O avião particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos pertence à empresa Baires Fly, ligada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, acusado de envolvimento em um esquema de desvio de recursos públicos na Argentina. As suspeitas estão relacionadas a irregularidades na Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante a gestão do presidente Javier Milei.
A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, transportou o parlamentar de Quito, no Equador, para os Estados Unidos. Antes disso, o senador havia deixado o Brasil em meio a uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para a entrega de seu passaporte.
Segundo a jornalista Malu Gaspar, do Globo, o empresário associado à companhia aérea também esteve à frente de empresas do setor de aviação na Argentina e passou a ser investigado por suspeitas de irregularidades envolvendo contratos e concessões.
Investigação envolve milhões em recursos públicos
O caso que envolve Mastropietro está relacionado a um suposto esquema de corrupção na Agência Nacional de Deficiência da Argentina. Os desvios investigados são estimados em mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos, valor equivalente a aproximadamente R$ 37 milhões.
Entre os nomes mencionados nas suspeitas está Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente argentino. Ela é acusada de cobrar propina de indústrias farmacêuticas em processos de aquisição de medicamentos destinados à Andis. Conforme informações divulgadas pela imprensa argentina, a suspeita é de que empresas de aviação tenham sido utilizadas para dar aparência de legalidade a recursos desviados. Nesse contexto, autoridades identificaram transferências superiores a 95 milhões de pesos argentinos para contas da Baires Fly. As apurações sobre o caso ganharam repercussão política em novembro de 2025, quando o deputado peronista Luis Rodolfo Tailhade publicou uma mensagem nas redes sociais chamando Mastropietro de “o homem de Maurício Macri”, em referência ao ex-presidente argentino.
Empresário também foi alvo de investigação no setor aéreo
Antes de ser associado ao caso da Andis, Sergio Mastropietro presidiu a Avian Líneas Aéreas, companhia criada em 2016 após a venda da Macair Jet, empresa de táxi aéreo pertencente à família de Mauricio Macri, para a colombiana Avianca.
O empresário passou a ser investigado por suspeita de tráfico de influência em razão de uma suposta concessão irregular de rotas aéreas à companhia depois da negociação. O nome de Mastropietro também aparece associado a outras investigações, incluindo um caso envolvendo um traficante identificado como Fred Machado.
Polícia Federal acompanhou deslocamento da aeronave
O Gulfstream G400 utilizado por Flávio Bolsonaro foi monitorado pela Polícia Federal brasileira durante seu deslocamento. O avião partiu de Guayaquil, no Equador, com destino aos Estados Unidos, onde o senador desembarcou.
O parlamentar havia deixado o Brasil em um momento de atenção das autoridades sobre seus deslocamentos. Na segunda-feira, 26 de outubro, a Polícia Federal o intimou a entregar seus passaportes até a manhã de terça-feira, 27, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A medida foi adotada após a PF apresentar um pedido apontando “risco concreto” de fuga. O documento foi encaminhado às 21h16 de domingo, poucos minutos depois da confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Via Times Brasil

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Marcos Imperial