terça-feira, 4 de abril de 2017

Temer mata em silêncio o Mais Médicos: Atrasa salários, reduz profissionais, deixando 7,7 milhões sem médico brasileiro nem cubano

Por Conceição Lemes
Desde que foi criado, em julho de 2013, pela então presidenta Dilma Rousseff (PT), o Programa Mais Médicos está no fogo cruzado.
Primeiro, a forte oposição das entidades médicas e da grande mídia.
Mesmo assim, tem a aprovação de mais de 90% dos usuários.
Lá fora, é elogiado.
Em junho de 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU), no documento Good Practices in South-South and Triangular Cooperation for Sustainable Development, diz que é “prática relevante” para se atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A ONU recomenda-o a outros países:
 O projeto é replicável e é potencialmente benéfico para qualquer País que decida adotá-lo. O Brasil fez um investimento econômico substancial para a realização do projeto; porém, os benefícios, a longo prazo, superam esses investimentos.
O programa chegou a ter 18.240 médicos, garantindo acesso a 63 milhões de pessoas em 4.058 municípios.
Porém, desde a derrubada de Dilma, aos inimigos tradicionais do Mais Médicos se juntou outro com altíssimo poder de destruição: o governo usurpador de Michel Temer (PMDB).
Na verdade, antes mesmo do afastamento de Dilma pelo Senado, em 16 de maio de 2016, o programa está na mira do engenheiro civil e deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).
Na primeira semana de maio de 2016, reunido com representantes das entidades médicas em São Paulo, o então futuro ministro da Saúde assumiu o compromisso de afastar os estrangeiros do programa, especialmente os cubanos.
Ricardo Barros iniciava aí uma série de muitos golpes fatais no coração do Mais Médicos.
O objetivo é desmontá-lo.
Em bom brasileiro: matar o Programa Mais Médicos, o que o ministro vem fazendo progressiva e silenciosamente.
“O governo Temer só não acaba de vez como programa, porque sofreria muita pressão política, então resolveu ir matando aos poucos”, denuncia o médico sanitarista Hêider Pinto em entrevista exclusiva ao Viomundo.
Uma análise minuciosa dos sistemas do próprio Ministério, incluindo o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), mostra que o atual número de médicos no programa não chega a 16 mil e o de municípios já é menor que 3.800.
“Isso significa que 7,7 milhões de pessoas deixaram de ser atendidas pelo programa”, alerta Hêider.
“Depois de terem por mais de três anos médicos perto de suas casas, de segunda a sexta, essas 7,7 milhões de pessoas voltaram a não ter a quem recorrer”, observa. “Um retrocesso inaceitável.”
Hêider Pinto é médico sanitarista. Coordenou o Mais Médicos no governo Dilma de 2014 a 2016.
Viomundo – Por que Ricardo Barros ataca tanto o Mais Médicos?
Hêider Pinto — Não há nenhuma justificativa técnica que recomende desmontar um programa tão exitoso.
Só motivos ideológicos e compromissos assumidos com a parte mais atrasada e xenófoba da corporação médica explicam um governo reprovado por 90% dos brasileiros querer acabar com um programa aprovado por mais 90% dos usuários.
Viomundo – Há uns dois anos a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) publicou uma pesquisa, mostrando que mais de 90% dos usuários aprovavam o programa e que gostavam muito dos médicos cubanos. Outros estudos confirmam isso?
Hêider Pinto – Dezenas de pesquisas científicas e estudos publicados no Brasil corroboram a avaliação inicial, além do crescente reconhecimento lá fora.
Por exemplo, a ONU reconhece o Mais Médicos como “prática relevante” para o alcance dos “objetivos do milênio”.
Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e diversos estudos mostram aumento do acesso e da oferta de consultas à população.
Há também pesquisas atestando a melhoria da qualidade do atendimento, alta satisfação dos usuários e melhoria dos indicadores de saúde.
Viomundo – Quantas pessoas têm acesso ao Mais Médicos e em quantos municípios?
Hêider Pinto — O programa chegou a ter 18.240 médicos, garantindo acesso a 63 milhões de brasileiros em 4.058 municípios.
Mas hoje a sua abrangência é menor. Progressiva e silenciosamente ele vem sendo reduzido.
Uma análise minuciosa dos sistemas do próprio Ministério, incluindo o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), mostra que o número de médicos no programa não chega a 16 mil e o de municípios já é inferior a 3.800.
Viomundo – O que representa essa diminuição?
Hêider Pinto – Depois de contar por mais de três anos com médicos perto de suas casas, de segunda a sexta, 7,7 milhões de pessoas deixaram de ser atendidas. Um retrocesso inaceitável, pois elas voltaram a não ter a quem recorrer.
Viomundo – Que sinais comprovam o desmonte? 
Hêider Pinto – Como você bem sabe, o ministro critica e ataca o programa antes mesmo de assumir como interino.
Quanto aos sinais do desmonte, eles são muitos. Citarei apenas algumas ações concretas que golpeiam o coração do programa.
Por exemplo:
1) Acabou com a bonificação nas provas de residência médica que era dada aos médicos brasileiros que atuavam no Programa, reduzindo o interesse deles em participar. Um incentivo que era solicitado por 2 em cada 3 médicos brasileiros que participavam do Programa.
2) Interrompeu bruscamente e de maneira absurda a ampliação de vagas de residência médica para formar a quantidade de especialistas que a população precisa.
3) Interrompeu também a abertura de vagas de medicina em universidades públicas.
