quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

PR: Demarcação de áreas em Guaíra volta à pauta com desinformação e ato anti-indígena

(Foto: Júlio Carignano)
Fazendeiros proibiram o acesso de políticas públicas de moradia em comunidade
Por Júlio Carignano
Do Brasil de Fato

A demarcação de terras em Guaíra, no Oeste do Paraná, voltou ao debate nos últimos dias devido a reações hostis de grupos contrários aos direitos das comunidades indígenas.  A Justiça Federal já determinou que as demarcações devem ocorrer, uma vez que a região é historicamente habitada por povos originários . No mês de outubro, o Ministério da Justiça e a Fundação Nacional do Índio (Funai) foram intimados a prestar esclarecimento sobre a paralisação de atividades de grupos de trabalhos que fazia o estudo demarcatório na região de Guaíra.
A Justiça Federal determinou que o prazo para a conclusão do estudo é 31 de dezembro de 2018 e tem promovido audiências entre indígenas, produtores rurais, prefeituras, governos estadual e federal, e empresas públicas, como a Itaipu, em busca de conciliação para a disputa. Nas últimas semanas, técnicos da Funai estiveram em Guaíra e Terra Roxa para fazer o levantamento fundiário da região em estudo, afim de dar sequência no processo. A realização do estudo de identificação e a delimitação da área é somente a primeira etapa do processo de demarcação, que ainda passará pelas fases de contestações e direito ao contraditório, declarações de limites, demarcação física, homologação e registro como patrimônio público da União.
Para compreender a situação envolvendo a questão territorial no Oeste do Paraná, em especial em Guaíra, é preciso voltar ao tempo da colonização forçada na região por meio de empresas colonizadoras, que resulta do esbulho de territórios de comunidades estabelecidas às margens do Rio Paraná.
As terras reivindicadas como ancestrais pelos Avá-Guarani e que estão no processo de demarcação determinado pela Justiça Federal envolvem títulos originais da Companhia Matte Laranjeira e da Fundação Paranaense de Colonização e Imigração (FPCI), datados de 1912 e 1961 respectivamente. Esses títulos foram cedidos irregularmente pelo Governo do Paraná para colonos, como se fossem terras devolutas, ignorando a presença de comunidades indígenas na região. Desde a fundação da cidade, os indígenas foram a principal fonte de mão de obra, responsáveis pelo funcionamento da linha férrea entre Guaíra e Porto Mendes e trabalhando para os colonos que chegaram à região.
Neste caso, o pagamento de indenizações aos proprietários de “boa fé” seria de responsabilidade do Governo do Paraná, que na época repassou de forma irregular os títulos durante o processo de assentamento de colonos vindos de outras regiões do Estado. À Funai realiza o pagamento das benfeitorias, como cercas, construções e plantações permanentes. Os órgãos públicos envolvidos tem procurado encontrar mecanismos para pagamento dos títulos, com intermediação Ministério Público Federal.
Apesar de todo processo histórico, a retomada dos Avá-Guarani de seus territórios tradicionais no Oeste do Paraná acirrou nos últimos anos um conflito fundiário de grandes proporções alimentado por muito preconceito e desinformação. Com o intuito de criar um clima de pânico na população, setores do agronegócio começaram a plantar informações que nunca estiveram no processo de estudos e identificação da Funai, especialmente em relação a área que será delimitada para demarcação.
No início do processo, entidades ruralistas e ONGs que propagam defender o “direito à propriedade” chegaram a afirmar que a Funai pretendia demarcar 100 mil hectares de terra, em uma extensão compreendida entre as cidades de Guaíra e Foz do Iguaçu. Esse número fantasioso chegou a ganhar eco em discursos de políticos do Oeste do Paraná ligados a bancadas ruralistas, como o deputado estadual Elio Rusch (DEM), o deputado federal Nelson Padovani (PSDB) e o senador Sergio Souza (PMDB).
Atualmente, a tática usada pelos grupos contrários à demarcação é de que os estudos da Fundação Nacional do Índio incluem áreas urbanas de Guaíra, em especial nas periferias, como forma de colocar a população mais pobre do município contra os Guarani.  O presidente do Sindicato Rural de Guaíra, Silvanir Rosset, garante que “30% de todo o território da cidade será demarcado”.
“Através da mídia, os grandes proprietários conseguiram mudar a opinião da sociedade e a toda população começou a nos olhar como bandidos. O sindicato rural coloca medo nos pequenos produtores, nas pessoas pobres, espalha mentiras que vamos tomar várias terras. Que vamos invadir a cidade”, diz Ilson Soares, da aldeia Y’Hovy, em Guaíra.
Manifestação anti-indígena
Esse tipo de informação não oficial é alimentada em grupos de Whatszap e nas redes sociais e estão sendo utilizadas nos últimos dias como forma de mobilizar os moradores da cidade para uma manifestação programada para acontecer nesta quarta-feira (5), a partir das 13h, no centro de Guaíra. Contrários ao estudo demarcatório, ruralistas, empresários e vereadores da cidade convocaram a manifestação anti-indígena como um “ato pacífico em defesa da propriedade”.
A presidente da Câmara de Vereadores de Guaíra, Elza Romoda (PT), é uma das lideranças que encabeçam esse movimento. Por meio de um vídeo divulgado em sua rede social, Elza conclama moradores, comerciantes e proprietários para o ato. Ela afirma com convicção que “pessoas irão perder suas casas com as demarcações”. Os vereadores Sandro Sabino Borges (PP), Marlene Dallacosta (PTB) e Ligia Lumi Suga (DEM) também gravaram vídeos para o ato anti-indígena.
No fim da tarde de terça-feira (5), a Prefeitura de Guaíra divulgou nota manifestando que está buscando soluções para os conflitos fundiários na cidade, além de apoio à manifestação. “O prefeito [Heraldo Trento] é contra o atual modelo demarcatório e entende que toda e qualquer solução deve compreender modelos que contemplem os interesses, sem prejuízo de ninguém”, diz trecho da nota.
Ruralistas impediram doações em aldeias
Uma demonstração da hostilidade contra os Avá-Guarani aconteceu na segunda-feira (4) quando moradores de Guaíra, liderados por fazendeiros, impediram que políticas públicas chegassem até as comunidades. Cerca de 100 pessoas bloquearam a entrada do tekoha Y’Hovy, aldeia próxima ao bairro Eletrobras. “Eles cercaram as entradas e tentaram invadir a aldeia pelos fundos”, comenta Ilson Soares. https://www.carosamigos.com.br/index.php/cotidiano/11466-pr-demarcacao-de-areas-em-guaira-volta-a-pauta-com-desinformacao-e-ato-anti-indigena

Agenda de hoje do Deputado Mineiro (PT)

INSS NATAL MUDANÇA DE ENDEREÇO DE AGÊNCIA NATAL-NORTE

imprensa-topo.jpg

COMUNICADO À IMPRENSA E POPULAÇÃO EM GERAL

A Agência da Previdência Social Natal-Norte suspenderá o atendimento ao público nesta quinta e sexta-feira, tendo em vista a mudança para um novo endereço.

