Uma virada histórica na educação pública brasileira: a taxa de abandono escolar no ensino médio despencou para 2,5%, registrando uma queda de 34% em comparação a dois anos atrás (quando o índice era de 3,8%).
Os dados são do Censo Escolar, divulgados oficialmente pelo Ministério
da Educação (MEC). Essa é a menor taxa de abandono registrada desde 2007,
ano em que o governo federal começou a série histórica desse indicador.
Se olharmos para um cenário de médio prazo, o avanço é ainda mais impressionante: entre 2022 e o cenário atual, o abandono nas escolas públicas do país caiu 61%.
O raio-x dos novos números da educação
A melhora nos indicadores não ficou restrita apenas aos alunos mais
velhos. O Censo Escolar mostrou um avanço generalizado no rendimento dos
estudantes brasileiros:
- Ensino Médio: O abandono caiu para a marca histórica de 2,5%.
- Ensino Fundamental (Anos Finais): O abandono recuou de 1,4% para 1%.
- Menos Reprovação: Nos anos finais do fundamental, a taxa de reprovação despencou de
5,4% para 3,3%.
- Resgate de Alunos: O índice de estudantes que deixavam de se matricular de um ano para o outro caiu 28%. Na prática, isso significa que cerca de 250 mil jovens foram salvos da evasão e continuam estudando.
Sul e Centro-Oeste lideram a mudança
A rejeição às salas de aula diminuiu em absolutamente todas as regiões
do Brasil, mas alguns estados se destacaram:
- Região Sul: Teve o impacto mais expressivo, cortando o abandono de 4,6% para 2,0%.
- Região Centro-Oeste: Consolidou-se com o menor índice do país, registrando apenas 1,2%
de abandono.
- Nordeste e Norte: Mantiveram a curva de queda, fixando-se em 2,1% e 2,3%,
respectivamente.
- Região Sudeste: Apresentou melhora gradual, alcançando a marca de 3,2%.
O papel do Pé-de-Meia (e as polêmicas de bastidores)
O grande motor por trás dessa transformação foi o Programa Pé-de-Meia.
Funcionando como uma espécie de "poupança do ensino médio", o
programa do governo federal dá incentivos financeiros mensais e anuais para
estudantes de baixa renda (inscritos no CadÚnico) que mantêm a frequência
escolar alta e participam do Enem. O bolso pesou a favor dos livros.
No entanto, especialistas apontam que o sucesso também tem outros
ingredientes:
- Políticas Locais: Muitas secretarias estaduais flexibilizaram as regras de aprovação (como a progressão parcial, onde o aluno passa de ano mesmo devendo alguma matéria), diminuindo a reprovação em massa.
- O Debate Fiscal: O Pé-de-Meia virou um gigante que custa cerca de R$ 12 bilhões
por ano, consumindo dois terços da verba livre do MEC. O desafio agora
é equilibrar esse investimento sem sufocar outras áreas essenciais, como a
expansão das escolas em tempo integral.
O fato é que o bolso e a sala de aula se alinharam, gerando o melhor
cenário educacional em quase duas décadas. Por Mali!
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Marcos Imperial