5) Decidiu substituir médicos cubanos que atuavam em áreas que os brasileiros não querem ir, deixando muitas comunidades sem médicos.
Viomundo – Mas nesse ponto ele deu com os burros n’água. Até passou atestado em palestra recente na Câmara Municipal de Curitiba, ao falar da desistência dos médicos brasileiros e atuação dos cubanos (veja PS do Viomundo). Te surpreendeu tamanha desistência?
Hêider Pinto – Claro que não. Desde o início, os estudos mostravam que os médicos brasileiros não iriam querer atuar nas áreas mais pobres e mais remotas.
Inclusive, o Viomundo publicou matéria que explicava o erro de se tentar substituir os médicos cubanos pelos brasileiros nessas áreas.
Os opositores do programa diziam que nós estávamos preterindo os brasileiros em relação aos cubanos. Isso nunca foi verdade. A lei deixa muita clara a prioridade dos brasileiros. Onde eles não estavam, é porque não tinham querido ir e, pelo que vimos, seguem não querendo.
Resultado: entre os estudos e o factoide político, o governo ilegítimo ficou com o segundo e o resultado está aí.
Viomundo – E, agora?
Hêider Pinto – Agora, mais de 7 milhões  de pessoas estão sem médico cubano e sem médico brasileiro.
Vão ter que recorrer a um pronto socorro, às vezes na cidade vizinha, ou ficarão um tempão na fila, sofrendo até conseguir atendimento. Isso sem falar que a sua situação de saúde poderá piorar muito. Um retrocesso e absurdo inaceitável!
Viomundo – Que outras ações concretas do ministro Ricardo Barros golpeiam o coração do Mais Médicos?
Hêider Pinto — Até o pagamento dos médicos brasileiros começou a atrasar agora, o que desmotiva a participação no programa.
Viomundo – A responsabilidade pelo atraso no pagamento é do Ministério ou dos prefeitos?
Hêider Pinto — Do Ministério da Saúde. É o órgão que deposita na conta do médico a bolsa mensal. Hoje, 3 de abril de 2017, sequer a de fevereiro havia sido paga.
Viomundo – Qual o mais novo golpe do ministro da Saúde contra o programa?
Hêider Pinto — Foi quarta-feira passada (29/03). Foi publicada uma portaria  que faz com que os recursos do Mais Médicos, que eram gastos obrigatórios virem discricionários, ou seja, podem ser cortados.
Viomundo – Mas essa portaria foi assinada pelo ministro do Planejamento…
Hêider Pinto – Mas tem o aval do Ministério da Saúde. É ele que sugere o que fica obrigatório e o que fica discricionário.
“Coincidentemente” na mesma semana em que o governo apresentou os novos números para o contingenciamento e anunciou que fará cortes ainda mais radicais e absurdos no orçamento, atingindo as políticas sociais e a saúde.
Viomundo — Representa quanto em recursos?
Hêider Pinto — Essa portaria tira a obrigatoriedade de destinação de R$ 3,3 bilhões para custeio do Mais Médicos.
Antes dessa mudança casuísta e oportunista, esse recurso não podia ser cortado, justamente porque os recursos do Mais Médicos e da Atenção Básica são prioridade, já que são essenciais à saúde da população.
Com a mudança, poderá ser cortado. E lhe digo mais: no caso do Mais Médicos, será cortado.
Eles não usarão os R$ 3,3 bilhões previstos, até porque o número de médicos do programa está sendo reduzido.
Em compensação, pode ter certeza: recursos para alguns estados, como o Paraná, publicidade e projetos de tecnologia de informação, que são prioridade do ministro, não serão cortados. 
Viomundo – Logo no início, você disse que o programa chegou a ter 18.240 médicos. Hoje, tem menos de 16 mil. Por quê? 
Hêider Pinto — Eu apontaria três causas. De um lado, o programa não é mais prioridade e o governo só não acaba de vez com o Mais Médicos porque sofreria muita pressão política, então resolveu ir matando aos poucos.
Lembremos que o ministro disse que o programa era provisório e que garantir médicos nos municípios era problema dos prefeitos e não do governo federal.
Então, sai um médico cubano de um município e o governo simplesmente não coloca outro no lugar.
Ao mesmo tempo, retira incentivos para os médicos brasileiros e atrasa os pagamentos, desmotivando-os.
De outro, há decisões equivocadas tomadas contra todas as recomendações de estudos de posse do próprio Ministério. Uma delas fez o ministro passar atestado em Curitiba: que os médicos brasileiros não estavam  querendo atuar nas áreas mais pobres e mais remotas, como fazem os cubanos.
Viomundo – E, agora?
Hêider Pinto — Eu recomendo a todas essas comunidades que conquistaram a assistência com oMais Médicos e, agora, estão desassistidas que protestem, que façam muito barulho e denunciem mais esse absurdo desse governo de desmonte dos direitos e conquistas sociais.
PS do Viomundo: Em 13 de março, em palestra na Câmara Municipal de Curitiba, disse:
Fizemos agora uma chamada, para brasileiros, e 8.700 compareceram para 1.400 vagas, sinal de que temos brasileiros no mercado pra ocupar. Chamados esses 1.400, 600 já não querem, passam, mas chegam lá e ‘não dá pra reduzir a carga horária’, ‘não dá pra não trabalhar?’ E não é possível.
Por isso que o povo gosta do cubano. O cubano vai lá, fica das oito às seis da tarde, sábado e domingo, come churrasco com a turma, fica o dia inteiro à disposição da população, é esse o tratamento diferenciado que faz com que a aprovação do programa Mais Médicos seja 95%.
A palestra teve duração de 46 minutos. O trecho em que Ricardo Barros se refere aos médicos brasileiros e cubanos começa aos 26min31 e vai até 27min18. Confira no vídeo abaixo.