A agência estará funcionando normalmente, inclusive, os atendimentos agendados  anteriormente, na Rua Marcílio Dias, 265, Igapó, a partir da  próxima segunda-feira (11), em instalações mais confortáveis para os servidores e a clientela previdenciária.

CONTATO PARA ENTREVISTA
Seção de Comunicação Social
3216-5317 / 3216-5020

Senadora Fátima pede arquivamento imediato de portaria que dificultou combate ao trabalho escravo


Em audiência com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta quarta-feira (06), a senadora Fátima Bezerra sugeriu que fosse arquivada definitivamente a Portaria 1129, que altera procedimentos de combate ao trabalho escravo no Brasil, facilitando a prática deste crime no país. Fátima lembrou que as regras da portaria atentam contra a cidadania e ferem diretamente os direitos dos trabalhadores.

A portaria está suspensa por liminar da ministra Rosa Weber, do STF, que, na decisão, considerou as medidas restritivas e contrárias à legislação brasileira, convenções internacionais e decisões da própria Justiça. A própria Procuradoria Geral da República também se posicionou pelo arquivamento da portaria por entender que, “ao adotar conceito de trabalho escravo restrito à proteção da liberdade e não da dignidade humana, a portaria fere a Constituição”. 

As regras que o governo quer impor determinam que jornadas extenuantes e condições degradantes, contrariando a lei, só seriam consideradas trabalho análogo à escravidão se houver restrição de locomoção ao trabalhador. Entre outras coisas, o texto também dificulta o acesso à chamada lista suja de empregadores flagrados por trabalho escravo no país, já que ela teria que passar pelo crivo do ministro e não divulgada pelo corpo técnico do ministério como acontece hoje. A fiscalização também só poderia ser feita se os fiscais estivessem acompanhados de policiais.

Fátima destacou que nos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma, o Brasil apresentou grande avanço no combate ao trabalho escravo, o que possibilitou, por exemplo que, nos últimos 14 anos, oito mil trabalhadores, apenas no Maranhão, estado que mais tem denúncias sobre trabalho escravo, fossem libertados.

Fátima lembrou ainda que foi tão “infeliz” a portaria que provocou forte reação da sociedade e manifestações de várias entidades, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Ministério Público (MPT) e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Comissão da Pastoral da Terra da CNBB. “A quem interessa uma portaria dessas?”, questionou a senadora.

Acompanhe ao vivo na Assembleia Legislativa do RN. O lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

LULA: EM ALGUM PAÍS DO MUNDO O GÁS DE COZINHA CUSTA R$ 105?

ABr | José Eduardo Bernardes
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira, 6, o pólo avançado do Instituto Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes; em discurso, Lula criticou a política econômica do governo de Michel Temer, que tem prejudicado principalmente a população mais pobre; "Fiquei oito anos na Presidência e não aumentei o gás de cozinha uma única vez. O Temer, em sete meses, já aumentou 68%. Tem lugar do país onde o gás já está custando R$ 105. É um produto da cesta básica. Não pode ser aumentado desse jeito", disparou o ex-presidente; Lula criticou os cortes do atual governo nos institutos e universidades federais; "Nós transformamos o Estado em fiador do jovem brasileiro. Não tem investimento mais sagrado para um país crescer do que a Educação".

Rio 247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira, 6, o pólo avançado do Instituto Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes. 
Em discurso, Lula criticou a política econômica do governo de Michel Temer, que tem prejudicado principalmente a população mais pobre. "Fiquei oito anos na Presidência e não aumentei o gás de cozinha uma única vez. O Temer, em sete meses, já aumentou 68%. Tem lugar do país onde o gás já está custando R$ 105. É um produto da cesta básica. Não pode ser aumentado desse jeito", disparou o ex-presidente.
"O gás de cozinha aumentou mais uma vez essa semana. Agora eu pergunto: quando foi a última que aumentaram o salário do professor?", questiona o ex-presidente. "No meu governo eu não deixava aumentar o preço do gás de cozinha, pois ele faz parte da cesta básica", acrescentou Lula. 
O líder petista disse ainda que um governo "que não é legítimo" e um governo de "incompetentes" está entregando o Brasil. "Fizeram uma PEC proibindo o gasto em educação por 20 anos. E vocês já sabem que a educação nos institutos federais já está sofrendo. As universidades federais do Rio já estão quase todas caindo aos pedaços", afirmou. 
Durante a visita, Lula criticou os cortes do atual governo nos institutos e universidades federais. "Nós transformamos o Estado em fiador do jovem brasileiro. Já eles emprestam bilhões para as empresas e não podem emprestar pra bolsa de estudos. Não tem investimento mais sagrado para um país crescer do que a Educação", avaliou.
Para Lula, o sucateamento das universidades representa uma ameaça ao futuro do país." Para a universidade pública ter qualidade tem que ter dinheiro. Tem que fazer concurso, pagar salário digno, ter laboratório. Na hora que tivermos milhões de engenheiros, de médicos, de professores, esse país vai melhorar. Ainda falta muito pra fazer em se tratando de Educação", ponderou.
O ex-presidente citou a descoberta do Pré Sal, evento que só ocorreu graças aos investimentos em ciência e tecnologia realizados durante os governos petistas. "Se a gente não tivesse investido em pesquisa, não teríamos encontrado o Pré Sal. Se não tivesse investido em tecnologia, não conseguiríamos extrair o petróleo", exemplificou. "Esse país não pode ser só exportador de petróleo e minério de ferro, ele tem que exportar conhecimento".
Trajetória
A uma plateia formada por estudantes, Lula relembrou a trajetória que o levou à Presidência e destacou que sua formação profissional foi fundamental. "Minha mãe teve 12 filhos, quatro morreram. Dos oito, fui o primeiro a ter um diploma primário. Por conta desse diploma, fiz o Senai e passei a ganhar um salário muito maior do que todos os outros irmãos. Fui o primeiro a ter uma geladeira, carro, casa... e me tornei presidente", contou, ao destacar que, justamente por não ter diploma universitário, dedicou-se tanto à universalização do acesso ao ensino superior.


