quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Paulo Moreira Leite lança “A outra história do mensalão”

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Neste livro corajoso, A outra história do mensalão – As contradições de um julgamento político (R$34,90, 352 páginas), independente e honesto, o jornalista Paulo Moreira Leite, que foi diretor de Época e redator-chefe de Veja, dentre outras publicações, ousa afirmar que o julgamento do chamado “mensalão” foi contraditório, político e injusto, por ter feito condenações sem provas consistentes e sem obedecer a regra elementar do Direito segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário.

Os acusados estavam condenados – por aquilo que Moreira Leite chama de opinião publicada, que expressa a visão de quem tem acesso aos meios de comunicação, para distinguir de opinião pública, que pertence a todos – antes do julgamento começar. Naquele que foi o mais midiático julgamento da história brasileira e, possivelmente, do mundo, os juízes foram vigiados pelo acompanhamento diário, on-line, de todos os seus atos no tribunal. Na sociedade do espetáculo, os juízes eles se digladiaram, se agrediram, se irritaram e até cochilaram aos olhos da multidão, como num reality show.

Este livro contém os 37 capítulos publicados pelo autor em blog que mantinha em site da revista Época, durante os quatro meses e 53 sessões no STF. A estes artigos Moreira Leite acrescentou uma apresentação e um epílogo, procurando dar uma visão de conjunto dos debates do passado e traçar alguma perspectiva para o futuro. O prefácio é do reconhecido e premiado jornalista Janio de Freitas, atualmente colunista do diário conservador paulista Folha de S.Paulo. Esse é o 7° titulo da coleção Historia Agora, lançada pela Geração Editorial, entre os livros desta coleção está o best-seller, A Privataria Tucana.

Ler esses textos agora, terminado o julgamento, nos causa uma pavorosa sensação. O Supremo Tribunal Federal Justiça, guardião das leis e da Constituição, cometeu injustiças e este é sem dúvida um fato, mais do que incômodo, aterrador.

Como no inquietante Processo, romance de Franz Kafka, no limite podemos acreditar na possibilidade de sermos acusados e condenados por algo que não fizemos, ou pelo menos não fizemos na forma pela qual somos acusados. Num gesto impensável num país que em 1988 aprovou uma Constituição chamada cidadã, o STF chegou a ignorar definições explícitas da Lei Maior, como o artigo que assegura ao Congresso a prerrogativa de definir o mandato de parlamentares eleitos.

As acusações, sustenta o autor, foram mais numerosas e mais audaciosas que as provas, que muitas vezes se limitaram a suspeitas e indícios sem apoio em fatos.

A denúncia do “maior escândalo de corrupção da história” relatou desvios de dinheiro público, mas não conseguiu encontrar dados oficiais para demonstrar a origem dos recursos. Transformou em crime eleitoral empréstimos bancários que o PT ao fim e ao cabo pagou. Culpou um acusado porque ele teria obrigação de saber o que seus ex-comandados faziam (fosse o que fosse) e embora tipificasse tais atos como de “corrupção”, ignorou os possíveis corruptores, empresários que, afinal, sempre financiaram campanhas eleitorais de todos, acusados e acusadores.

Afinal, de que os condenados haviam sido acusados? De comprar votos no Congresso com dinheiro público, pagando quantias mensais aos que deveriam votar, políticos do próprio PT – o partido do governo! – e de outros partidos. Em 1997 um deputado confessou em gravação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo que recebera R$200 mil para votar em emenda constitucional que daria a possibilidade de o presidente FHC ser reeleito. Mas – ao contrário do que aconteceu agora – o fato foi considerado pouco relevante e não mereceu nenhuma investigação oficial.

Dois pesos, duas medidas. Independentemente do que possamos aceitar, nos limites da lei e de nossa moral, o fato é que, se crimes foram cometidos, os criminosos deveriam ter sido, sim, investigados, identificados, julgados e, se culpados, condenados na forma da lei. Que se repita: na forma da lei. É ler, refletir e julgar. Há dúvidas – infelizmente muitas – sobre se foi isso o que de fato aconteceu.

Serviço
Titulo: A outra história do mensalão
Autor: Paulo Moreira Leite
Preço: R$34,90
Formato: 16 × 23
Número de páginas: 352
Edição: Primeira. Postado por Marcos Imperial.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

QUE SIRVA DE LIÇÃO! ESTUDANTE QUE DISCRIMINOU NORDESTINOS É CONDENADA

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Mayara Petruso foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo pelo crime de discriminação; em 2010, a estudante de Direito postou em seu Twitter a mensagem: “Nordestino (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”; ela foi condenada a 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão, mas a pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.

Via (PE) 247 – A estudante de Direito, Mayara Petruso, foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo pelo crime de discriminação. Em 2010, a universitária postou em seu Twitter a seguinte mensagem: “Nordestisno (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”. Mayara recebeu uma punição de 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão, mas a pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.

“A Constituição proíbe tais condutas a fim de que o preconceito – fato social – seja um dia passado e deixe de existir [...]. É importante que a sociedade seja conscientizada quanto à neutralidade que as questões de diferenças entre as pessoas devem envolver, não sendo a origem, a religião, o gênero, a cor de pele, a condição física, a idade etc. motivo para atitudes agressivas”, diz a sentença.
Por outro lado, a estudante, que confessou a publicação do conteúdo, disse que escreveu a mensagem após a vitória da presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais de 2010. Porém, Mayara disse à Justiça que não é preconceituosa e não teve a intenção de ofender os nordestinos. Mesmo assim, em consequência do ato, a universitária perdeu o emprego (estágio) e abandonou a faculdade, além de ter mudado de cidade com medo de sofrer retaliações. Postado por Marcos Imperial.

