O cenário político potiguar para 2026 começa a desenhar um PSDB bem diferente daquele que dominou a Assembleia Legislativa nas últimas décadas. Se antes o partido de Ezequiel Ferreira exibia uma bancada de 10 deputados com mandatos consolidados, a nova nominata estadual aposta em uma estratégia de risco: o peso dos ex-prefeitos e lideranças regionais.
O fim da era dos "medalhões"?
A percepção de que a chapa estadual do PSDB vem com
"pouca força de referência política" não é infundada. Com a migração
de nomes históricos para legendas como o União Brasil e o PP, o ninho tucano
perdeu aquele brilho de "superbancada". No entanto, o que falta em
projeção estadual, o partido tenta compensar com capilaridade no interior.
Os pilares da resistência
Três nomes surgem como os principais termômetros dessa nova
fase:
Gustavo Soares: O ex-prefeito de Assú carrega o recall de
uma gestão bem avaliada em um dos polos mais importantes do estado. Sua missão
é garantir a votação maciça no Vale do Açu.
Flávio de Beroi: Vindo de São Gonçalo do Amarante, Flávio
tenta transferir seu prestígio na Grande Natal e Agreste para a urna
proporcional, ocupando vácuos deixados por antigos aliados de Ezequiel.
Dr. Expedito: Representando a tradicional força política do
Seridó e o segmento da saúde, Expedito entra para consolidar votos em uma
região onde o PSDB ainda mantém raízes profundas.
Aritmética vs. Carisma
A estratégia de Ezequiel Ferreira é puramente matemática.
Sem um "puxador de votos" unânime ou um candidato majoritário forte
para carregar a bandeira, o PSDB montou uma chapa de votações médias.
O objetivo não é eleger o deputado mais votado do estado,
mas sim somar o máximo de candidatos na faixa dos 20 mil votos para garantir o
quociente eleitoral. É a política do "exército de formigas": cada
liderança regional carrega o seu quinhão para tentar manter o partido com uma
bancada de 4 a 5 nomes na ALRN.
O Desafio
O grande ponto de interrogação é: essa soma de lideranças
municipais será suficiente para frear o avanço do União Brasil, que hoje detém
a maior parte dos mandatos de peso? O PSDB entra em 2026 testando se o
prestígio local de ex-prefeitos ainda é moeda forte em uma eleição cada vez
mais nacionalizada e polarizada.
E você, leitor? Acha que o PSDB consegue se manter relevante apenas com lideranças regionais ou a falta de nomes de expressão estadual vai custar caro nas urnas?
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Por Mali.
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