Assista ao discurso do ex-presidente Lula: 

O pior Congresso da história quer tirar os seus direitos

avcongres
Os números mostrados hoje pelo Datafolha são indicadores de situações importantes para pensar o que vem por aí, até que as eleições – se permitirem que sejam livres – possam reorganizar o país.
A rejeição à atuação dos parlamentares deu um salto com na época do deprimente espetáculo da votação do impeachment, sob a batuta de Eduardo Cunha, passando de 32% para 50% e não parou de aumentar, atingindo 60%, agora. Aprovação, tal como Temer, apenas 5%.
É com este grau de legitimidade rente ao chão que Governo e Legislativo preparam sua investida contra a Previdência.
Embora os sinais sejam de que haverá dificuldades – o governo admite que lhe faltam 56 votos e o PSDB faz o jogo do “apoio e crítica” – só o fato de isso estar sendo considerado já é suficiente para caracterizar como um golpe ilegítimo nos direitos do trabalhador e não uma solução minimamente debatida e socialmente aceita para os problemas da Previdência.
Mostra, também, como é falsa a versão do Governo de que há compreensão pública do tema e que, portanto, isso não se refletirá na reeleição dos parlamentares que se acumpliciarem a este saque aos nossos direitos.
Em 1993, com um grau de rejeição um pouco menor (56%) ,a taxa de renovação do parlamento chegou a 54,28% das cadeiras. O que aponta para algo em torno de 60%, agora: de cada dez deputados, seis não voltarão a Brasília e não é preciso esforço para imaginar que dar um voto “sim” a que você trabalhe ao menos mais cinco anos para ter acesso a sua aposentadoria será um forte elemento para definir quem fica sem mandato.
Não é à toa que Geraldo Alckmin escapou do fechamento de questão da bancada do PSDB, porque seria desmoralizante se ele evidenciasse que, nesta questão, não tem o apoio do partido. Idem o PSD, que fugiu do chamado de seu “líder”, Henrique Meirelles.
O quadro de “faz-de-conta” está difícil de sustentar. Veja a contagem que publica hoje Ricardo Noblat, cuja simpatia “reformista” é conhecida:
O PMDB tem 63 deputados. O governo, se muito, contará com 30 deles para aprovar a reforma. O PSDB tem 49 deputados. Sequer 10 deles votarão a favor. No PR, com pouco mais de 40 deputados, o governo tem menos de 10 votos.
É no PP que o governo está em melhor situação. Dos seus 44 ou 45 deputados, 19 poderão votar pela aprovação da reforma. O PTB fechou questão a favor. Dos seus 18 deputados, não mais do que nove ou 10 são considerados votos certos pela reforma.
Do total de 513 votos possíveis, o governo precisará de 342 para que a reforma passe na Câmara. Até ontem, ele não tinha mais do que 100.

Que seja o dobro, que seja o triplo, não chega para aprovar.
A menos que uma verbinha liberada valha o suicídio, isso não vai se reverter em uma semana. http://www.tijolaco.com.br/blog/o-pior-congresso-da-historia-quer-tirar-os-seus-direitos/

Natal receberá Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional



Depois de ser lançada em diversas capitais do país, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional (FPMDSN) chegará a Natal nesta quinta-feira (7) em ato que será realizado às 9h30, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. O encontro, promovido pelo mandato da senadora Fátima Bezerra, em parceria com o mandato do deputado Fernando Mineiro, Frente Brasil Popular/RN, Adurn Sindicato e Associação dos Juristas Potiguares pela Democracia, contará com a presença do senador Roberto Requião (PMDB/PR), que é presidente da FPMDSN.
 
O objetivo da Frente, disse Requião, é "reunir não apenas o Congresso, e sim todo o país, em defesa dos interesses nacionais, fortemente agredidos pelo atual governo da República".
 
O senador listou exemplos da "investida contra a soberania nacional". Entre eles, a venda de terras para estrangeiros sem qualquer limite, a venda a preços irrisórios do petróleo da camada pré-sal, a submissão absoluta à globalização financeira, a cessão da base de Alcântara, a desindustrialização do país, tornando o Brasil mero produtor de commodities minerais e agrícolas, as reformas trabalhista e previdenciária, precarizando os direitos dos trabalhadores para oferecer mão de obra barata às multinacionais.
 
Para Requião, o "entreguismo" do governo Temer é explícito e caso não seja combatido acabará transformando o Brasil em um simples "estado associado", como Porto Rico em relação aos Estados Unidos.
 
O lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional, que tem apoio de 18 senadores e 201 deputados, ocorreu em junho passado, na Câmara dos Deputados.
 
Com informações da Agência Senado

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

“Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – Dados 2016”. ‘HÁ UM GENOCÍDIO DOS ÍNDIOS NO BRASIL’!

Maia Rubim/Sul21
Relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – Dados 2016” do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou que, só em 2016, foram 118 mortes, 106 suicídios e 735 casos de mortalidade infantil; advogado Dinamam Tuxá, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, faz um alerta: “Há uma verdadeira prática de genocídio dos povos indígenas pelo Estado brasileiro, com a mão do Judiciário, do poder de polícia, do Executivo e do Legislativo”.


Marco Weissheimer, Sul 21 - No dia 5 de outubro deste ano, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançou o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – Dados 2016” denunciando que o recrudescimento da ofensiva sobre os direitos indígenas traduziu-se em graves ações de violência e violações em todo o país. Segundo o relatório, só em 2016, foram 118 mortes, 106 suicídios e 735 casos de mortalidade infantil. Na apresentação do relatório, Dom Roque Paloschi, presidente do Cimi, disse que, a partir de abril de 2016, “uma onda de ódio e de rancor contra os indígenas se avolumou como resultado do cinismo de um governo golpista, no interior do qual encontraram guarida certas estratégias voltadas para a expropriação das terras indígenas”.

