Mendonça ignorou por 6 meses
pedido da PF para Coaf revelar “autoridade” paga por Vorcaro
Uma inércia judiciária de seis
meses por parte do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, é o
novo ponto de aparente absurdo no interminável terremoto que sacode a Corte nos
últimos dias. Desde o dia 10 de março de 2026, repousava sem qualquer despacho
em seu gabinete um requerimento formal encaminhado pela Polícia Federal. O
pleito das autoridades policiais solicitava uma medida direta: que o magistrado
determinasse ao Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) o envio integral de
um relatório de inteligência financeira, no qual o órgão de controle havia
tarjado e ocultado a identidade de uma alta autoridade dotada de foro por
prerrogativa de função que vinha sendo contemplada com repasses financeiros
procedentes do ecossistema do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A existência dessa solicitação
parada veio à tona após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspender o
sigilo dos autos que tramitavam de forma reservada. O levantamento do segredo
de justiça foi o desfecho de uma dramática rodada de pressões e confrontos
institucionais pelos corredores da Corte, deflagrada após Fachin pautar o
julgamento de um procedimento que pode culminar na abertura formal de inquérito
contra o ministro Alexandre de Moraes.
A publicidade dos documentos atendeu a uma exigência incisiva feita pelo próprio Moraes em documento endereçado à presidência do STF no domingo. A movimentação gerou perplexidade nos bastidores do Judiciário, uma vez que o processo em questão não estava sob a relatoria de Moraes nem registrava andamento visível no sistema da Procuradoria-Geral da República. Permanece sem explicação oficial a forma como Moraes tomou conhecimento de um inquérito sigiloso e soube que o conteúdo mantido no gabinete de Mendonça continha elementos classificados por ele como indispensáveis para a sua defesa no julgamento iminente. Via Revista Forum
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Marcos Imperial