O Governo do Rio Grande do Norte veio a público contestar duramente os números divulgados pelo Ministério Público (MPRN) sobre a crise na saúde. Segundo a gestão estadual, a informação de que a Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP) acumula uma dívida de quase R$ 700 milhões em restos a pagar "não procede".
Abaixo, explicamos o que está por trás dessa guerra de
números entre o governo e os órgãos de fiscalização.
O contra-ataque do Governo: Quanto a SESAP realmente
deve?
Em nota oficial conjunta enviada pelas secretarias de Saúde
(SESAP) e da Fazenda (SEFAZ), o governo atualizou os dados e apresentou a sua
versão dos fatos:
- O valor real: O Palácio de Despachos de Lagoa Nova confirmou que o montante atualizado em restos a pagar processados é de R$ 545,31 milhões — cerca de R$ 150 milhões a menos do que o total apontado pelo MP.
- Mais
de R$ 400 milhões pagos: A SEFAZ garantiu que, apenas ao longo deste
ano, o Estado já injetou mais de R$ 400 milhões para quitar passivos da
saúde.
- Burocracia
contábil: De acordo com o Estado, os saldos remanescentes que aparecem
nos portais de transparência decorrem de trâmites internos de
regularização contábil e financeira, além de sequestros judiciais de
verbas.
O que dizia o relatório do Ministério Público?
A polêmica começou após um despacho da 47ª Promotoria de
Justiça de Natal, baseado em dados do Laboratório de Orçamento e Políticas
Públicas (LOPP). O órgão apontava:
- R$
695,8 milhões em restos a pagar (serviços já prestados por
fornecedores, mas não quitados).
- R$
29,2 milhões em novas dívidas geradas apenas no primeiro quadrimestre
deste ano.
- Impacto
na ponta: O MP alegou que esse bloqueio de recursos estaria provocando
desabastecimento de remédios na Unicat, falta de insumos e até suspensão
de cirurgias eletivas no Hospital Walfredo Gurgel.
E agora, o que acontece?
Para selar a paz e alinhar as metodologias de cálculo, uma
audiência de conciliação foi convocada com a presença da SESAP, SEFAZ, SEPLAN e
os promotores de Justiça. O objetivo é criar um cronograma permanente e
transparente para o fluxo de caixa da saúde, evitando que a divergência de
dados prejudique o atendimento à população. Por Mali.
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Marcos Imperial