Políticos reacionários, sob o comando de Michel Temer, acrescentou o arcebispo de Porto Velho, passaram a agir para impedir que órgãos de Estado responsáveis pela execução de ações e serviços junto às comunidades indígenas atuassem. “Este tipo de intervenção tornou possível a propagação tanto de agressões, como ameaças de morte, ataques contra comunidades indígenas, assassinatos, invasões de madeireiros e devastação das florestas, dentre tantas outras, como das renovadas formas de propagação da intolerância”, assinalou. De lá para cá essa situação de violência só se agravou. Praticamente todos os dias, há relatos de algum caso de violência envolvendo comunidades indígenas.

“Há uma verdadeira prática de genocídio dos povos indígenas pelo Estado brasileiro, com a mão do Judiciário, do poder de polícia, do Executivo e do Legislativo”, diz o advogado Dinamam Tuxá, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, que esteve em Porto Alegre na última semana participando do II Encontro Regional de Estudantes Indígenas da Região Sul e do Encontro Estadual da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap).

Em entrevista ao Sul21, Dinamam Tuxá falou sobre a ofensiva liderada por ruralistas e políticos conservadores contra comunidades indígenas em todo o país. “Nós responsabilizamos o Estado brasileiro por esse massacre. Ele está ocorrendo com o aval do Judiciário, denuncia.

Sul21: Qual a situação atual das políticas indígenas no Brasil?

Dinamam Tuxá: Os povos indígenas vêm sofrendo diversos tipos de ameaças e violações de direitos humanos. Essas formas de violência estão institucionalizadas sob o comando do Congresso Nacional e se agravaram após a ruptura com a nossa democracia. Hoje, temos uma bancada no Congresso que apoia e patrocina o movimento de avanço sobre terras indígenas. Após o golpe de Estado, essa bancada conseguiu avançar com suas pautas reacionárias. Essas pautas vêm difundindo a cultura do ódio, principalmente contra os povos indígenas. Isso se reflete dentro das terras indígenas. Houve um avanço significativo de mortes e criminalização de lideranças. Houve um avanço significativo também da criminalização dos movimentos sociais como um todo.

Os povos indígenas, historicamente, vêm sendo massacrados. Ao longo da história, há alguns momentos em que esses massacres foram amenizados por meio de políticas públicas e do diálogo. Infelizmente, o cenário da conjuntura política atual é desolador. Há uma verdadeira prática de genocídio dos povos indígenas pelo Estado brasileiro, com a mão do Judiciário, do poder de polícia, do Executivo e do Legislativo. Nós responsabilizamos o Estado brasileiro por esse massacre. Ele está ocorrendo com o aval do Judiciário. A política nacional, ao se tornar uma política conservadora que não agrega as pessoas e não respeita a diversidade, acaba agravando ainda mais a violência contra os povos indígenas no Brasil.

Sul21: Quais são os projetos já aprovados ou que ainda estão tramitando no Congresso Nacional que retiram direitos dos povos indígenas?

Dinamam Tuxá: Um levantamento feito pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil no último ano identificou 103 medidas, na esfera do Executivo e do Legislativo, que atacam diretamente os povos indígenas. Essas medidas retiram e violam direitos, além de fomentar a cultura do ódio e também a prática do genocídio dentro das terras indígenas. Elas dão aval à entrada em terras indígenas de forma violenta e à mortandade de indígenas. Uma dessas medidas que seguimos combatendo é a PEC 215, que retira do Executivo e passa para o Legislativo a competência para a demarcação de terras indígenas. Merece destaque também a portaria 313, da AGU (Advocacia Geral da União), que obriga o Executivo a aplicar, a todas terras indígenas do país, condicionantes que o STF estabeleceu, em 2009, para a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A mais recente delas é a que estabelece um marco temporal para as demarcações de terra, uma teoria levantada no Supremo Tribunal Federal, segundo a qual só teriam direito à terra os povos que estivessem no local em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição Federal. Outra proposta que combatemos é a do arrendamento de terras indígenas, que está em permanente debate no Congresso Nacional, sem a participação dos povos indígenas, que serão os principais afetados por ela. Então, temos um conjunto de medidas administrativas do Executivo e medidas do Legislativo e do Judiciário que vem de encontro aos direitos dos povos indígenas, criminalizando as nossas lutas e promovendo um verdadeiro genocídio.

Sul21: Qual a capacidade de resistência dos povos indígenas brasileiros diante desta ofensiva conservadora?

Dinamam Tuxá: Nós conseguimos aliados dentro do Congresso Nacional e conseguimos debater em algumas audiências públicas. Por outro lado, entendemos que, ao debater algumas pautas dentro do Congresso Nacional, estamos legitimando o processo para o avanço delas lá dentro. Então, o nosso embate hoje, fundamentalmente, se dá com as auto-demarcações de terras indígenas e por meio do Acampamento Terra Livre, que é a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil. Esse ano reunimos mais de quatro mil indígenas em Brasília para debater e enfrentar essas violações de direitos de forma incisiva e propositiva. No âmbito prático, estamos apresentando nossas reivindicações em mobilizações nas BR’s e promovendo as auto-demarcações, mostrando que a nossa existência é gerada com muita resistência.

Sul21: Como é que se dá esse processo das auto-demarcações?

Dinamam Tuxá: A auto-demarcação ocorre quando o Estado brasileiro tem a obrigação de demarcar a terra indígena e não cumpre seu dever legal. Nós sabemos quais são os nossos marcos históricos e onde ocupamos tradicionalmente a terra. Reunimos as nossas lideranças, homens, mulheres, anciãos, crianças, jovens e estudantes, vamos para aquela área e a ocupamos por entender que ela é nossa de direito.

Sul21: Nos últimos meses, ocorreram vários massacres de comunidades indígenas em diferentes regiões do país. Você poderia falar um pouco mais sobre a extensão e a gravidade do que está acontecendo? O que a Polícia Federal, o Executivo e o Judiciário vêm fazendo para apurar esses massacres e identificar seus autores?

Dinamam Tuxá: Esses massacres são muito regionalizados. Nós temos massacres ocorrendo diariamente no Mato Grosso do Sul com os guaranis kaiowás e os terenas. No Nordeste, hoje inclusive, há um clima de comoção envolvendo o povo pitaguary que é alvo de uma ação de reintegração de posse. Há uma aliança entre bancadas de parlamentares e segmentos empresariais que violam direitos para tentar acessar terras indígenas e explorá-las. Nós temos também o caso dos tupinambás, na Bahia, que estão lutando há anos pela demarcação de suas terras. O agronegócio não permite e não aceita de forma alguma reconhecer um direito originário. Eles não querem cumprir o que está previsto na Constituição Federal.