Miguel Nicolelis explica o que o Brasil perde com a extinção do Ciência sem Fronteiras

Ainda na esteira da perplexidade nacional com a decisão do governo Temer de extinguir, sem explicações, o programa Ciência sem Fronteiras, o cientista Miguel Nicolelis explica a importância do investimento em ciência.

DILMA: COMO O TEMER NÃO TEM NADA A VER COM ISSO?

Adrián Escandar
A presidente deposta Dilma Rousseff, em uma longa entrevista publicada nesta terça-feira, criticou o uso das delações de Marcelo Odebrecht na ação que pode cassar a chapa de presidencial vitoriosa de 2014 no Tribunal Superior Eleitoral; para Dilma, muitas das declarações do empreiteiro são meras peças de "ficção" motivadas pela coação que ele sofreu na cadeia; Dilma atacou ainda a principal estratégia de defesa de Michel Temer, afirmando que é impossível dividir as contas da campanha: "E como o Temer não tem nada a ver com isso? Ele arrecadou R$ 20 milhões de um total de R$ 350 milhões. Nós pagamos integralmente todas as despesas dele. Jatinhos, salários de assessores, advogados, hotéis, material gráfico, inserções na TV. Separar essa conta só tem uma explicação: dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da Previdência e desregulamentação econômica brutal", acusa a petista; Dilma atacou ainda o choro de Aécio Neves e sua irmã, que têm se revoltado por agora aparecerem nos escândalos de corrupção; "Quem abre a caixa cheia de monstros geralmente é devorado primeiro", diz; para Dilma, Lula só será preso "se eles forem muito doidos".

247 - Dilma Rousseff, presidente deposta no golpe de 2016, concedeu uma longa entrevista à colunista Mônica Bergamo em que atacou a principal estratégia de defesa de Michel Temer, afirmando que é impossível dividir as contas da campanha.
"E como o Temer não tem nada a ver com isso? Na campanha, ele arrecadou R$ 20 milhões de um total de R$ 350 milhões. Nós pagamos integralmente todas as despesas dele. Jatinhos, salários de assessores, advogados, hotéis, material gráfico, inserções na TV. Separar essa conta só tem uma explicação: dar tempo para ele entregar o resto do serviço que ficou de entregar: reforma da Previdência e desregulamentação econômica brutal."
Dilma criticou duramente o uso das delações do empresário Marcelo Odebrecht como indícios de corrupção no julgamento que pode cassar a chapa presidencial vitoriosa em 2014. 
"Eu fico estarrecida, primeiro, com o cerceamento de defesa do qual estou sendo vítima. [Marcelo Odebrecht] está fazendo delação de acordo com seus interesses. Portanto, tudo o que ele diz pode servir de indício para investigar, mas não para condenar. O STF [Supremo Tribunal Federal, que homologou a delação do empreiteiro] nem abriu investigação [criminal] ainda. É estarrecedor que um procurador use como prova o que não é prova.
(...)
Olha, eu tenho a impressão de que o senhor Marcelo Odebrecht sofreu muitos tipos de pressão. Muitos tipos de pressão. Por isso, não venham com delaçãozinha de uma pessoa que foi submetida a uma variante de tortura, minha filha. Ou melhor, de coação.
Ele nunca teve essa proximidade comigo [para tratar de verba de campanha]. Da minha parte sempre houve uma imensa desconfiança dele."

Na opinião de Dilma, Marcelo Odebrecht nunca a perdoou por ela ter impedido um esquema de corrupção nas hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia.
"Eu era ministra-chefe da Casa Civil em 2007 e supervisionava os grandes projetos do governo como as usinas do complexo do rio Madeira, Santo Antônio e Jirau. E um empresário começou a dizer que estava muito difícil participar do leilão porque havia uma espécie de cartel organizado pelo senhor Marcelo Odebrecht. Eu fui averiguar. E havia um processo de cartelização. Chamada a direção de Furnas [que participou do consórcio], isso foi imediatamente resolvido. Mas não é só. O leilão já estava marcado e ele disse em vários locais que ninguém faria lance se o preço mínimo da energia não ficasse em R$ 130. Decidimos não adiar. E a própria Odebrecht ganhou por R$ 78,87.
Faça as contas e veja a diferença de margem de lucro [que a Odebrecht deixou de ganhar]. Ele nunca deve ter me perdoado."
Questionada se vai se candidatar novamente, a petista diz não ter esse desejo, mas que isso pode acontecer:
"Eu não quero. Mas posso até ser. Me casse que eu vou passar o tempo inteiro lutando [na Justiça] para não ser cassada e ser candidata."