DILMA: CESTA BÁSICA DEVE TER REDUÇÃO DE IMPOSTOS

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Presidente afirmou nesta terça-feira que o governo estuda a desoneração integral da cesta básica, além de uma revisão de seus itens, porque o conceito atual estaria "ultrapassado"; Dilma disse ainda que não está descuidando da inflação "em nenhuma circunstância" e que o aumento da gasolina será "compensado com folga" pela redução na conta de luz.

05 Fev (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que o governo estuda a desoneração integral da cesta básica, além de uma revisão dos itens que fazem parte dela, porque o conceito atual estaria "ultrapassado".

Em entrevista a rádios do Paraná, Estado que visitou na véspera, a presidente disse também que o governo nunca descuidou da inflação, e prometeu continuar a desonerar investimentos, produção e emprego.
"Nós estamos estudando a desoneração integral da cesta básica dos tributos federais", disse ela, acrescentando que o governo está "revisando quais são os produtos que integram a cesta básica".
A presidente afirmou ainda que pretende conversar com os Estados para que seja feita a desoneração de encargos regionais que incidem sobre a cesta básica.
CRESCER COM INFLAÇÃO BAIXA
Ao falar da inflação, que em 2012 ficou em 5,84 por cento, a presidente prometeu baixá-la.
"Nós não descuidamos dela (a inflação) em nenhum momento, em nenhuma circunstância", disse a presidente, afirmando que o índice deve cair em 2013 por conta da redução das tarifas de energia elétrica e de outras desonerações.
Questionada sobre o impacto do aumento da gasolina e do diesel sobre a inflação, Dilma disse que ele é compensado com folga pela redução das tarifas de energia: "nós ganhamos muito mais do que por ventura perdemos".
"Eu quero reduzir esta taxa de inflação, eu acho que é importantíssimo que nós cresçamos e tenhamos inflação baixa."
Ao comentar sobre crescimento econômico, Dilma demonstrou otimismo ao dizer que a redução na taxa de juros realizada ao longo de 2012 "vai começar a dar resultado a partir de agora", mas ponderou que o cenário global ainda atrapalha.
Segundo ela, o Brasil crescerá em 2013, mas será "um crescimento mais lento" porque "o mercado internacional não recuperou e nós temos uma queda brutal do comércio internacional".
Depois de o governo recorrer a várias manobras para cumprir a meta ajustada do superávit primário do setor público, Dilma disse que o país "tem as contas públicas inteiramente sob controle", acrescentando que "o Brasil é um país sólido".
(Por Ana Flor). Postado por Marcos Imperial.

BARBOSA TERÁ CORAGEM DE PROCESSAR ALVES?

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Segundo o bem informado Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, presidente do STF já confidencia a amigos seu plano de bater de frente com o novo presidente da Câmara, Henrique Alves; descumprimento de ordem do Supremo para cassar mandato de José Genoino desencadearia reação jurídica pesada; crise institucional marcada para explodir após o Carnaval.

Via 247 – O temperatura vai subir, ainda mais, nas relações entre o Supremo e o Congresso. Em Brasília, já circula o rumor de que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, está disposto a abrir processo por "desobediência" contra o presidente da Cãmara dos Deputados, Henrique Alves, caso ele sustente a posição de que é prerrogativa dos parlamentares, e não dos juízes, cassar mandatos eletivos. A posição de Alves ficou clara em seu discurso de posse, no qual frisou que todos, na Câmara, tem o aval popular. Preparando-se para o provável enfrentamento, Barbosa despejaria sobre ele uma pesada artilharia jurídica, procurando emparedar Alves pelo receio da perda de seu próprio mandato.

Filho do ex-governador Aluizio Alves, famoso por sua disposição na luta política, Henrique Alves não tem o  perfil de quem recua ao primeiro sinal de encrenca. Ao contrário, ele mesmo deixou claro que sua família "foi a mais cassada do Brasil", no que foi interpretado como indicativo de que ele não vai aceitar que isso ocorra novamente.
As informações sobre a disposição de Barbosa foram divulgadas pelo bem informado Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães, colunista de 247. Abaixo, a íntegra do texto no qual a possibilidade de uma forte crise institucional após o Carnaval fica bem visível:
Blog da Cidadania _ Ainda não está sendo bem mensurado fato político que, após o Carnaval, deve convulsionar o país: com a postura do Congresso de enfrentar a tentativa de setor do Supremo Tribunal Federal de querer usurpar a competência constitucional da Câmara dos Deputados para deliberar sobre perda de mandato de membros da Casa, a crise institucional deve se instalar.
A possibilidade de os Poderes Legislativo e Judiciário chegarem a um acordo se torna menor devido a um terceiro jogador que entrará em campo: a imprensa partidarizada do eixo São Paulo – Rio, que deve pôr lenha na fogueira por não estar se conformando em não ter conseguido impedir o Legislativo de eleger os presidentes da Câmara e do Senado que quis.
Com efeito, esse setor da imprensa nacional sofreu uma derrota homérica. As votações acachapantes com que se sagraram Renan Calheiros e Henrique Alves constituíram-se em uma verdadeira bofetada em barões da mídia que acham normal que a imprensa determine quem deve ou não comandar um dos três Poderes da República.
A ousadia midiática, porém, não é gratuita, pois esses impérios de comunicação já mostraram que têm verdadeiros despachantes instalados em postos-chave do Ministério Público e do Judiciário, tais como o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e, além do presidente do STF, vários membros daquela Corte que ainda são maioria – e digo "ainda" porque essa situação pode mudar...
Os presidentes das duas Casas do Congresso, pelo lado deles, tampouco devem ceder – e, para tanto, como demonstraram as votações acachapantes com que se elegeram, contam com o apoio de expressiva maioria do Poder Legislativo.
Um passarinho, no entanto, cantou-me ao telefone que o novo presidente do STF – que, por seu comportamento radical durante o julgamento da Ação Penal 470, vulgo "julgamento do mensalão", deixou ver que está disposto a qualquer coisa para se manter em evidência e sob as graças midiáticas – pode desencadear uma crise muito maior do que se imagina.
O ministro Joaquim Barbosa anda "confidenciando" – de forma bem pouco discreta – que, para afirmar o poder discricionário de que se crê detentor, pode impor "conseqüências" à "desobediência" do Legislativo particularizando a questão na pessoa do deputado Henrique Alves, novo presidente da Câmara.
Para ser mais objetivo: Barbosa pode indiciar Alves por desobedecer a determinação do STF.
Enquanto isso, caberá ao braço midiático do conclave institucional de oposição ao governo Dilma Rousseff, ao partido do governo e aos partidos aliados fustigar, além do próprio Alves e de Renan Calheiros, a mesa diretora da Câmara – serão feitas seguidas denúncias, como em recente matéria do Jornal gaúcho Zero Hora que acusa membros da nova Mesa Diretora da Câmara de estarem sofrendo investigações.
Se esse script for encenado, pelo lado do Congresso poderão ser postas em votação medidas de retaliação ao STF, como pedido de impeachment de ministros daquela Corte, o que é competência do Senado. Resta saber até onde haveria união parlamentar no sentido de defender a independência do Legislativo em relação a outros poderes.
Se for realmente procedente a informação que o Blog recebeu, os brasileiros só terão a lamentar que a mais alta Corte de Justiça do país esteja infestada por despachantes de grupos políticos e econômicos e, o que é pior, sendo presidida por um homem que parece cada vez mais incansável em sua busca por uma "popularidade" de viés nitidamente político. Postado por Marcos Imperial.

