Entre as medidas apresentadas
estão obras de infraestrutura hídrica, estratégias de apoio e fortalecimento da
agropecuária, além de ações como a construção de cisternas, poços artesianos e
a instalação de dessalinizadores.
“Cumprimos nosso papel de
buscar integração com órgãos do Governo Federal, entes municipais, prefeituras
e a sociedade civil. O objetivo é traçarmos, juntos, um diagnóstico da situação
atual da infraestrutura e da segurança hídrica do Estado para nos prepararmos
adequadamente”, disse a governadora.
Segundo Fátima Bezerra, o
objetivo central é fortalecer a segurança hídrica nos municípios mais
vulneráveis, com prioridade para o abastecimento humano, além de integrar ações
estruturantes e medidas emergenciais. Atualmente, o Rio Grande do Norte tem 125
municípios com decretos de emergência reconhecidos, sendo 30 em situação de
seca extrema e 58 em seca grave.
“Em alguns municípios, a
preocupação deixa de ser a escassez e passa a ser, com a chegada das chuvas e o
acompanhamento do nível dos açudes e barragens. O fato concreto é que o Governo
está atento e não está sozinho. O Estado trabalha lado a lado com o Governo
Federal, prefeituras e sociedade civil para implementar ações objetivas de
prevenção e preparação da nossa infraestrutura hídrica”, afirmou.
Sobre o planejamento estratégico
estadual e as ações de convivência com a estiagem, o secretário estadual de
Recursos Hídricos, Paulo Varella, detalhou que o Governo do Rio Grande do Norte
já investiu R$ 1,3 bilhão em infraestrutura hídrica entre 2019 e 2025. Entre as
obras concluídas, destaca-se a Barragem de Oiticica, com capacidade de 742,6
milhões de metros cúbicos (m3), além da Adutora do Agreste Potiguar,
que segue em avanço e deve beneficiar cerca de 500 mil habitantes, levando água
para 38 municípios da região.
O Governo do Estado também
ampliou a perfuração de poços, com mais de 600 unidades perfuradas ao longo da
atual gestão, sendo 250 entregues apenas em 2025. Outra ação estruturante é o
programa Açude Mais Seguro, que prevê a recuperação de barragens antigas. Das
28 selecionadas, 14 já tiveram as obras concluídas com recursos próprios.
Dados do Igarn indicam que os reservatórios do RN acumulam atualmente cerca de 1,93 bilhão de metros cúbicos de água, o equivalente a 36,41% da capacidade total. As quatro maiores barragens concentram mais de 80% desse volume. “A nova configuração climática impõe desafios imensos. O que funcionava no passado não serve mais para o futuro; hoje, precisamos de uma infraestrutura muito mais robusta. O Rio Grande do Norte vem se preparando de forma inédita para conviver efetivamente com o clima semiárido. Não basta a percepção da escassez; é preciso reservar água e ter capacidade técnica para transportá-la”, complementou o secretário de Recursos Hídricos.
Obras federais no RN
Giuseppe Serra, secretário
nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento
Regional (MIDR), abordou o alinhamento estratégico entre o Governo Federal e o
Rio Grande do Norte para a gestão de recursos hídricos por meio do Novo
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele ressaltou que a iniciativa
prevê um investimento direto em infraestrutura da ordem de R$ 3,51 bilhões no
programa “Água para Todos”.
Segundo ele, os recursos estão
distribuídos entre os estados beneficiados pela transposição do Rio São
Francisco (Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte) e incluem a
ampliação da capacidade de bombeamento no Eixo Norte. “Dois novos conjuntos motobomba
estão em instalação em Pernambuco para beneficiar quatro estados da região.
Essa estrutura conecta-se diretamente ao Ramal do Apodi, que servirá como nova
porta de entrada das águas em território potiguar”, revelou.