LULA COM 65% PERNAMBUCO RESPONDE POR QUE NÃO SAEM PESQUISAS


VIA TIJOLAÇO: 

Jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço, repercute a pesquisa da Uninassau, divulgada nesta segunda-feira, 3, que aponta o ex-presidente Lula liderando a preferência do eleitor de Pernambuco com 65%, muito a frente dos dois que empatam em segundo: Marina Silva e Jair Bolsonaro, com 6%; "Aí está uma boa razão para entender porque não aparecem pesquisas presidenciais há tempos e porque, hoje, Nélson Jobim diz que Lula, se chegarem ao ponto de o mandarem prender ou cassarem seu direito de ser candidato, elege qualquer um – a começar por Ciro Gomes, segundo ele – em 2018".

Por Fernando Brito, do Tijolaço - O Jornal do Commercio de Pernambuco publica hoje uma pesquisa de intenção de voto, realizada com 2.014 eleitores do estado pelo Centro Universitário Maurício de Nassau – que há dez anos realiza levantamentos de opinião pública entre os pernambucanos. O resultado é uma boa pista do porquê andam tão sumidas as pesquisas de intenção de voto: Lula aparece com 65% da preferências dos eleitores, astronomicamente longe dos dois que empatam em segundo: Marina Silva e Jair Bolsonaro, com 6%.
Ah, mas Lula sempre foi favoritíssimo no Nordeste, que é considerado o “paraíso do PT”… Não, ainda assim o resultado é impressionante: Dilma teve, no primeiro turno, em 2010 e 2014, 46 e 42% dos votos pernambucanos e Lula, em 2006, 70,9%, o que é uma perda ínfima diante da estúpida campanha de mídia que contra ele se fez.
E não apenas ele não perdeu como todos os demais perderam muito, a começar por Marina Silva, que recolheu 19% e 21% dos votos em Pernambuco, nas duas últimas eleições presidenciais.. Dos tucanos, nem se fala: dos 33,5% que obteve lá em 2014, conserva apenas 1%.
Aí está uma boa razão para entender porque não aparecem pesquisas presidenciais há tempos e porque, hoje, Nélson Jobim diz que Lula, se chegarem ao ponto de o mandarem prender ou cassarem seu direito de ser candidato, elege qualquer um – a começar por Ciro Gomes, segundo ele – em 2018.

Condenação de Temer fará bem à democracia


Do jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília.

O esforço de Michel Temer e seus aliados para impedir o avanço do julgamento no TSE se explica por um cálculo evidente. Em posição insustentável, a cassação dos direitos políticos de Temer abre o debate sobre a escolha do novo presidente, aquele que irá governar o país até 2018.

Em condições normais, não haveria o que discutir fora da regra constitucional, que determina a escolha pelo Congresso, em voto indireto, no prazo de 90 dias.

Mas o país não vive um período de normalidade desde o afastamento de Dilma sem crime de responsabilidade configurado.  Desde o 15 de março de 2017, os brasileiros e brasileiras demonstraram, na rua, que estão mobilizados para defender seus direitos.

Apresenta-se, então, a situação que os aliados de Temer temem, mas que a população deseja com clareza e simplicidade: a brecha política que pode abrir caminho para um movimento por diretas agora,  contra um golpe dentro do golpe.

É esta a possibilidade aberta pelo julgamento no TSE.

Caso o julgamento determine o afastamento de Temer, será o início do desmonte da articulação que produziu o golpe parlamentar e, sem consultar ninguém a não ser seus próprios patrões ideológicos, deu início a uma ofensiva contra direitos e conquistas que a maioria condena sem rodeios.

A coalizão golpista, que já perdeu vários alicerces desde a posse, estará esfrangalhada -- antes que o novo presidente venha ser escolhido.

Cientes do risco a ser enfrentado quando o povo se coloca na rua -- é bom não esquecer da greve geral marcada para 28 de abril, numa mobilização que está longe dos protestos importantes, mas sem maiores consequências políticas, de nosso passado -- os aliados de Temer tudo farão para embaralhar o julgamento, atrasar uma decisão e ganhar tempo. O esforço será concentrado nos pedidos de vista, destinados a fugir da discussão e evitar um debate sobre o mérito das denúncias contra Temer.

É sua maior esperança -- mesmo assim, um esforço precário, que irá corroer a credibilidade que Temer ainda desfruta junto a seus aliados mais fiéis, socialmente insignificantes, mas poderosos do ponto de vista econômico e político. 

A manobra infantil de tentar separar a chapa, iniciativa escabrosa, quando se recorda a jurisprudência firmada em casos semelhantes, confirmada na ação que pediu a impugnação da chapa Dilma-Temer em dezembro de 2014 e a posse de Aécio Neves, perde credibilidade mesmo entre aliados do governo na mídia amiga. Compreende-se.  

Depois de denunciar "doações feitas em decorrência de benesses ou de abstenção de criar entraves por parte dos agentes da empresa estatal," o advogado do PSDB, Eduardo Alckmin, escreveu que a "eleição presidencial de 2014, das mais acirradas de todos os tempos, revelou-se manchada de forma indelével pelo abuso de poder, tanto político quanto econômico, praticado em proveito de Dilma e Michel." Está lá, para não haver dúvidas -- que também foram dissipadas pelos depoimentos e delações recentes.