Essas violências estão espalhadas pelas mais diversas regiões do país. O Judiciário vem legitimando as ações destes setores que têm interesse nas terras indígenas. E a Polícia Federal, como um braço do Estado, cumpre as decisões do Judiciário de forma truculenta e violenta. Nas ações de reintegração de posse, ela sempre chega de forma muito violenta, sem planejamento, sem diálogo e sem o reconhecimento da especificidade de cada caso. Simplesmente ela vem como um rolo compressor e acaba derrubando e destruindo casas e espaços sagrados dos povos indígenas. Essas violações estão ocorrendo com o aval do Estado e do Judiciário. O Judiciário faz parte do Estado, mas merece uma menção especial. É o poder que está faltando à República. Ele não está cumprindo o seu papel de garantidor de direitos e, por meio de sua omissão, também está praticando genocídio.

Sul21: Como você avalia a postura geral da sociedade diante deste quadro e em relação aos povos indígenas? Parece haver um misto de indiferença, preconceito e desinformação que não vem mudando ao longo dos anos.

Dinamam Tuxá: Eu acredito muito na humanidade e na sociedade, principalmente aqui no Brasil. Mas é público e notório que há uma falta de conhecimento da maioria das pessoas, que acaba absorvendo o que a mídia oficial ou a mídia de grande circulação acaba difundindo. Eles dizem que nós somos invasores de terra, difusores de violência, que praticamos a violência em prol do nosso território sagrado. A sociedade acaba sendo convencida por essa mídia de grande circulação, que tem lado e não é o lado dos povos indígenas, do meio ambiente e das comunidades tradicionais. O lado dela é o do capital e do poder econômico.


O nosso modelo incomoda, pois nós conseguimos sobreviver com o mínimo, preservando o meio ambiente. É público e notório que as terras indígenas são as áreas mais bem preservadas do Brasil e a sociedade não tem conhecimento disso. A sociedade acaba absorvendo o que um deputado como o Luís Carlos Heinze fala, que índio faz parte de tudo que não presta. Isso a sociedade absorve, mas não absorve a diversidade dos povos indígenas. Nós somos quase 900 mil indígenas, distribuídos em 305 povos, falando 274 línguas. A sociedade desconhece essas informações e, de modo geral, acaba colocando o índio no pacote do “tudo que não presta”, como disse Heinze. Ela absorve esse discurso de ódio, racista e preconceituoso, mas não que somos a maior diversidade do país e do mundo.

Espera por cirurgia eletiva no SUS chega a 12 anos

Cirurgia: Entre os procedimentos com o maior número de demandas represadas no Brasil estão as cirurgias de catarata, correção de hérnia, retirada da vesícula, varizes e de amígdalas ou adenoideEntre os procedimentos com o maior número de demandas represadas no Brasil estão as cirurgias de catarata, correção de hérnia, retirada da vesícula, varizes e de amígdalas ou adenoide
Pelo menos 904 mil pessoas esperam por uma cirurgia eletiva – não urgente – no Sistema Único de Saúde (SUS). Parte desses pacientes aguarda o procedimento há mais de 10 anos. É o que mostra levantamento inédito feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com dados das secretarias da Saúde dos Estados e das capitais brasileiras obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. A demora para realizar procedimentos, afirmam especialistas, pode agravar o quadro dos pacientes.  As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a entidade, o número de demandas represadas é provavelmente mais alto, já que somente 16 Estados e 10 capitais responderam. Há ainda a fila por procedimentos nos serviços de saúde federais.
O levantamento revela também que a quantidade de pessoas que aguardam cirurgia no sistema público é maior do que o medido pelo Ministério da Saúde. Em julho deste ano, a pasta divulgou a primeira lista única desse tipo de procedimento – antes disso, os números eram registrados só pelos Estados e municípios e nunca haviam sido centralizados.
Na ocasião, a pasta informou que a fila era de 804 mil solicitações no País. Na última semana, novo balanço apresentado pelo ministério apontou que, após avaliação feita pela ouvidoria, o número caiu para 667 mil pedidos, porque havia duplicidade de cadastros na primeira lista.
“Tanto o número do ministério quanto o levantado pelo CFM são subestimados, porque parte dos Estados não respondeu ou não possui os dados organizados. Há ainda aquelas pessoas que precisam da cirurgia, mas nem sequer têm acesso ao especialista que dá o encaminhamento”, destaca o presidente em exercício do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.
O próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, admitiu haver falhas de informação nas listas passadas pelos governos locais à pasta. “Quando os Estados começaram a fazer mutirões, constatamos que a maioria das pessoas que passaram pelas cirurgias não constavam da lista inicial passada pelo Estado. Isso demonstra que nossa fila não era exata”, diz ele, referindo-se aos mutirões realizados pelos Estados com verba extra federal repassada após a criação da fila única, em julho.

Complicações

A demora na realização de cirurgias pode levar ao agravamento do quadro de saúde do paciente, piorando o prognóstico e aumentando os custos para o próprio sistema. Quem não faz a cirurgia eletiva, diz Britto Ribeiro, “vai acabar caindo um dia no sistema de urgência e emergência ou operado num quadro muito pior do que no início da doença.”
É o caso da comerciária Ana Célia Gonçalves, de 52 anos, que aguarda cirurgia renal desde 2012. Quando seu nome foi incluído na lista, ela tinha quadro leve de cálculo renal. Neste ano, descobriu que o rim direito perdeu totalmente a funcionalidade com o agravamento da doença. Agora, a cirurgia será de retirada completa do rim.
“O exame deste ano mostrou que o órgão está com 13% da capacidade, o que, para os médicos, já é considerado perdido. O rim esquerdo também está em risco, tenho medo de perdê-lo também”, afirma. “Mas, quando reclamo, só ouço que tenho que ter paciência e aguardar na fila”, conta Ana Célia, que se trata no Hospital Universitário Walter Cantídio, em Fortaleza.
Ela diz sofrer de dores agudas e segue dieta restrita para o problema não piorar ainda mais. “Tenho medo de perder o outro rim e precisar, então, de diálise e entrar na fila de transplante.” Procurado pela reportagem, o hospital não se manifestou.

