Kátia vê no programa
federal a oportunidade de tratar os mais carentes (Foto: Marcello
Palhais/Diário SP). Duas médicas do grupo de 45 profissionais que passará
a atuar em São Paulo revelam porque encararam desafio do programa Mais Médicos.
Beatriz da Costa Thome
tem 35 anos, estudou em uma universidade pública da capital, já trabalhou em
Moçambique, Quênia, Congo, Ruanda e Costa do Marfim, na África, e em Seattle e
Nova York, nos Estados Unidos. Agora ela vai atuar em São Paulo. Kátia Regina
Marquinis tem 39 anos, estudou em uma faculdade pública do interior, trabalhou
quase toda carreira na capital e, em breve, estará em São Bernardo do Campo, na
região do ABC.
Ambas fazem parte do
grupo de 45 médicos que passará a atender em setembro na capital e demais
regiões do estado de São Paulo pelo programa Mais Médicos do governo federal.
A primeira é pediatra
especializada em saúde pública e, a segunda, é oftalmologista com
especialização em uveítes (inflamações em diversas estruturas do olho,
associadas a outras doenças).
Apesar das diferenças,
ambas têm algo em comum: a vontade de retribuir a oportunidade de ter cursado
medicina em uma instituição pública prestando atendimento às camadas mais
pobres e vulneráveis da sociedade.
SONHO
Após se formar e fazer
residência na Escola Paulista de Medicina, Beatriz se inscreveu em um programa
da Universidade de Columbia, dos EUA, para tratar de crianças em Moçambique,
onde 16% da população têm Aids. “Além de problemas de saúde corriqueiros, me
especializei em HIV.”
Foram quatro anos e, em
seguida, a pediatra foi fazer um mestrado nas duas cidades norte-americanas. Há
seis meses ela retornou ao Brasil, mas retornava à África em viagens
esporádicas. Quando soube do Mais Médicos, não teve dúvida em inscrever-se.
“O SUS é um modelo visto
como exemplo no exterior, mas aqui é pouco valorizado. Como trabalhei muito
tempo fora, sempre quis ver o sistema de saúde fortalecido no Brasil, que é a
nossa solução. É um desafio, mas a saúde precisa chegar a quem vive em locais
mais distantes”, diz. Ela escolheu São Paulo pela família, mas a segunda opção
era o Distrito Sanitário Especial Indígena do Xingu.
‘Como cidadã brasileira
decidi fazer minha parte’
Kátia Regina Marquinis
fez medicina na Faculdade de Medicina de Jundiaí, mas, assim que se formou,
veio para São Paulo para cursar o período de residência no Iamspe (Instituto de
Assistência Médica ao Servidor Público Estadual). Lá, começou a se especializar
em cardiologia, mas resolveu mudar de área e optou, depois, por oftalmologia.
Pediatra Beatriz Thome é
mestre em saúde pública e já trabalhou em vários países (Foto: Alexandre
Moreira/ Diário SP).
Dentro dessa
especialidade, Kátia se aprofundou em uveítes porque normalmente há outras
doenças associadas à inflamação nos olhos e, por esse motivo, ela também
precisava ter um denso conhecimento de clínica geral, com a qual tinha
afinidade. “Gostei muito da área pois precisava tratar quase todo tipo de
doenças mais comuns, como tuberculose e hipertensão”, explica.
A oftalmologista também
sempre teve gosto por ensinar e aprender e, por isso, tornou-se preceptora
(professora médica que ensina os residentes) voluntária do Iamspe. Depois desse
período, Kátia foi trabalhar em um hospital privado com um setor filantrópico
(que atende pelo SUS), onde ela também foi preceptora. “Ali eu percebi a
demanda por médicos, as filas enormes na espera por atendimento”, conta. “Mas
era algo que já vinha me incomodando, sempre tive isso dentro de mim e vi no
Mais Médicos a oportunidade de atender a população mais carente do entorno da
Grande São Paulo. Como cidadã brasileira decidi fazer minha parte oferecendo
meu trabalho a áreas onde há maior vulnerabilidade social.”
Maior parte das vagas não
foi preenchida
Lançado em 8 de julho, o
Mais Médicos quer melhorar o atendimento no SUS, acelerar os investimentos em
infraestrutura nas unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões
carentes do país. A bolsa federal é de R$ 10 mil. Mas, até agora, só 938 das
15.460 vagas que os municípios informaram precisar foram preenchidas. Postado
por Marcos Imperial, via Filipe Sansone, Diario
de SP.
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Marcos Imperial