A mesma corte que encaminha a convicção para condenar Dilma -- como se todos as acusações estivessem comprovadas acima de qualquer dúvida -- não pode alterar suas convicções e mudar de caminho no caso de Temer. Recorde seletivo, nem o mensalão PSDB-MG chegou a tamanho disparate.


Apenas profissionais cotidianamente empenhados em procurar opções favoráveis a Temer conseguem cogitar uma acrobacia especial. Ser cassado no TSE, preservar os direitos políticos -- como aconteceu com Dilma no Senado -- e ele poderia ser eleito como presidente pelo Congresso. Fácil de imaginar, difícil de fazer -- em qualquer circunstância. Ainda mais com o povo na rua e reprovação recorde. Imagine o que iria acontecer no país.

Pessoas vão, memórias não.

Acredito que uma das coisas mais bonitas do universo seja a forma como ele flui.

Pessoas chegam outras partem em um movimento que aprendi a admirar com o passar dos anos.

Esse movimento me faz lembrar a onda do mar que em sua sabedoria trás a água para dentro de si para criação de uma nova forma e após o espetáculo com tranquilidade inicia um novo ciclo.
As relações também são assim as pessoas se encontram ao longo das rotinas repetitivas e se transformam ao longo dessas experiências.
Cada momento deixa uma marca como se fosse uma medalha no quadro de recordações.
Nunca se sabe quando será o encontro ou o momento exato da partida.
O que torna esse movimento constante da vida fantástico é perceber que as memórias são capazes de eternizar as pessoas.

A única opção é permitir-se viver, deixando as pessoas livres.

Vivemos em um planeta de abundância onde existe amor para todos.
Troque possíveis desrespeitos futuros pela coragem dizer o que não se sente.
Liberte-se para que novas possibilidades aconteçam.  Se o medo bater em sua porta, respire logo ele passa.
É preciso permitir que aconteça para que possamos construir memórias e eternizar pessoas, porém não tente controlar a inteligência superior que rege o universo, congelando sua vida em um instante único.
Lembre-se só permaneça onde existe reciprocidade e que seja eterno enquanto te faça bem. 
Do Blog: Em memoria á Tio Dedé (José), estará sempre em nossas lembranças e na mais ressente recordação. Descanse em paz meu velho tio!
Via https://osegredo.com.br/

Faixas em frente ao TSE pedem cassação de Temer

Jota
A frente do Tribunal Superior Eleitoral amanheceu nesta terça-feira 4 com faixas que pedem a cassação de Michel Temer, eleições diretas e transmitem coragem ao ministro relator do processo que pode cassar o mandato do presidente, Herman Benjamin; julgamento da chapa presidencial de 2014, Dilma-Temer, começa nesta manhã com a leitura do resumo do relatório do ministro, que tem mais de mil páginas.

247 - A frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) amanheceu nesta terça-feira 4 com faixas que pedem a cassação do mandato Michel Temer, eleições diretas já e transmitem coragem ao ministro relator do processo que pode cassar o mandato do presidente, Herman Benjamin.
O julgamento da chapa presidencial de 2014, Dilma-Temer, começa nesta manhã com a leitura do resumo do relatório do ministro, que tem mais de mil páginas. Em seguida, falam os advogados do PSDB, autor da ação que pediu a impugnação da chapa, mas que depois do impeachment de Dilma Rousseff e de fazer aliança com o governo Temer, pediu a condenação apenas da petista.
A expectativa é que o julgamento seja adiado com um pedido de vista e, neste caso, não há data para ser retomado. Caso Temer seja cassado, serão realizadas eleições diretas, quando o Congresso Nacional escolhe um substituto para o cargo de presidente da República.

Mudei. Disso tenho a certeza.

A idade fez-me redescobrir a lentidão, a ausência de pressa para chegar ou terminar alguma coisa o mais rápido possível, a falta de vontade de ser mais isto ou mais aquilo, a desnecessidade de ser o melhor ou aquele que deixa sempre uma marca.
O tempo permitiu-me entender que a pressa de chegar condenou-me muitas vezes a perder-me no caminho ou a chegar onde nunca quis chegar.
A vida fez-me compreender que na verdade estava quase sempre atrasado, atrasado de mim, atrasado de estar e ficar, atrasado de hoje.

Mudei. Disso tenho a certeza.

O que passou a me definir foi o meu inconformismo, a minha capacidade de ousar atingir o imprevisível e esperar o não expectável.
Já faço muito pouco da mesma maneira como costumava fazer. Já quase não utilizo as mesmas palavras e o mesmo tempo nos verbos.
Mudei, não apenas porque quis viver numa definição mais simples da vida, mas também porque quis tornar-me no único dono do meu destino.
Coisas de pele. De sangue. Minhas, apenas.
Cheguei a um ponto da minha vida em que já não quero nem preciso de impressionar ninguém.
Digo o que digo, faço o que faço, sem pensar naquilo que vou provocar nos outros.
Respeito todas as pessoas com as suas ideologias, crenças e tendências, mas não deixo de dizer a minha verdade.
Quanto mais fácil me parece viver, mais facilmente escolho aquilo que quero. Já não hesito um segundo para proclamar a minha liberdade e a minha felicidade.
Sou feliz, unicamente porque deixei de pôr a hipótese de ser infeliz. Sou feliz, porque a opinião dos outros deixou de ser importante para mim.
No meio do tudo e do nada fica a certeza de me conhecer melhor. Para lá disso, fica tudo aquilo que deixei de querer saber.