Longa espera

Ao menos 750 pedidos de cirurgias no País estão na fila há mais de 10 anos. No Estado de São Paulo, há casos em que o paciente aguarda desde 2005, recorde entre os Estados que responderam ao CFM. Na rede paulista, 143 mil esperam por cirurgia eletiva.
A secretaria paulista disse que demanda reprimida por cirurgias eletivas é uma realidade nacional, causada sobretudo pela defasagem na tabela de valores de procedimentos hospitalares do ministério, “congelada há anos e que não cobre os reais valores dos atendimentos”. Disse também que o número anual de procedimentos feitos sob gestão do Estado subiu 21% nos último sete anos, de 179,2 mil para 217,1 mil. Segundo o órgão, também são feitos mutirões de cirurgias.
Entre os procedimentos com o maior número de demandas represadas no Brasil estão as cirurgias de catarata (113.185), correção de hérnia (95.752), retirada da vesícula (90.275), varizes (77.854) e de amígdalas ou adenoide (37.776). Só estes cinco tipos concentram quase metade de todos os pedidos na fila.https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/espera-por-cirurgia-eletiva-no-sus-chega-a-12-anos/ar-BBGb4Mn?li=AAggXC1&ocid=mailsignout

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

PT/RN encerra seu ciclo de seminários regionais “PT pensa o RN: rumo a 2018”, amanhã (2) em Natal.

Neste sábado (02), o PT encerra o ciclo de seminários regionais “PT pensa o RN: rumo a 2018”, com o seminário da região metropolitana de Natal. Este será o décimo encontro do tipo, que teve o objetivo de preparar e fortalecer do PT para a disputa eleitoral de 2018.

Ex-advogado da Odebrecht expõe cenário “fora-da-lei” da Lava Jato

Segundo Tacla Duran, Carlos Zucolotto teria oferecido redução de 15 milhões para 5 milhões de dólares na multa que lhe seria imposta. Mas, outros 5 milhões de dólares teriam de ser pagos “por fora”

O ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran prestou depoimento, nesta quinta-feira (30), aos parlamentares da CPMI da JBS e, dentre as acusações por ele feitas, afirmou ter sido procurado por procuradores da operação Lava Jato com intuito de fechar acordo de delação premiada reconhecendo crimes que afirma não ter cometido para incriminar autoridades e políticos do País.
Ele afirmou ter negociado com procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato acordo de delação premiada ainda durante a gestão do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Participaram das tratativas o coordenador da força-tarefa na PGR, Sérgio Bruno e o ex-procurador Marcelo Miller. O último acusado de ter se valido de seu cargo para auxiliar os donos da JBS a fechar um acordo de colaboração favorável aos donos da empresa.
Duran ainda citou como membros do Ministério Público Federal participantes das negociações os procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Santos Lima, Roberson Pozzobon e Júlio Noronha.
“Percebi que havia uma ansiedade do Ministério Público em obter a confirmação de fatos alegados contra mim para que eu confirmasse, para que se fechassem casos apenas com delação premiada, sem comprovação dos fatos, sem investigar, sem inquéritos. Esse é o sentido da ‘indústria de delação. Indústria da delação porque estão fechando processos penais batendo carimbo, sem investigar”, relatou Tacla Duran.
“Quando esteve comigo, Marcello Miller começou a listar parlamentares. Ele começava a falar nomes de políticos, autoridades estatais: ‘Qual deles o senhor conhece? Qual o senhor pode entregar?”
ADVOGADO TACLA DURAN
Duran também contou aos parlamentares que Marcelo Miller, ainda na condição de procurador da República, tentou negociar o acordo de delação premiada incitando-o a dizer quais políticos e autoridades públicas poderia entregar.
“Quando esteve comigo, Marcello Miller começou a listar parlamentares. Ele começava a falar nomes de políticos, autoridades estatais: ‘Qual deles o senhor conhece? Qual o senhor pode entregar?’”, relatou.
O advogado entregou a CPMI o email enviado pelos procuradores e a minuta do acordo de delação que, anteriormente, havia sido contestada pelo procurador Carlos Fernando Santos Lima.
Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht entre 2011 e 2016, também contestou os documentos apresentados pela empreiteira nos acordos de delação que contam como provas extratos obtidos pelos sistemas MyWebDay e Drousys.
“Os extratos aportados demonstram que o sistema [Drousys] foi manipulado. A partir do momento que o sistema foi manipulado antes, durante e depois do bloqueio [judicial], as provas são viciadas”
ADVOGADO TACLA DURAN
Perícia encomendada por ele junto a profissionais da Espanha (Associação Espanhola de Peritos) comprovam que documentos do sistema de e-mails internos da Odebrecht foram alterados antes e depois de o sistema ter sido bloqueado pelo Ministério Público Federal. Nesse caso, ele também encaminhou documentos e e-mails trocados com seus advogados à CPMI.
“Os extratos aportados demonstram que o sistema [Drousys] foi manipulado. A partir do momento que o sistema foi manipulado antes, durante e depois do bloqueio [judicial], as provas são viciadas. “Não falo por todos, mas aponto vários extratos como adulterados e acredito, como advogado, que isso constitui vício para todos os documentos”, argumenta.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) lembrou o fato de a Odebrecht ter alugado um hotel em Brasília onde se hospedaram por vários dias diversos executivos da empreiteira com objetivo de construir uma versão da delação.
“Desta reunião, aderiram ao plano 77 executivos. E esses executivos receberão da Odebrecht salários durante 15 anos por terem feito esse acordo, inaugurando a delação assalariada. Toda vida ouvi dizer que combinar depoimento com alguém é crime. Imagine montar 77 delações, uma sustentando a outra”, destacou.
Rodrigo Tacla Duran também admitiu ter contratado o escritório paranaense do advogado Carlos Zucolotto para negociar os termos de um acordo de delação premiada com o MPF por ter sido aconselhado a contar com o auxílio de um escritório de advocacia que fizesse parte da “panela de Curitiba”. Zucolotto é padrinho de casamento do juiz Sérgio Moro.
“Me chamou a atenção na época o juiz Sérgio Moro ter vindo a público defender o advogado (Zucolotto). O advogado não foi ouvido na matéria [do Estadão], quem foi ouvido foi o juiz Moro”
ADVOGADO TACLA DURAN
Segundo Duran, Zucolotto teria oferecido redução de US$ 15 milhões para US$ 5 milhões na multa que lhe seria imposta. Mas, outros US$ 5 milhões teriam de ser pagos a título de honorários “por fora”.
O deputado Federal Wadih Damous (PT-RS) disse ter estranhado, no momento da divulgação da informação por parte da imprensa, em agosto deste ano, o juiz tenha saído em defesa do advogado Carlos Zucolotto.
“Me chamou a atenção na época o juiz Sérgio Moro ter vindo a público defender o advogado. O advogado não foi ouvido na matéria [do Estadão], quem foi ouvido foi o juiz Moro”, questionou.
Diante dos fatos apresentados até o momento na CPMI da JBS, o deputado Paulo Pimenta afirmou ser um “imperativo moral” do colegiado trazer o advogado Carlos Zucolotto a prestar esclarecimentos por, possivelmente, “ser o elo que explique suas relações subterrâneas com a Lava Jato, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Isso que acostumamos chamar de indústria das delações”.
A expectativa é que o requerimento seja analisado na próxima terça-feira (5).
O senador Paulo Rocha (PT-PA), que presidiu a reunião da CPMI, informou ao depoente, Rodrigo Tacla Duran, da necessidade de ele permanecer a disposição do colegiado para que preste esclarecimentos adicionais a partir dos documentos fornecidos pelo depoente no dia de hoje.
“Esse depoimento com certeza ajudou a CPI a avançar na sua investigação”, disse o senador.