Homossexualidade é pecado claríssimo, diz Malafaia no SBT. Enganar o povo e roubar deles não é!


Foto divulgação. 

Em uma entrevista tensa ao "De Frente com Gabi", no SBT, ontem (3), o pastor Silas Malafaia voltou a defender que a homossexualidade é um "comportamento" não natural, que uma porcentagem (46%) dos gays adotou após ser " violada (...) por pessoas próximas, parentes", e que ela (a homossexualidade) "é um pecado claríssimo, como o adultério".
O programa registrou seis pontos de média na Grande São Paulo (cada ponto corresponde a 62 mil domicílios), 50% a mais que os habituais quatro pontos.
O líder da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que recentemente apareceu em uma lista da revista "Forbes" como um dos religiosos mais ricos do Brasil, desaprovou a declaração do presidente norte-americano, Barack Obama, em sua segunda posse, a favor de gays e lésbicas ("na minha igreja ele não seria reeleito") e atacou a possibilidade de adoção de filhos por homossexuais. "Não acredito que dois homens possam criar uma criança perfeita no sentido total que você (Gabi) está dizendo."
A entrevista, que durou cerca de 45 minutos, teve vários momentos de embate entre Gabi e o evangélico, com ele levando a melhor em praticamente todo o tempo --do ponto de vista da retórica incisiva.
Gabi pareceu perder a paciência em vários momentos, dada a dificuldade de interromper o discurso do entrevistado. Quando ela tentava, o pastor retrucava despejando dados, opiniões, trechos da bíblia e "dados científicos" (cujas fontes não revelou).
Malafaia também atacou a "Forbes" com termos depreciativos e anunciou que vai processar a publicação "nos EUA, não no Brasil". O evangélico levou ao programa um espelho de sua declaração de imposto de renda e afirmou que seu patrimônio "atualizado é de R$ 4,5 milhões", e não de R$ 300 milhões como divulgado pela revista.
A entrevista e as declarações de Malafaia a respeito dos gays estão repercutindo amplamente em redes sociais  --boa parte com ataques às opiniões do líder religioso. Via Uol postado por Marcos Imperial.

Nova Mesa Diretora da Câmara é eleita; PT tem dois representantes

Imagem Interna
A Câmara dos Deputados elegeu nesta segunda-feira (4) seu novo presidente para o biênio 2013-2014. Com o apoio do PT, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foi eleito presidente da Casa em substituição a Marco Maia (PT-RS). 

Também foram eleitos para a Mesa Diretora dois parlamentares da Bancada do PT. O deputado André Vargas (PT-PR) ocupará a 1ª vice-presidência e o deputado Antônio Carlos Biffi (PT-MS) foi eleito 4º secretário da Câmara.               
Para o líder da Bancada do PT, deputado José Guimarães (CE), prevaleceu na eleição da nova Mesa Diretora o fortalecimento das bancadas. “Para nós do PT é fundamental, em primeiro lugar, o fortalecimento das bancadas e os candidatos indicados pelas bancadas foram todos eleitos. Isso tem importância grande, tem simbolismo, porque prevaleceu a ideia de que as bancadas precisam se fortalecer”, disse Guimarães.
Ainda de acordo com o líder petista, também prevaleceu o princípio da proporcionalidade partidária. José Guimarães ressaltou a participação do PT. “Foi eleita uma mesa eclética, uma mesa plural e como tal deve conduzir os trabalhos nestes próximos dois anos. O PT está muito bem representado. Seus dois candidatos eleitos foram muito bem votados. Portanto, o PT está pronto agora para construir uma pauta a altura dos desafios do Brasil de hoje”, frisou José Guimarães.
PT na Mesa Diretora – O deputado André Vargas (PT-PR), eleito para a 1ª vice-presidência com 420 votos, agradeceu a escolha do seu nome pelo partido. “Ter sido escolhido pelo partido e, agora, pelo plenário, por 420 parlamentares é, sem duvida nenhuma, uma homenagem a seis anos que tenho estado aqui trabalhando. Sou muito grato aos meus colegas parlamentares e quero desempenhar esta função com respeito à instituição, ao que é o Parlamento brasileiro”, disse.
O 1º vice-presidente da Câmara substitui o presidente. O 1º vice também é responsável por elaborar pareceres sobre os requerimentos de informações e os projetos de resolução.
O deputado Antônio Carlos Biffi (PT-MS) foi eleito para a 4ª secretaria com 416 votos. Essa secretaria supervisiona o sistema habitacional da Câmara. “Nosso trabalho será contribuir para que efetivamente possamos melhorar o atendimento do serviço de moradia para os nossos parlamentares”, explicou.
A 4ª secretaria é responsável pela distribuição dos apartamentos funcionais e residências para uso dos deputados; propõe à Mesa Diretora a compra, venda, construção e locação de imóveis; dentre outras funções relativas à habitação. Fonte: PT na Câmara. Postado por Marcos Imperial.