Mudei. Disso tenho a certeza. Via https://osegredo.com.br/

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Reflexão. Quando as ausências transformam-se em possibilidades!

Quando as ausência transformam-se em possibilidades na vida…

Esses dias, correndo num parque, me deparei com a figura de um pai ensinando sua filha andar de bicicleta. Corajosa que só ela, talvez com seus 6 anos, estava aprendendo a incrível façanha de pedalar sem rodinhas. Acha que é moleza? 
Ela ria, ficava brava, desistia, voltava, insistia, caia, ria de novo. O pai acompanhava e respeitava, atento, todas a reações da filha ao novo aprendizado.
A cena estava tão gostosa de ver que parei minha corrida para observar, tanto o gesto do pai como o empenho da guria.
Em determinado momento o pai disse que logo não iria mais segurá-la pelo banquinho, mas disse para ela ficar tranquila em relação a isso, pois o equilíbrio seria só uma questão de tempo.
 Pois bem, logo voltaram para a pista. Ela quis tomar mais distância. O pai avisou que seria nessa tentativa que iria soltá-la. Ela disse: “AIMEODEOS!” O pai riu, ela riu, mas de nervoso, e eu ri, sozinho, na minha.
 A pedalada começou, a bicicleta tremia, o pai corria do lado com uma das mãos no banco e então a mágica: ele a soltou SEM DEIXAR ELA PERCEBER!
 Uns instantes depois ela, sorrindo, inocente, falou: “PODE SOLTAR! E o pai gritou de longe: “JÁ SOLTEI! E ela gritou: “AI MEU DEUS!!! E ele respondeu: “CONTINUA QUE VOCÊ TÁ INDO BEM!!! E ela tremendo na magrela respondeu: “EU VOU CAIR!!! E o pai correndo na direção dela, e rindo um riso leve de orgulho da filha, aconselhou: “JOGUE-SE NA GRAMA!!!
 Foi ela ouvir isso e não deu outra, foi o pulo pela “sobrevivência” mais incrível e fofo que já vi, ao vivo. O pai, aproximando-se preocupado, perguntou se estava tudo bem e a reação dela foi a coisa mais fantástica e engraçada do meu dia. Ela abriu os braços, de olhos fechados, deitada na grama, e gritou: “EU CONSEGUI!!!! O pai riu, a guria riu, e eu ri.
Ela levantou rápido, pegou a magrela rosa do chão, olhou firme para o pai e disse: “VAMOS DE NOVO? EU QUERO DE NOVO!!! Tipo aquela sensação que dá quando você sai da montanha russa, sabe? Só que numa versão minimalista de uma bike rosa, sem rodinha, num parque pequeno. O pai disse que poderiam fazer aquilo até quando ela quisesse, ou até quando ela não precisasse da grama.
 A alegria daquela conquista foi tocante. Me fez pensar em quantas coisas poderíamos viver e sentir se topássemos tirar nossas rodinhas de apoio. Que tipo de grama sustentaria nossos saltos pela “sobrevivência”, e quais seriam as sensações de gritar orgulhosos pelas novas conquistas, mesmo que tenham sido por um instante pequeno. Quais seriam as sensações de saber que aquilo de que duvidávamos é tão possível que daria vontade de tentar de novo, quantas vezes fossem necessárias?
 Voltei para a minha corrida, pensei nas minhas rodinhas existenciais, e ao invés de continuar me perguntando inúmeros PORQUÊS… Resolvi me perguntar inúmeros POR QUE NÃO???
 No final da minha volta a guria ainda estava lá com o pai. Já estava mais apropriada da bike, tinha aprendido a frear mantendo o equilíbrio. Estava percebendo que era possível, a cada tentativa, conduzir as coisas de um jeito mais leve e natural. Agora ela sabia que era completamente possível e não tirava o sorriso do rosto, nem eu. Àquela altura ela já nem se importava mais com a falta das rodinhas tiradas.
 Tem um bigodudo (nietzsche), gente fina pra caramba, que certa vez disse que “o homem que vê mal vê sempre menos do que aquilo que há para se ver”.
 Naquele dia agradeci a vida pela menina que cruzou meu caminho limpando meus olhos. De um jeito simples, e sem notar, ela lembrou a um completo estranho que nem toda ausência surge para nos tirar algo.

Têm ausências que existem para nos acrescentar coisas essenciais e necessárias, que não experimentaríamos caso ela não nos fosse imposta.

No caso da guria do parque, foi a ausência das rodinhas na bike rosa.
 E nessa nossa grande bicicleta da vida sempre haverão rodinhas que precisarão sair. O que nos compete é admitir que rodinhas são essas.