PT realiza eleições municipais extraordinárias dia 3 de dezembro

Com as novas eleições, o Partido dos Trabalhadores passa a contar com diretórios organizados em 57% do território brasileiro.

O Partido dos Trabalhadores realizará, no dia 3 de dezembro, novas eleições municipais, quando serão eleitos diretórios em 534 municípios. Foram inscritos 549 candidatos e candidatas a presidente municipal e 692 chapas, compostas por 4.416 filiados e filiadas para participar do Processo Extraordinário de Eleições Diretas (PEDEX).
O PT é o único partido a realizar eleições diretas, garantindo a organicidade e a democracia internas. Após a realização do 6o Congresso Nacional, O PT constituiu diretórios em 2.622 municípios. Com o PEDEX, a presença formal do partido alcançará 57% do território brasileiro, um número expressivo em um momento em que a ditadura midiática e judiciária atacam diuturnamente a legenda e suas lideranças.
A Secretária Nacional de Organização do PT, Gleide Andrade, destaca a importância da realização do PEDEX em 534 municípios, principalmente se for levado em conta a ausência de pleito municipal no ano que vem. “Isso mostra como nossos companheiros estão empenhados em construir o PT para continuar combatendo o golpe, aumentar a força do PT diante da retirada de nossos direitos pelos golpistas e eleger Lula em 2018”, afirmou a dirigente.
Através do PEDEX, os municípios que não conseguiram constituir um diretório municipal durante o 6º Congresso Nacional têm a oportunidade de eleger sua direção. Além de aumentar a presença do Partido dos Trabalhadores nos pequenos municípios brasileiros, o PEDEX também ajuda a diminuir o número de comissões provisórias, que são nomeadas pelas direções estaduais, explicou Gleide Andrade.
A Secretária Nacional de Organização convoca os filiados a marcarem presença no PEDEX. “É essencial que o PT nos municípios esteja organizado com base nas eleições diretas, ou seja, nos votos dos filiados. Dessa forma, temos garantidas a paridade, com forte participação das mulheres, dos jovens e dos negros. Quero convocar todos os filiados e filiadas a participarem desse processo e comparecerem aos locais de votação no dia 3 de dezembro”.
PT mais forte
O fortalecimento do partido vem acompanhado do aumento do numero de diretórios organizados do PT nos municípios, uma consequência do PEDEX, como no Amapá que, após o processo, possuirá diretório em 100% dos municípios. Após o 6º Congresso Nacional, o PT elegeu diretórios em 97 municípios do Pará. Agora, com esse novo processo, esse número chegará em 120 municípios, 83.3% do estado. Após as eleições, o PT estará organizado em 96,8%  do Amazonas, somando 60 cidades.
A Bahia e o Rio Grande do Sul são os estados com maior número de municípios que irão realizar eleições extraordinárias, com 94 e 83 municípios, respectivamente.
Podem participar do Processo Extraordinário de Eleições Diretas todos os filiados e filiadas.

Da Redação da Agência PT de Notícias

VERGONHA: Governo do Estado prioriza pagamento de duodécimos aos Poderes e deixa milhares de servidores sem receber

Nesta quarta feira (29) o Governo do Estado anunciou o pagamento dos repasses de duodécimos aos demais Poderes: Poder Judiciário (Tribunal de Justiça e Defensoria Pública), Poder Legislativo e Tribunal de Contas).

O Governo do Estado está cumprindo decisões judiciais que de acordo com o próprio advogado do Governo do Estado, o Procurador do Estado adjunto, João Carlos Coque, cabem recursos. Mas o Governador Robinson Faria prefere pagar aos Poderes e deixar o pagamento dos servidores públicos sem definição.

Falta sensibilidade aos Senhores da Lei, Poderes Legislativo, Judiciário e Tribunal de Contas, que estão com suas folhas de pagamento em dia, dinheiro em caixa e não demonstram estar preocupados com os servidores do Estado. Alguns não sabem sequer quando poderão ir ao supermercado, ou realizar a matrícula do filho para o próximo ano letivo.

Os servidores públicos do Poder Executivo encontram-se hoje endividados, com os salários corroídos pela inflação, por falta de reajuste e ainda corroído pelos juros, pois recebem todos os meses com atraso, e pagam suas contas com juros.

Quem fará justiça aos trabalhadores?

Em Junho 2017, através de um mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Direta do Estado do RN (Sinsp/RN) os desembargadores que compõem o Pleno do Tribunal de Justiça do RN, por maioria de votos, determinou que o governador do Estado, os secretários estaduais de Administração e dos Recursos Humanos, bem como de Planejamento e das Finanças e a Presidência do Instituto de Previdência do RN (Ipern) corrijam monetariamente os valores dos vencimentos, diante de pagamentos efetivados além do último dia de cada mês, em conformidade com o determinado pelo artigo 28, da Constituição Estadual.