Espetacular, Velhos fantasmas do século XIX ainda conduzem a política


Tenho ouvido militantes de esquerda culparem o PT pela desmobilização da sociedade brasileira. Por ser governo, o PT bloquearia a mobilização. Trata-se de um equívoco. A sociedade brasileira está desmobilizada porque não existe no espectro político uma proposta consistente de destino nacional. Ainda somos escravos dos antigos pensadores do século XIX em pleno século XXI. A análise é de J. Carlos de Assis*

J. Carlos de Assis*
Keynes dizia que todo político atuante é em geral, do ponto de vista ideológico, escravo de um economista defunto. Pode-se generalizar esse enunciado, no sentido de que somos todos, de uma maneira geral, fortemente influenciados por grandes pensadores do passado. O principal deles, sem paralelo, é Karl Marx. Todo partido de esquerda, desde a ala extrema bolchevista ao centrismo democrata cristão, presta algum tipo de tributo a Marx, mesmo quando não subscreve inteiramente suas teorias.

A razão para isso é óbvia: Marx é de uma simplicidade brutal. Não por acaso. Ele examinou uma sociedade também relativamente simples. Era uma sociedade de duas classes principais, dinâmicas (os camponeses ficavam de fora), os burgueses e os trabalhadores, identificadas cada uma delas por sua posição em relação aos meios de produção, dos quais uma era a dona absoluta e a outra totalmente alienada. Em razão de tal divisão essas classes tinham objetivos bem definidos, os quais se expressavam em conflitos inconciliáveis.

A economia subjacente a essa análise social deve seu principal desenvolvimento ao conceito de mais valia. As mercadorias, dizia Marx, são trocadas pelos seus valores de reprodução, definidos este pelo conteúdo de trabalho nelas incorporado. Havia, porém, uma mercadoria em especial – a força de trabalho – que produzia um valor acima de seu valor de reprodução. A diferença entre o valor da mercadoria produzida e seu custo em conteúdo de trabalho seria a mais valia. Esta era integralmente apropriada pela burguesia.

O que continua válido nessas teses aqui simplificadas? Muito pouca coisa. Kautsky e Bernstein já haviam advertido, na segunda década do século passado, que estava em progresso uma diferenciação social nova entre a classe trabalhadora e a burguesia: as classes médias. Gramsci, na década seguinte, propôs corajosamente o conceito de uma classe intermediária que tinha objetivos próprios e poderia influir fortemente no curso da luta política. Os dois primeiros foram considerados renegados pelos marxistas ortodoxos. Gramsci foi menos repudiado, talvez porque escreveu da prisão e morreu jovem.

Sem uma releitura consistente da realidade social contemporânea, grande parte dos partidos de esquerda caíram no misticismo operário, saudosista do tempo em que uma revolução proletária deveria resolver todas as contradições da política e da vida. Não se deu conta que o próprio movimento operário voltou-se cada vez mais para a defesa de seus próprio interesses específicos, abandonando a via revolucionária. Por seu turno as classes médias ou classes intermediárias também assumiram seus próprios interesses corporativos sem muita consideração com o interesse geral. Mais do que isso, a conquista de direitos de cidadania possibilitou às classes não proprietárias apropriar-se de parte da mais valia social mediante a disputa do orçamento público nas democracias.

Tudo isso é um dado da realidade presente, impossível de negar. Não é uma tragédia. Mesmo a busca de afirmação de interesses corporativos nem sempre afronta o interesse geral. Além disso, há momentos especiais – eleições gerais, grandes movimentos cívicos por uma causa pública – em que, contra tudo e contra todos, surge uma mobilização social em larga escala por cima de interesses corporativos. Recorde-se, no Brasil, o apoio popular às greves do ABC em 78, a campanha das diretas-já e a deposição de Collor. Nos Estados Unidos, só para dar um exemplo externo, recorde-se a campanha pelos direitos civis nos 60 e o verdadeiro levante estudantil contra a guerra no Vietnã a partir de 68, atingindo também a Europa.

O que não se há de esperar, sobretudo numa sociedade democrática, é um estado permanente de mobilização social apoiada em interesses corporativos pressionando as instituições. Ninguém pode se mover permanentemente ao ritmo da Cavalaria Rusticana. A sociedade seria levada a um estado extremo de stress. Tivemos algo parecido no fim do Governo Goulart: o resultado foi prevalência da direita sob o signo da restauração da ordem.