LULA TERÁ APOIO DE PELO MENOS SEIS GOVERNADORES DO NORDESTE

Candidatura presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será apoiada por pelo menos seis dos nove governadores do Nordeste: Wellington Dias, do Piauí, Flávio Dino, do Maranhão, Camilo Santana, do Ceará, Rui Costa, da Bahia, Renan Filho, de Alagoas, e Ricardo Coutinho, da Paraíba; o motivo é simples, além de liderar com folga no Nordeste, Lula deve crescer ainda mais depois da inauguração popular da transposição do São Francisco; além disso, como o governo Temer, da coalizão formada por PMDB e PSDB, é rejeitado por mais de 80% da população local, apoiar Lula será uma questão de sobrevivência política para os governadores que disputarão a reeleição ou o Senado; mais do que simplesmente apoiá-lo, os governadores do Nordeste também poderão organizar uma frente ampla em defesa da legalidade, para impedir que a direita brasileira impeça Lula no tapetão, com condenações em primeira e segunda instância
247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera, com folga, todas as pesquisas sobre sucessão presidencial, já tem alianças naturais com pelo menos seis dois nove governadores do Nordeste.
São eles Wellington Dias, do Piauí, Flávio Dino, do Maranhão, Camilo Santana, do Ceará, Rui Costa, da Bahia, Renan Filho, de Alagoas, e Ricardo Coutinho, da Paraíba.
Dias, Santana e Costa são do PT e, portanto, são aliados naturais de Lula. Dino, do PCdoB, fez seu primeiro gesto de apoio quando visitou Lula na semana passada e afirmou que o Brasil precisa voltar a pensar com grandeza. Renan Filho, embora seja do PMDB, deve seguir os movimentos do pai Renan Calheiros (PMDB-AL), que, no fim de semana, explicitou seu rompimento com Michel Temer. E Coutinho, do PSB, esteve ao lado de Lula na inauguração popular da transposição do São Francisco.
O movimento de todos esses governadores tem razões ideológicas, mas também faz parte da lógica eleitoral. Como o golpe de Temer e da coalizão PMDB-PSDB é rejeitado por quase 70% dos nordestinos, apoiar Lula será uma questão de sobrevivência política para os políticos que disputarão cargos majoritários. Estar contra Lula significará estar contra o eleitor.
Mais do que simplesmente apoiá-lo, os governadores do Nordeste também poderão organizar uma frente ampla em defesa da legalidade, para impedir que a direita brasileira impeça Lula no tapetão, com condenações em primeira e segunda instância.

O óbvio. A terceirização vai empobrecer trabalhadores e enriquecer patrões

Lula Marques/PT
POR LAUREZ CERQUEIRA, Autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes - vida e obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; e O Outro Lado do Real.

Os trabalhadores brasileiros sofrerão um processo de empobrecimento inimaginável com a Lei da Terceirização e a reforma da CLT, de Michel Temer.

Diferentemente do que afirma o governo e os convertidos, de que é "modernização das relações do trabalho" e que vai gerar mais emprego, a subcontratação com subtração de direitos vai reduzir a renda dos trabalhadores, o poder de compra e deve impactar negativamente a economia.

Além disso, provocará queda drástica de arrecadação de contribuições para a previdência social. Com isso, a previdência corre o risco de falir.

A Lei é uma reivindicação antiga do empresariado, principalmente de multinacionais, atendida inicialmente por Fernando Henrique Cardoso e concluída por Temer.

O estabelecimento do contrato de trabalho por Getúlio Vargas, com a criação da CLT, a previdência social, e outros benefícios do trabalhador brasileiro, andavam atravessados na garganta do patronato desde a revolução de 1930, quando a República Velha, liderada pelos barões do "café com leite" (paulistas e mineiros), foi pendurada na parede da história como representação do atraso.

Antes só havia a Lei Áurea, que proibia a escravidão, e alguns penduricalhos legislativos.

A terceirização é o retorno à República Velha. As condições de trabalho serão precarizadas ainda mais, tendo em vista a submissão dos trabalhadores a extrema vulnerabilidade. A Lei amplia as margens de lucro das empresas com a exploração da mão de obra.

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O assédio moral, uma das mais perversas heranças da escravidão nas relações de trabalho, ganha mais força na tentativa de prevalecer como meio de exploração empresarial.

O estoque de mão de obra de reserva, neste momento dramático de "tempos modernos, de veloz crescimento da automação, deve aumentar barbaramente com os efeitos da lei de terceirização.

A proliferação, nas últimas décadas, de máquinas e equipamentos de alto padrão tecnológico, de forma mais intensa nos setores industrial, de serviços, comercial e financeiro, tem engrossando a fila interminável do desemprego estrutural.

Estudos recentes confirmam que cerca de 1/3 dos empregos atuais poderiam ser automatizados com tecnologias existentes.

O desemprego causado pela automação tornou-se uma das maiores preocupações nos países mais desenvolvidos do mundo, de cidadania avançada e democracia consolidada, e passou a fazer parte da agenda de prioridades máximas da União Europeia.

Os problemas decorrentes da automação têm sido debatidos desde os primórdios da revolução industrial, no século XIX, mas, recentemente, essa discussão se intensificou com a discussão de propostas de compensação da perda de postos de trabalho.

Em meados de 2016, a Suíça foi às urnas dizer, por meio de um referendo, se o Estado deveria ou não dar aos cidadãos cerca de R$ 10 mil por mês para consumir, sem trabalho em troca.

Na Finlândia, o governo selecionou 10 mil adultos para receberem R$ 2.200 reais por mês durante dois anos, a fim de medir o impacto que essa renda teria na propensão para o trabalho.

Caso o teste apresente condições favoráveis, o programa será implantado em todo o país. Países como Canadá, Holanda, também têm programas semelhantes.

A busca de formas de compensação da perda de postos de trabalho é uma tendência mundial. A produção automatizada precisa de consumidores, para que o sistema não se inviabilize.