Nos argumentos, a assessoria jurídica do Sindicato destacou que os vencimentos dos servidores ocupantes de cargos efetivos, aposentados e pensionistas da Administração Direta do Estado do RN não tem sido pagos com a pontualidade desejada e determinada pela Carta Estadual, a qual prevê a efetivação do pagamento até o último dia de cada mês, devendo ser corrigido monetariamente.

"Estamos sobrevivendo aos constantes atrasos de salários, e salário é verba alimentícia. O que a gente pode fazer com as contas se acumulando e nós com os salários atrasados há 16 meses? O Governador Robinson Faria foi procurado inúmeras vezes e a resposta que temos é sempre mesma. Acionar a Justiça é uma das alternativas que estamos buscando para garantir o pagamento do servidor", explicou a coordenadora geral do Sinsp/RN Janeayre Souto.

Na decisão no Tribunal de Justiça do RN ressaltou que e a norma constitucional, no âmbito estadual, especificamente em seu artigo 28, parágrafo 5º, não usa nomenclatura impositiva de pagamento como: "deverão ser pagos" ou "obrigatoriamente, serão pagos", no último dia do mês trabalhado. Desta forma, o enunciado confere abertura, sim, à possibilidade de cumprimento da obrigação após este marco, principalmente porque menciona a correção monetária em caso do pagamento dos proventos ocorrerem com atraso, do último dia do mês até a data de seu efetivo crédito.

“Deste modo, resta comprovado o direito líquido e certo, não em relação ao pagamento dos vencimentos da categoria representada até o último dia do mês, isso porque, conforme evidenciado anteriormente, a data limite prevista na Constituição Estadual é apenas sugestiva, mas sim no tocante à correção monetária dos valores quando pagos após o prazo estatuído, cuja legalidade restou reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal”, definiu a desembargadora Maria Zeneide Bezerra, relatora do Mandado de Segurança.

Mas o Governo do Estado escolheu não atender à liminar e recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça.

O contrário acontece agora, o Governador Robinson Faria paga aos demais Poderes e ainda não terminou de pagar o salário do mês de outubro aos servidores

Pagamento dos servidores públicos, pinga pinga.

O Governo do Estado anuncia a conclusão do pagamento da folha de outubro até o dia 13 de dezembro.  

Na próxima quarta-feira, dia 6, serão pagos os servidores que ganham entre R$ 2.001,00 e R$ 4 mil. Neste grupo são 21.688 servidores, que totalizam R$ 64,8 milhões.

No sábado, dia 9, será paga uma parcela de R$ 4 mil aos que recebem acima desse valor. O restante dessa faixa salarial será pago no dia 13 de dezembro. Concluída esta faixa soma um total de R$ 138,5 milhões, sendo 21.927 servidores.

E o salário de novembro?

Em paralelo, o governo inicia o pagamento da folha de novembro com os servidores da Educação e dos órgãos da Administração Indireta que tem recursos próprios, independente da faixa salarial. Estes receberão seus salários amanhã, dia 30. Neste grupo são 23.247 servidores, num total de R$ 50,69 milhões. Via http://www.sinsprn.org.br/noticias.php?id=128=vergonha-governo-do-estado-prioriza-pagamento-de-duodecimos-aos-poderes-e-deixa-milhares-de-servidores-sem-receber

Ibope aponta que 86% acham governo Temer corrupto

Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (1º) mostra que o otimismo dos brasileiros em relação ao desempenho da economia teve uma forte queda e chegou em novembro ao patamar mais baixo dos últimos oito anos.

 Apenas 21% preveem mais prosperidade no próximo ano – metade do porcentual obtido no levantamento anterior, feito no final de 2016. Já 48% acham que permanecerá igual e para 28% haverá maior dificuldade econômica.

 Além disso, 86% consideram que o governo do presidente Michel Temer é corrupto. As informações são do Estado de S. Paulo.A pesquisa aponta ainda que apenas 12% da população está conseguindo guardar dinheiro.

Otimismo com a economia tem pior índice em 8 anos, aponta Ibope 

 O otimismo dos brasileiros em relação ao desempenho da economia teve uma queda significativa e chegou em novembro ao patamar mais baixo dos últimos oito anos, segundo série histórica de pesquisas Ibope. Apenas 21% preveem mais prosperidade no próximo ano - metade do porcentual obtido no levantamento anterior, feito no final de 2016.

A mais recente pesquisa do Ibope traz outras más notícias para Temer: mais de 80% da população considera que o governo brasileiro é corrupto, está no rumo errado e não respeita a vontade dos cidadãos.

A pergunta específica sobre a economia em 2018 revela que 28% dos brasileiros preveem mais dificuldades em 2018, e que quase metade (48%) prevê que nada mudará em relação a este ano.

No final de setembro, levantamento do Ibope revelou que apenas 3% da população considera a gestão de Temer ótima ou boa.

Reservas

Quase nove em cada dez brasileiros não estão conseguindo guardar dinheiro, segundo o levantamento do Ibope. Nos estratos de maior renda (classes A e B), quase um quarto da população chega ao final do mês sem gastar toda a renda. Nas classes D e E, apenas 5% fazem o mesmo.

O instituto também fez um questionamento menos específico, sobre como será o ano que vem "de maneira geral". Para 41%, será melhor (queda de 27 pontos porcentuais em relação à pesquisa de 2016). Para 29%, será pior (os pessimistas eram 17% há 12 meses).

O Ibope fez a pesquisa como parte de um estudo internacional sobre as expectativas em relação a 2018 e a percepção das populações de diferentes países sobre diversos governos e líderes mundiais.

No caso do Brasil, 86% concordam com a afirmação de que o governo é corrupto. Para 81%, a vontade da população não é respeitada. Apenas 12% consideram que o País está sendo conduzido pelo caminho certo, e 85% opinam o contrário.

Segundo a pesquisa, há diferenças significativas nos níveis de otimismo em relação à economia nas distintas regiões do País. No Sul, por exemplo, apenas 14% dos moradores esperam prosperidade no ano que vem - sete pontos porcentuais a menos do que na média nacional. No outro extremo, o Norte/Centro-Oeste, 29% estão otimistas.

O levantamento do Ibope foi realizado entre os dias 20 e 27 de novembro, com 2.002 entrevistados em 142 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro estimada é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

O nível de confiança é de 95% - ou seja, se 100 pesquisas fossem feitas com a mesma metodologia, 95 teriam resultado dentro da margem de erro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...