Colunista diz que não há surpresa com a mudança
de discurso do presidente da Câmara em relação à cassação dos mandatos; os
profissionais da política, segundo ela, entraram em campo.
Via 247
- Foi
realmente surpreendente a primeira traição do deputado Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN) em relação ao PT? A colunista Eliane Cantanhêde, da Folha, garante
que não. Leia abaixo:
Profissionais
em campo
Eliane
Cantanhêde.
BRASÍLIA
- Sinceramente,
não entendi a surpresa geral com o disse não disse do novo presidente da
Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), sobre o futuro dos deputados
condenados pelo Supremo.
Primeiro:
o discurso dos políticos é um na campanha e na posse e é outro, diferente,
depois de eleitos e já no batente. Antes, eles falam o que os eleitores querem
ouvir. Depois, o que é preciso ser feito.
Segundo:
o discurso dos políticos (e não só deles) é um para o público interno e é outro
para o externo. Para seus pares na Câmara, Henrique Alves precisava falar
grosso, em apoio aos condenados. Para o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa,
tinha de falar institucionalmente.
O
antecessor Marco Maia (PT) é pouco mais que um aprendiz na política nacional e
seu compromisso maior é com os companheiros petistas enroscados no mensalão,
mas Henrique Alves é o mais antigo deputado e tem a exata noção de como
funciona o jogo político-institucional. Sem contar que seu compromisso é com o
sucesso de sua gestão, e não exatamente com o PT.
De
tão experiente e tão esperto, Henrique Alves fez um interessante cruzamento de
palavras, até com frases iguais, para justificar duas posições só aparentemente
antagônicas.
No
Congresso, na terça, ele disse: "Nós vamos finalizar o processo. Quem
declara a perda do mandato, quem declara a vacância (...), tudo compete à
Câmara fazer". Interpretação: ele diz que a última palavra é da Câmara e
confronta o STF.
Já
no Supremo, na quarta, declarou: "Nós vamos finalizar o processo (...),
cumprir as formalidades. Não há nenhuma possibilidade de confrontarmos o
mérito". Interpretação: ele recuou e reconheceu que a decisão é do
Judiciário.
Na
verdade, disse a mesma coisa no conteúdo, mas burilou a forma para agradar a
cada interlocutor. A isso se chama "cancha política". É o que ele e
Renan têm de sobra. Postado por Marcos Imperial.
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