o “alívio” de estar longe do país e a “angústia”. “Penso em amigos e familiares que estão na mesma situação que eu. Por mais que eu queira lutar ao lado deles, meus pais dizem que minha segurança é prioridade. Pedem que fique aqui, que eles virão me visitar”.
Gabriela Reis, pernambucana de 25 anos, anda com medo de sair com a namorada em Caruaru, onde vivem. Ela, mulher negra e lésbica, diz que já está acostumada aos “olhares feios” quando sai de turbante na rua, mas sente que agora a situação será pior. “Há muita tensão e vejo mais olhares agressivos para nós. As pessoas se sentem mais seguras para expor seus preconceitos. O que antes era só olhar, agora pode virar agressão, porque o discurso do Bolsonaro naturaliza a violência”, conta.
Para o paulistano Lucas*, de 36 anos, esse receio se concretizou no domingo. Ele e o namorado estavam em um engarrafamento na capital paulista, quando outros motoristas começaram a “cortar” seu veículo para ocupar o corredor exclusivo de ônibus. O namorado de Lucas buzinou para reclamar e lhes choveram xingamentos como “veados” e “vão dar o cu”. “Respondi a agressão jogando beijos para eles, e então um dos carros, um veículo grande, caro, de cor prata, virou à direita e passou por nós apontando uma arma, também prateada. O motorista era um senhor de uns 50 anos”, conta.
Depois que compartilhou o ocorrido com amigos, Lucas escutou mais relatos de agressões homofóbicas ocorridas durante os últimos dias. Um de seus colegas, que estava com uma camiseta rosa no metrô, ouviu de outros passageiros: “aproveita agora, porque daqui a pouco veado não vai mais existir”. O maior medo do paulistano é a institucionalização desse preconceito, com leis que revoguem o direito ao matrimônio igualitário ou que dificultem ainda mais o acesso ao trabalho e serviços de saúde para LGBTs. “Tenho medo de que o governo possa nos converter em cidadãos ‘ficha-suja’, que nos considere quase criminosos”, confessa.
Higor S., de 22 anos, é da pequena Serra Talhada, em Pernambuco —a terra de Lampião, estereótipo de “cabra macho”—, mas conta que nunca tinha sofrido homofobia antes das eleições. “Minha tia me acompanhou para votar, justamente porque tinha medo de que eu sofresse agressões, mas voltei para casa sozinho. Passei por uma laje onde um grupo de homens de camiseta verde e amarela fazia um churrasco e escutei risadinhas e gritos de ‘bichinha’. Percebi que apontavam para mim e um deles gritou: ‘É melhor já ir se acostumando, que isso aí [referindo-se à homossexualidade] vai acabar logo’, relembra o estudante, que correu para casa.
Higor já havia sido agredido dias antes por um eleitor de Bolsonaro na sala de aula. “Ele me mandou tomar naquele lugar e seus amigos tiveram que segurá-lo para ele não me bater”. Ele conta que ele o namorado, que já saíam pouco juntos, agora acham melhor não se expor mais publicamente. “Todos sabemos que não é o Bolsonaro que vai sair matando a gente, mas seus apoiadores vão se sentir legitimados para fazer isso”, lamenta e, depois de alguns segundos em silêncio, acrescenta: “Espero estar errado”. Via https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/09/politica/1539112288_960840.html

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