O secretário ressaltou que as
obras do Ramal do Apodi já alcançaram 93% de execução e atenderão a região do
Alto Oeste. A água entrará no Estado pelo Túnel Major Sales, uma estrutura de
5,6 km com entrega prevista para o início de março. “A expectativa é que o
sistema esteja totalmente funcional até junho deste ano”, revelou.
O recurso hídrico reforçará as barragens de Oiticica e Armando Ribeiro Gonçalves através do leito natural do rio. A distribuição planejada abastecerá também as adutoras do Seridó e Seridó Sul.
Medidas emergenciais
No campo das ações emergenciais,
o Governo do Estado mantém a Operação Carro-Pipa e executa medidas de
assistência social, com a distribuição de mais de 41 mil cestas básicas em
municípios com reconhecimento federal de emergência.
Na área rural, seguem iniciativas
de apoio à agricultura e à pecuária, como a implantação de barragens
subterrâneas, perfuração de poços, o Programa de Forragem para preservação do
rebanho e articulações com o Governo Federal para a redução do preço do milho
da Conab, renegociação de dívidas e ampliação do crédito emergencial via
Pronaf.
O Estado também registra adesão recorde ao Garantia-Safra 2024-2025, com mais de 37 mil agricultores inscritos em 138 municípios. Paralelamente, o Programa Banco de Sementes 2026 já iniciou a distribuição de mais de 820 toneladas de grãos, com investimento superior a R$ 18 milhões.
Previsão do tempo
A Empresa de Pesquisa
Agropecuária do RN (Emparn) prevê que as chuvas para o trimestre de fevereiro a
abril de 2026 ficarão dentro da normalidade. Os modelos meteorológicos indicam
um volume de aproximadamente 500 mm na região Leste e cerca de 400 mm na região
Central.
O meteorologista Gilmar Bistrot afirma que o quadro de seca registrado em 2025 não se repetirá neste ano. “É claro que a meteorologia e a climatologia são dinâmicas; as coisas mudam e as previsões podem melhorar. Teremos os meses de março e abril com mais chuva. O ano de 2025 realmente foi uma situação que impactou muito negativamente o clima, as reservas hídricas e a agricultura, trazendo prejuízo para todo o sistema”, relatou.
Ordem de serviço da Barragem Angicos
Durante a agenda, a governadora
Fátima Bezerra e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)
assinaram a ordem de serviço para as obras na Barragem Angicos, com
investimento de R$ 9 milhões e recursos do Ministério da Integração e
Desenvolvimento Regional. A obra será fundamental para a chegada das águas da
transposição do Rio São Francisco, via Ramal do Apodi, beneficiando a Paraíba,
o Ceará e o Rio Grande do Norte. O açude possui capacidade de armazenamento de
3,5 milhões de metros cúbicos.
A reunião contou com a participação dos secretários Cadu Xavier (Fazenda), Guilherme Saldanha (Agricultura), Alan Silveira (Desenvolvimento Econômico), Alexandre Lima (Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar) e Luciano Santos (Assuntos Federativos); de Sérgio Rodrigues, diretor-presidente da Caern; de Procópio Lucena, do Igarn; e do tenente-coronel Fonseca, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil. Pelo Governo Federal, participaram Giuseppe Serra, secretário nacional de Segurança Hídrica; Luiz Hernani de Carvalho Júnior, diretor de Infraestrutura Hídrica do DNOCS; Leonlene Aguiar, superintendente da Codevasf; Henrique Bernardes, diretor da Área de Desenvolvimento e Infraestrutura da Codevasf; e Manoel de Freitas Neto, superintendente federal de Agricultura no Rio Grande do Norte. Representando os municípios, estiveram presentes os prefeitos Raimundo Pezão (Umarizal), Ivanildinho Albuquerque (Timbaúba dos Batistas) e Aíze Bezerra (João Câmara); e Gugu, vice-prefeito de Serra de São Bento. Além disso, participaram representantes de diversos outros municípios potiguares.
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