Para o colunista, montagem dos novos comandos do
Senado, da Câmara e da decisiva bancada de deputados do PMDB comprometerá o
poder presidencial de decisão nos dois anos restantes do mandato.
Via 247
– O colunista Janio de Freitas reforça o coro contra os novos comandos no
Congresso. Para ele, a combinação Calheiros-Alves-Cunha é uma armadilha para a
presidente Dilma. Leia:
O
novo poder
A combinação
Calheiros-Alves-Cunha ditará destinos das medidas da presidente na Câmara e no
Senado
A presidente
Dilma Rousseff está sendo cercada por uma armadilha que comprometerá o seu
poder de decisão nos dois anos restantes do mandato. Esse é o sentido da
montagem dos novos comandos do Senado, da Câmara e da decisiva bancada de
deputados do PMDB.
As revelações de
ilegalidades, irregularidades e suspeitas (a variedade é mesmo grande)
acumulam-se sobre os favoritíssimos candidatos a presidir o Senado e a Câmara.
Renan Calheiros,
forçado a renunciar ao mandato em 2007 para evitar a cassação por improbidade,
falsidade ideológica e outras características de sua atividade, reelegeu-se
para continuar como um dos principais idealizadores e condutores, ou o principal,
de tudo o que é reprovável no Senado.
Seu provável
comando administrativo e político da Casa não admite a expectativa de coisa
alguma diferente do que se conhece.
Quase
desconhecido fora do Rio Grande do Norte e de parte do Nordeste (o mar ficou
incólume), apesar das suas quatro décadas de parlamentar, Henrique Eduardo
Alves é o típico peemedebista do PMDB de Calheiros & cia.: a política não é
uma prática de conceitos doutrinários e de princípios, é um jogo de interesses
fisiológicos e nada mais.
Daí que tanto
esteve a favor como agiu contra Fernando Henrique, Lula e Dilma, ainda que
integrando a "base aliada" dos três e disso tirando os múltiplos
proveitos possíveis. São essas as suas credenciais para a presidência da
Câmara.
Eduardo Cunha é,
provavelmente, o mais original dos deputados. Neófito em Brasília, entrou no
meio político com a sem-cerimônia e a audácia das chamadas velhas raposas. É
presença permanente em transações cercadas de suspeitas.
Poucas pessoas
podem ser tratadas com tanto cuidado pela frente e tão mal referidas pelas
costas.
Explica-se:
Eduardo Cunha é uma figura temida, pela certeza de que seus revides são
adaptações da política feita ao tempo dos punhais, agudos e impressentidos.
Foi dado, por
exemplo, como o controlador de um sistema de escutas telefônicas clandestinas
que instabilizou a raia graúda do Rio durante anos. Não há indicação de que o
sistema esteja extinto.
Há pouco,
confusos negócios em torno da ex-refinaria Peixoto de Castro sofreram forte
bombardeio do governador Sérgio Cabral, porque se trataria de uma transação de
Eduardo Cunha, seu adversário. De repente, assunto encerrado. Como, por quê,
não se sabe.
Agora, Cabral e
o prefeito Eduardo Paes, subitamente, se saem com o único caso de apoio público
a Eduardo Cunha, o inimigo, para líder do PMDB na Câmara.
Eduardo Cunha é
cria de Paulo Cesar Farias, que o pinçou do vácuo para a presidência da então
Telerj, telefônica do Rio.
Eleitos esses
três, o Congresso estará absolutamente sob controle do PMDB. Do PMDB dos três,
ao qual muitos poucos peemedebistas cometerão a exceção de continuar alheios. E
se assim será com o Congresso, assim será do Congresso com o governo.
A combinação
Calheiros-Alves-Cunha ditará as condições e os destinos das medidas e
necessidades da presidente da República na Câmara e no Senado.
Dilma Rousseff
apoia as eleições de Renan Calheiros e de Henrique Alves, e parece apenas
neutra quanto à de Eduardo Cunha.
É claro que o governador quer apoiar alguém que estaja do lado dele e o deputado Cunha já é conhecido dele a muito tempo. Normal.
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