Já uma genuína mobilização de massas que coloca acima ou além dos interesses corporativos o interesse geral requer uma acumulação de forças a partir de objetivos bem claros capazes de sensibilizar o imaginário popular. Sem a ideia da liberdade, não haveria revolução francesa; sem a ideia da igualdade comunista, não haveria a revolução russa; sem a ideia de uma terceira via social entre democracia e comunismo, não haveria social democracia europeia. Em uma palavra, a sociedade sem um projeto nacional é como navegar à noite entre pedras sem um farol de orientação.

Tenho ouvido muitos militantes de esquerda culparem o PT pela desmobilização da sociedade brasileira. Por ser governo, o PT bloquearia a mobilização. Trata-se de um equívoco. A sociedade brasileira está desmobilizada porque não existe ao longo de todo o espectro político uma proposta consistente de destino nacional. Todos, governo e sociedade, estão trabalhando para o curto prazo e de forma fragmentária. Não apenas o PT, mas todos os partidos, inclusive os de direita, não oferecem uma perspectiva de sociedade pela qual valha a pena se mobilizar. Enquanto essa proposta não for formulada, continuaremos escravos dos antigos pensadores do século XIX em pleno século XXI.

*J. Carlos de Assis é economista, professor de economia internacional da UEPB e autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus” (ed. Civilização Brasileira). Via 
http://www.cartamaior.com.br Postado por Marcos Imperial.

Silas Malafaia e a Teologia da Estupidez: Homossexuais e Bandidos?

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Não há surpresas ou novidades quando o pastor Silas Malafaia fala. Cada vez em que é entrevistado ou empresta sua voz para algum programa de natureza política ou religiosa, assistimos e ouvimos o mesmo desfile de preconceitos, inverdades e sofismas. Bem sabemos que os disparates e infâmias habituais de sua retórica convicta e fundamentalista enojam e irritam. Entretanto, convém não perder a capacidade, e a paciência, de nos chocarmos e nem “acomodar com o que incomoda”, como diz a letra de uma bela canção.
E por que não devemos nos calar ou tão simplesmente dar de ombros, ignorar a ignorância? Porque o silêncio nos torna cúmplices da ignorância. Aliás, se é verdadeiro que em certas circunstâncias o silêncio pode ser mais eloquente do que a palavra, em outras o silêncio é o adubo fértil para o crescimento da ignorância e da barbárie. Por isso, cabe não calar. Falar a verdade ao poder e criticar os preconceitos é combater incansavelmente contra o silêncio que naturaliza ambos.
Voltemos, pois, a Malafaia, este paladino e missionário do ódio. Coube a jornalista Marília Gabriela a hercúlea tarefa de suportar o discurso de Malafaia, entrevistando-o em seu programa “De Frente com Gabi”. E se a jornalista por vezes se exaltou com as afirmações do pastor ou por este a atropelá-la em suas perguntas e raciocínios, penso que ela aguentou em nome de um compromisso com a verdade e com a sensatez; afinal, a mentira para ser desmascarada deve ser antes exposta.
O que disse o pastor desta vez? Num exemplo cristalino de homofobia cordial, disse que amava os homossexuais da mesma forma como ama os bandidos: “Eu amo os homossexuais como amo os bandidos”. Este amor misericordioso que Malafaia afirma cultivar não passa de um ardil ideológico que finge aceitar e acolher mas apenas para tentar “corrigir”, “reorientar”, “ajustar”. Em outras palavras, domesticar e “curar” a homossexualidade segundo os “meus valores” e “minha verdade”. Não creio que os homossexuais precisem deste amor denegador da liberdade e da autonomia individual. O amor de Malafaia é um amor tutelar, de correção moral e interesseiro.
A correlação valorativa entre “homossexuais” e “bandidos” é odiosa. Ela objetiva reforçar o vínculo entre homossexualidade e desvio, sustentando, sorrateiramente, a ideia de que a homossexualidade assim como o fenômeno da delinquência atenta e prejudica a sociedade. Em outros termos, a analogia diz o seguinte: os bandidos existem, são um fato social, mas precisamos mudá-los, puni-los e “ressocializá-los” para que não lesem a sociedade. Sem afirmar diretamente, Malafaia pensa o mesmo sobre os homossexuais; eles são um fato social, existem, mas precisamos corrigi-los para que não lesem à família, os bons costumes, etc..
A piedade e a compreensão amorosa do pastor são, com efeito, estratégias retóricas para a normalização pastoral e sexual. Nesse ponto, Malafaia se serve abundantemente de preconceitos e concepções de gênero, família e sexualidade que não se sustentam, nem do ponto de vista do conhecimento científico nem socialmente – haja vista todas as transformações culturais, sociais e jurídicas das últimas décadas.
Tentando atenuar os aspectos mais, digamos, etnocêntricos e interessados de suas opiniões, o pastor recorre a ciência em vez da religião pura e simplesmente; refugia-se em argumentos pseudo-científicos e pesquisas que nunca cita a fonte, Malafaia busca, com isso, preencher de autoridade, poder de verdade e neutralidade os seus preconceitos e sua intolerância. À bem da verdade, Malafaia achincalha a ciência – mais uma razão para não nos calarmos.
Quando prenuncia, num claro julgamento moral e especulativo, que a formação de famílias homoparentais ou a criação de filhos por casais homossexuais terá consequências sociais e psicológicas nefastas e nocivas, Malafaia esquece que, segundo Freud, a família independentemente das orientações sexuais do casal é a origem e o palco da maior parte dos problemas emocionais e psíquicos por conta dos conflitos subjetivos que envolvem a constituição do eu nas relações e identificações familiares. Aliás, a grande maioria das psicoses estudadas por Freud era produto das dinâmicas emocionais, repressivas e traumáticas da família vitoriana.
O artigo “Desconstruindo preconceitos sobre a homoparentalidade” dos psicólogos Jorge Gato e Anne Maria Fontaine cita diversos estudos psiquiátricos, psicológicos, sociológicos e antropológicos que desmentem as pré-noções estigmatizantes de que a criança em famílias homoparentais sofreria danos em seu desenvolvimento psicológico. Todos os estudos mencionados pelos autores foram unânimes na constatação da não-existência de uma excepcionalidade ou de diferenças substanciais que tornem a homoparentalidade especialmente danosa para o desenvolvimento emocional, cognitivo e sexual da criança em comparação às famílias heteroparentais. Inclusive, em algumas casos, de mães lésbicas, por exemplo, estudiosos verificaram um ambiente familiar no qual as crianças sentiam-se mais a vontade, livres e confiantes em discutir temáticas de caráter emocional e sexual, ocasionando um efeito positivo no desempenho escolar.
Em contrapartida, as dificuldades das crianças criadas em famílias homoparentais aparecem exatamente no plano das relações sociais, ou seja, obstáculos na aceitação e reconhecimento social por conta de contextos sociais discriminatórios como a escola. Mas, ainda assim, os estudos mostraram variações importantes nesse ponto a depender do país e região.
O que podemos concluir com os resultados das pesquisas científicas é que os problemas que estas crianças enfrentarão no futuro se devem precisamente de pessoas como Malafaia. Quer dizer, do preconceito, da intolerância e da ignorância que Malafaia pratica, semeia e propaga.
Portanto, o que atrapalha e lese o desenvolvimento psicológico e social é o preconceito e a intolerância, os quais Malafaia transforma em bandeira. As religiões se tornam nocivas à humanidade quando são eivadas de ódio e ignorância por profetas fundamentalistas e intolerantes que alimentam incompreensões.

