Em entrevista à revista Veja, o presidente da
Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), faz a mais escancarada
defesa do fisiologismo já vista na história republicana; sob o título
"Dilma precisa evoluir", ele defende a abertura dos cofres federais e
a distribuição de emendas aos parlamentares do PMDB e da base aliada, em troca
do apoio à reeleição; será que Dilma precisa mesmo pagar um preço tão alto aos
profissionais da política?
Via 247 - Com os
profissionais da política, como Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da
Câmara dos Deputados, nada vem de graça. Depois de atuar decisivamente na
aprovação da Medida Provisória dos Portos, ele agora cobra a fatura. E da
maneira mais escancarada. Neste fim de semana, em entrevista à revista Veja,
ele afirma que "A Dilma precisa evoluir". No dicionário de Alves, no entanto, o
verbo evoluir tem um significado muito peculiar. Significa abrir os cofres
federais e distribuir bilhões em emendas aos parlamentares do PMDB e da base
aliada, em troca do apoio à reeleição.
Eis a lógica de Alves:
"A
eleição presidencial já é discutida diariamente, o que provocou também a
antecipação das campanhas de governadores, senadores e deputados. Todos da base
querem a reeleição da presidente, mas querem também a própria reeleição. A
ansiedade é geral, e há insegurança diante do fato de os pedidos feitos ao
governo não serem atendidos no prazo necessário". (Sobre os pedidos, não é difícil imaginar
sua natureza).
Mais adiante, Alves prossegue em sua lógica fisiológica:
"A
função do parlamentar não é só legislar. Ele tem de prestar contas do que
realiza em Brasília. Falo do atendimento das demandas de estados e municípios,
da liberação dos recursos para resolver as carências da população. Esses
detalhes precisam ser ajustados na relação da presidente com o
Parlamento." (Será que ele pede um
mensalão?).
E quem, então, deve abrir os
cofres aos deputados?
"A
responsabilidade é da presidente, e a missão é intransferível. Faço essa
advertência de quem já tem candidato a presidente em 2014, que é a própria
Dilma. Ela é exemplar naquilo que o povo quer de um presidente – no rigor, na
ética, na fiscalização. Mas falta lidar melhor com o Parlamento." (Não há uma contradição entre rigor, ética, fiscalização e
"lidar melhor com o Parlamento"?).
Na prática, a entrevista de Alves a Veja é um pedido escancarado
para que Dilma ceda ao fisiologismo. De certa forma, funciona até como um
elogio à presidente, ao demonstrar que ela conseguiu aprovar os projetos que
considerava estratégicos, como a MP dos Portos, sem recorrer à compra de apoios
parlamentares.
Neste fim de semana, o Datafolha apontou
leve queda na popularidade da presidente, mas ela ainda segue favorita à
reeleição. Evoluir na direção proposta por Henrique Eduardo Alves, ao que tudo
indica, não trará nenhum ganho à sua imagem e poderá até corroê-la. Postado por
Marcos Imperial.
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Marcos Imperial