Já o governo brasileiro, por incrível que pareça, colocou o país na contramão do processo civilizatório. Aqui o atraso organizado impõe medidas draconianas para assegurar a hiperexploração dos trabalhadores e ainda chamam o retrocesso de "modernização do mercado de trabalho".

Estão juntos no comboio da insensatez, o empresariado de multinacionais, do capital sem pátria, que está aqui para tirar o máximo de lucro dos recursos naturais abundantes e da mão de obra barata, e o empresariado brasileiro, de mentalidade ainda de senhor de escravos.


Não por acaso, dois conservadores: um paulista, Michel Temer e um mineiro, Aécio Neves, principais articuladores do golpe de Estado, enlameados em denúncias de corrupção, estão promovendo o retorno à República Velha.

LULA É A ÚNICA SAÍDA POR DENTRO DO SISTEMA POLÍTIC

Ricardo Stuckert
POR JEFERSON MIOLA Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial.

Lula é a única saída por dentro do sistema político e partidário vigente. O ex-presidente é o único personagem do sistema em condições de oferecer uma agenda de reconstrução do Brasil depois da destruição aterradora promovida pelo golpe.

Dificilmente outro candidato ou candidata à eleição presidencial – seja num pleito antecipado pela queda do Temer, seja no calendário de 2018, se a eleição não for cancelada pelos golpistas – terá a mesma legitimidade popular e a autoridade moral do Lula para pacificar o país em torno a um projeto de reconstrução nacional e de restauração democrática.

Lula é um mito vivo. A transposição das águas do São Francisco freqüenta o imaginário do povo nordestino como um acontecimento de significado bíblico. Pode-se concordar ou discordar com esta analogia popular, mas a verdade é que somente alguém da estatura histórica dele tem o poder de produzir tal associação simbólica na subjetividade do seu povo.

Em todas as pesquisas de todos os institutos Lula é apontado com maiores chances de vencer a eleição. A cada nova pesquisa, esta tendência inclusive aparece mais forte. Os índices dele disparam na medida direta da desmoralização e deslegitimação do bloco golpista e da cleptocracia que assaltou o poder.
Lula pertence ao Partido mais preferido na sociedade, a despeito da estigmatização jurídico-midiática da qual é o PT é vítima. O desejo de “exterminar a raça dos petistas” e de liquidar com o PT não só não se efetivou, como parece ter se voltado contra a oligarquia fascista.

O PT tem 15% da preferência das pessoas pesquisadas. Esta preferência, que até recentemente era de quase 30%, diminuiu com a crise de todo sistema político, mas mesmo assim o PT continua sendo, de longe, o Partido preferido. Marcos Coimbra, do Vox Populi, explica que os 15% “significam uma coisa simples: que algo como 22 milhões de pessoas [eleitores] identificam-se com o partido; significa que há milhões de petistas distribuídos em todas as faixas e regiões brasileiras, apesar da campanha arrasadora e cotidiana que o partido sofre”.

Depois do PT aparece o PSDB, com 5%; seguido pelo PMDB, com 2%. Ou seja, o PT detém, na média do país, mais que o dobro das preferências somadas dos partidos pilares do bloco golpista, sendo 3 vezes mais preferido que o PSDB e 7 vezes mais que o PMDB.

Não é disparate prognosticar o crescimento, na próxima eleição, das bancadas de deputados e senadores, bem como do número de governadores eleitos pelo PT e pela esquerda, catapultados pela candidatura Lula. O contexto da eleição geral será muito distinto daquele da municipal de 2014, a começar pela presença do Lula na urna eletrônica e pela centralidade do debate sobre a reconstrução econômica, o resgate de direitos e a restauração democrática.

Em vista destes dilemas, a oligarquia testa novas e velhas estratégias. Uma delas seria a condenação arbitrária do Lula e a implosão da sua candidatura. O arbítrio, todavia, poderá deflagrar um enfrentamento violento, de proporção imponderável. A simpatia, o encanto e a empolgação das classes médias com o golpe e com a seletividade da Lava Jato diminuiu muito.

Outra alternativa seria o cancelamento da eleição de 2018 para evitar a vitória do Lula, evento que significaria o encerramento do golpe e o fim do regime de exceção. Com este novo golpe, a oligarquia arrisca gerar conflitos sociais de enorme magnitude.

A terceira alternativa, que está sendo testada, é a fabricação de um candidato por fora do sistema político e partidário convencional; um candidato competitivo para duelar com Lula. A inviabilidade do Aécio, Alckmin e de outros candidatos da direita não deriva somente do baixo potencial eleitoral e da identificação deles com os retrocessos do golpe, mas, também, da revelação do envolvimento deles em esquemas monumentais de corrupção.

O prefeito paulistano João Dória, do PSDB, é o corpo que veste o disfarce do “anti-sistema”, de um outsider. Ele faz uma manipulação explícita da própria condição de político tradicional para, assim, simular a imagem de gestor, de alguém de fora da política, de uma pessoa feita por si mesmo; um batalhador, um empreendedor.


Esta empulhação, porém, também tem seus limites. A construção da imagem deste candidato a Berlusconi brasileiro foi financiada por anúncios publicitários da alta burguesia paulista e por generosas verbas públicas dos governos tucanos. Dória não é um anti-político, é o pior dos políticos; é um fascista que faz do combate à política e à corrupção um instrumento de poder e de dominação da oligarquia.

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