Por mais que canse, devemos continuar a combater e criticar os absurdos odiosos do pastor Malafaia, pois ele, por sua retórica e status, goza de um poder de interferência na vida social capaz de favorecer violências simbólicas e físicas contra grupos e minorias sexuais que já tem de enfrentar práticas homofóbicas em seu cotidiano. Se não quisermos cair presas da retórica do preconceito e sua violência simbólica, devemos sempre exercitar a crítica pública. É com ela que podemos cultivar uma cultura de direitos humanos e de reconhecimento capaz de transformar uma esfera pública refratária ao debate racional dos direitos e das violências sofridas por minorias e grupos vulneráveis em uma esfera pública refratária a estupidez, a barbárie e ao preconceito. Para essa transformação ocorrer, então, é preciso jamais se cansar de se contrapor ao preconceito.
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Artigo “Desconstruindo preconceitos sobre a homoparentalidade”: Leia-o aqui.
Entrevista de Silas Malafaia no Programa De Frente com Gabi: assista-a aqui.
Imagem: Divulgação/O DIA - Via http://www.cartapotiguar.com.br postado por Marcos Imperial.

"Morrerei num palanque", diz Lula!


"Eu falo todo dia para a minha mulher: Marisa, não espere que eu morra dentro de casa. Quando eu morrer um dia, vai ser brigando com alguém"; ex-presidente também aproveitou o discurso para uma plateia de sindicalistas americanos para mandar recado à presidente Dilma, que vive relação difícil com a classe no Brasil.

247 - Em discurso para uma plateia de sindicalistas americanos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo, 3, em Washington (EUA), que vai continuar ativo na política, além de defender enfaticamente o legado de seu governo.


"Eu falo todo dia para a minha mulher: Marisa, não espere que eu morra dentro de casa. Quando eu morrer um dia, vai ser num palanque, vai ser em algum lugar falando alguma coisa, brigando com alguém", disse Lula.

O presidente também aproveitou a ocasião para mandar um recado à sua sucessora Dilma Rousseff. Ele disse que os governos, incluindo o da petista, precisam ouvir os sindicatos.

"O presidente Obama têm de ouvir vocês, a Dilma tem de ouvir os sindicatos, e os argentinos...", disse Lula, na conferência anual da UAW, a maior central sindical do setor automotivo nos EUA.

A presidente Dilma vive nesse momento uma relação difícil com os sindicalistas brasileiros, que têm se queixado da pouca atenção por parte do governo.

Lula defendeu que o movimento sindical americano não pode tolerar a imposição de empresas, como a Nissan, que rejeitam a sindicalização de seus funcionários como requisito para realizar seu investimento no país. Estimulou ainda os sindicalistas a se candidatarem a postos públicos, assim como ele, e não esperar que políticos da elite os represente no Congresso.

"Eu nunca pensei em virar sindicalista, e virei presidente do sindicato; nunca pensei em ser político, e criei um partido; nunca pensei em ser candidato a vereador, a síndico do meu prédio e virei presidente. A luta fez com que eu desse passo atrás de passo", afirmou Lula. "Não há espaço na minha vida para desistir."

A expectativa é que nesta segunda-feira o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, envie ao Ministério Público de São Paulo a acusação do publicitário Marcos Valério de que Lula teria sido favorecido por recursos do mensalão. A denúncia foi feita em setembro do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) já julgava o processo.


Brasil 247

Fotos: Ricardo Stuckert/Instituto Lula.

Eu nunca pensei em virar sindicalista, e virei presidente do sindicato; nunca pensei em ser político, e criei um partido; nunca pensei em ser candidato a vereador, a síndico do meu prédio, e virei presidente. A luta fez com que eu desse passo atrás de passo. Não há espaço na minha vida para desistir. Ex-presidente Lula, ontem, em Washington. Postado por Marcos Imperial.

No Brasil que da certo, Fome Zero/Bolsa Família tira Guaribas (PI) da pobreza extrema

CIDADES...






Dez anos depois, Guaribas deixa para trás o título de cidade mais pobre do país e a população faz planos para o futuro.



Lucas Rodrigues
Enviado Especial da EBC.


Guaribas (PI) - Lançado no dia 3 de fevereiro de 2003, no município com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, o Programa Fome Zero foi criado com o objetivo de erradicar a miséria, com a transferência de renda e garantindo o alimento para as famílias que viviam na extrema pobreza. Hoje, o Brasil ainda tem pelo menos 5,3 milhões de pessoas sobrevivendo com menos de R$ 70 por mês, diferentemente do início dos anos 2000, quando eram 28 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Nos últimos dez anos, esse número vem diminuindo. Em parte, por causa de políticas públicas de ampliação do trabalho formal, do apoio à agricultura e da transferência de renda. Hoje, a iniciativa, que ganhou o nome de Bolsa Família, chega a quase 14 milhões de lares. Ela nasceu do Programa Fome Zero, criado para garantir no mínimo três refeições por dia a todos os brasileiros. E foi do interior do Nordeste que essa iniciativa partiu para o restante do país.

Depois de dez anos, a Agência Brasil voltou a Guaribas, no sul do Piauí, escolhida como a primeira beneficiária do programa de transferência de renda. Localizada a 600 quilômetros ao sul da capital, Teresina, Guaribas não oferecia condições básicas para uma vida digna de sua população: faltava comida no prato das famílias, que, na maioria das vezes, só tinham feijão para comer. Não havia rede elétrica e poucas casas tinham fogão a gás.



Mulheres e crianças andavam quilômetros para conseguir um pouco de água e essa busca, às vezes, durava o dia inteiro. A dona de casa Gilsa Alves lembra que, naquela época, “era difícil encontrar água para lavar roupa”, no período de seca. “Às vezes, até para tomar banho era com dificuldade".

O aposentado Eurípedes Correa da Silva não se esquece daquele tempo, quando chegou a trabalhar até de vigia das poucas fontes que eram verdadeiros tesouros durante os longos períodos de seca, com água racionada. Hoje, a água chega, encanada, à casa dele.

Pai de sete filhos, Eurípedes tem televisão e geladeira. Além do dinheiro da lavoura e da aposentadoria, ele recebia o benefício do Fome Zero e agora conta com o Bolsa Família. O benefício chega a 1,5 mil lares e a meta é alcançar 2 mil neste ano, o que representa oito em cada dez moradores da cidade. A coordenadora do programa em Guaribas, Raimunda Correia Maia, diz que “o dinheiro que gira no município, das compras, da sustentação dos filhos, gera desenvolvimento".

A energia elétrica também chegou a Guaribas e trouxe com ela internet e os telefones celulares. No centro da cidade, há uma praça com ruas calçadas e uma delegacia, além de agências bancárias, dos Correios e escolas. A frota de veículos cresceu e, hoje, o que se vê são motos, em vez de jegues.



O município conquistou o principal objetivo: acabar com a miséria. Mesmo assim, ainda está entre os mais pobres do país e enfrenta o êxodo dos jovens em busca de emprego em grandes cidades. Segundo o IBGE, entre 2000 e 2007, quase 10% dos moradores deixaram Guaribas.
Alan e Rosângela podem ser os próximos. O Bolsa Família e as melhorias na cidade não foram suficientes para manter o casal no município, já que ali os dois não encontram trabalho. Os irmãos já foram para São Paulo e é impossível sustentar a família de oito pessoas com um cartão (do Bolsa Família) de R$ 130.


Quem escolheu ficar na cidade sabe quemuita coisa tem que melhorar. O esgoto ainda não é tratado; algumas obras não saíram do lugar, como a do mercado municipal. Até o memorial erguido em homenagem ao Fome Zero está abandonado há anos. Longe de Teresina, os moradores se sentem isolados, principalmente por causa da dificuldade de chegar à cidade mais próxima: são 54 quilômetros de estrada de terra, em péssimo estado, até Caracol.

Isso torna difícil escoar a produção de feijão e milho e faz com que todos os produtos cheguem mais caros. A dificuldade de acesso também prejudica uma das conquistas da região: a unidade de saúde.A doméstica Betânia Andrade Dias Silva levou o filho de 5 anos para uma consulta e não encontrou médico. Ela desabafa: “É ruim né?! Principalmente numa cidade pequena, na qual você precisa de um atendimento melhor, tem que sair para ir para outra cidade, Caracol, São Raimundo, que fica longe daqui. Por exemplo, caso de urgência, se você estiver à beira da morte, acaba morrendo na estrada… Então, é difícil".

Há mais de um mês, o atendimento é feito apenas por enfermeiras e por um dentista. Mesmo oferecendo um salário que chega a R$ 20 mil, a prefeitura diz que não consegue contratar médicos. O jeito é mandar os pacientes mais graves para as cidades vizinhas.

Mas essa situação pode começar a mudar ainda neste ano. Segundo informou a Secretaria de Transportes do Piauí, o trecho da BR-235 que liga Guaribas a Caracol deve começar a ser asfaltado em outubro. Por enquanto, está sendo asfaltado outro trecho da rodovia, entre Gilbués e Santa Filomena.

O casal Irineu e Eldiene saiu de Guaribas para procurar trabalho em outras cidades, mas voltou. Agora eles levantam, pouco a pouco, uma pousada no centro da cidade. Irineu diz que a obra que está fazendo não é “nem tanto pensando no agora”, é para o futuro. “Estou vendo que a cada ano que está passando, Guaribas está desenvolvendo mais”.

A expectativa de Irineu e Edilene é resultado da mudança dessa que já foi a cidade mais pobre do país. Mesmo com dificuldades, os moradores de Guaribas, agora, olham para o futuro com mais esperança e otimismo. Eldiene garante que vai ficar e ver a pousada cheia de clientes.

Veja aqui galeria de fotos de Guaribas na época do lançamento do Fome Zero.

Edição: Tereza Barbosa.  Agência Brasil. Postado por Marcos Imperial.

Henrique Alves na presidência, e agora José?

Este blog volta, em semana de Carnaval, para comentar os recentes acontecimentos que agitaram a província de Natal, no estado do Rio Grande do Norte.

A última e, ainda quente, é a eleição do Henrique Eduardo Alves (PMDB) para presidente da Câmara Federal. Cargo pomposo, o deputado já anda recebendo louros dos colunistas e jornais em geral. Muitos professam: com um potiguar no cargo, agora este Estado anda.
Minha percepção, apesar de simples, é mais realista: se o desenvolvimento do RN fosse proporcional à importância das nossas personalidades políticas, estaríamos vivendo hoje numa Londres.
A mudança efetiva para o estado com a eleição de um parlamentar local para o cargo máximo da Câmara dos Deputados e terceiro na linha sucessória da presidência é semelhante a nada.
O Rio Grande do Norte vai continuar, como sempre esteve, com a saúde bagunçada, a segurança ainda insegura e a educação patinando.
Pode parecer mal agouro e espero estar errado.
Aliás, torço para que, na presidência, Henrique favoreça a liberação de recursos importantes para prefeitos e a Governadora, independente do partido que forem. E que, ainda, lute tanto pela moralização da Câmara que preside, quanto pela boa aplicação de recursos federais em programas aqui mesmo neste tão sofrido RN.
Se adotar esta postura republicana terá feito um excelente trabalho e, aí sim, poderei – feliz – queimar a minha língua. Mas o histórico recente dos políticos locais recomenda cautela e uma boa dose de descrença.
Esperemos. Com um café na mãos e olhos atentos. A hora agora é de vigiar e cobrar. Via http://nossanatal.blogspot.com.br/ Por Fábio Farias. Postado por Marcos Imperial.

QUEM JULGA O MANDATO DE GENOÍNO É A CÂMARA

Quem escreveu a Constituição foi o Congresso e, não, o Supremo.

Saiu no Globo:

CÂMARA TEM PALAVRA FINAL SOBRE CASSAÇÃO DOS MENSALEIROS, DIZ HENRIQUE ALVES.


BRASÍLIA – Depois de participar da sessão de início dos trabalhos legislativos nesta segunda-feira, o novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) falou rapidamente sobre a polêmica decisão que terá de tomar em seu mandato: acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de cassação imediata dos mandatos dos deputados condenados no mensalão ou defender a tese do ex-presidente, Marco Maia (PT-RS), de que a palavra final sobre os mandatos de deputados federais é da Câmara.


Indagado se a palavra final seria da Câmara, Henrique afirmou que essa é a lógica, Os repórteres insistiram se isso não seria um enfrentamento ao Supremo e o novo presidente da Câmara respondeu:

- Não. Vai ser finalizado aqui (na Câmara). O ex-presidente Marco Maia, ao se despedir, também disse que o Judiciário quer fazer o papel de Legislativo. E, como diz o Dirceu, quem fala em nome do povo é o Legislativo e, não o Supremo. Via Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim. Postado por Marcos Imperial.

"SÓ TEM PARLAMENTAR ABENÇOADO PELO VOTO POPULAR"

:
Durante o discurso de posse, o novo presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), mandou recado ao Supremo Tribunal Federal sobre a questão da cassação dos parlamentares condenados no julgamento do mensalão. 

Condenado no caso, o deputado José Genoino (PT-SP), que votou na eleição desta segunda-feira, tomou posse no fim do ano passado mesmo depois de o Supremo decidir que todos os parlamentares condenados deveriam perder o mandato. Durante a campanha, Alves defendeu que a decisão cabe ao Congresso.
Via 247 - O novo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), reforçou em seu discurso de posse no posto máximo da Casa o que vinha dizendo durante a campanha sobre o caso dos deputados condenados no julgamento do mensalão. "Não faltará a um ou a outro - o Poder Executivo e o Poder Legislativo - o nosso respeito. Mas não se esqueçam de que aqui só tem parlamentar abençoado pelo voto popular", disse Alves, em defesa das prerrogativas da Câmara.

No fim do julgamento da Ação Penal 470, os ministro do Supremo decidiram que a condenação em última instância implica na perda do mandato do parlamentar envolvido, o que atinge João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), além de José Genoino,que tomou posse como suplente no fim do ano passado, após o fim do julgamento. Genoino, aliás, participou da eleição para a Mesa Diretora da Câmara nesta segunda-feira.
Enquanto ainda estava em campanha, Henrique Alves disse em mais de uma entrevista que "a declaração da perda do mandato é inequívoca que é do Parlamento". A declaração foi classificada pelo ministro Marco Aurélio Mello como "um arroubo de retórica". "Foi uma declaração de cunho eminentemente político", comentou Marco Aurélio à época. Mas o fato de o novo presidente da Câmara destacar o papel dos parlamentares entre os outros poderes é sinal de que ele não parece ter mudado de opinião sobre a questão depois de eleito.
"Os outros Poderes terão todo respeito. Mas o Poder que representa o povo brasileiro na sua mais sincera legitimidade, queiram ou não queiram, é essa Casa aqui", defendeu o novo presidente da Câmara. Pelo jeito, apesar da mudança de comando na Câmara, o desfecho para a questão dos parlamentares condenados está longe de chegar. Postado por Marcos Imperial.

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